sexta-feira, julho 29, 2005

Adaptaçãoo ou transposição?

Decepcionante. Foi a essa conclusão que cheguei quando assisti a Capitão Sky e o Dia de Amanhã, que prometia ser uma nova revolução em como fazer cinema. O que vi foi um filme mediano (considerando o roteiro e personagens) com uma pretensão exagerada, exibido e, acima de tudo, desproposital. Afinal, qual a vantagem de gravar um filme todo sobre o fundo verde e criar o cenário digitalmente? No caso do alardeado Sin City – A Cidade do Pecado, a resposta é fidelidade a graphic novel (que não faço idéia do que seja, mas todos chamam assim) homônimo de Frank Miller.

Decepção novamente. O filme de Robert Rodriguez traz muitas vantagens sobre o filme de Kerry Conran. É menos ingênuo (mas está longe de ser mais maduro), menos filme-bobinho-que-só-estréia-na-Sessão da Tarde e se aproveita com propriedade e eficácia de seu formato semi-virtual para criar seqüências que caminham entre vislumbre visual e bizarrice tosca/cômica (intencional ou não, não sei). As comparações de páginas do trabalho de Frank Miller com seqüências do filme impressionam, mas também escancaram ainda mais a maior pergunta não respondida: pra que diabos esse filme foi feito?

Qual a vantagem de filmar um filme exatamente como ele já existe? Quando Gus Van Sant refilmou quadro a quadro Psicose, foi duramente criticado. Não entendo porque toda a exaltação em cima de Sin City se o filme não passa de uma cópia animada de um gibi! Em quem devemos por a culpa por falhas no roteiro (homens duros e malvados até o osso, mulheres prostitutas e mais malvadas que os homens, em histórias que se resumem a vingança com a morte sádica dos inimigos), ou pelo falta de ritmo que parece emperrar o filme em alguns momentos? Ou quem deve ser parabenizado pelos belos enquadramentos e planos: Rodriguez ou Miller?

Provavelmente os dois. Tanto para a aprovação quanto para a culpa. A preocupação com a fidelidade foi tamanha que adaptação foi confundida com transposição forçada: do papel para as telas, dos balões para a narração (chata e cansativa), do escuro e restrito mundo dos quadrinhos para a “pretensa vanguarda ultra-cool” do cinema.

Como disse Kleber Mendonça Filho, Tarantino deveria ter feito mais do que gritar “Ação... Corta!” em trinta segundos do filme e ter dito para o amigão Rodriguez FAZER um filme de verdade e, como disse Ailton Monteiro (quando escreveu sobre Capitão Sky), se isso é o futuro do cinema, vou viver de assistir filmes velhos mesmo. E pensar que o trailer era tão bom!

Sin City - A Cidade do Pecado
Sin City, EUA, 2004
Direção: Robert Rodriguez e Frank Miller (Quentin Tarantino? Fala sério...)
Elenco: Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Clive Owen, Nick Stahl, Powers Boothe, Rutger Hauer, Elijah Wood

Também tem o comentário perfeito de Kleber Mendonça Filho (again) sobre A Fantástica Fábrica de Chocolate: "Eu adoraria ter sete ou dez anos de idade para ver esse filme com um olhar infantil".

quinta-feira, julho 28, 2005

Não só problemas conjugais

Por um tempo – apesar de satisfeito com o que via – eu esperava ansiosamente o momento em que Sr. e Sra. Smith deixaria toda a frustração e monotonia do casamento para partir de uma vez por todas para a ação. Quando a ação finalmente chegou, me arrependi do pedido e a trinta minutos do final, já olhava constantemente para o relógio imaginando quando finalmente acabaria.

Faltou a Doug Liman o equilíbrio entre as boas tiradas do absurdo da situação – casal há mais de cinco anos sem saber que ambos eram assassinos profissionais? Tá bom! – e a ação. Olhadas isoladamente, as duas partes funcionam até que bem. Mas pouco depois de entrar em seu terceiro ato, Sr. e Sra. Smith se perde entre uma comédia-romântica de ação ou um filme de ação com comédia. Não consegue ser nem um nem o outro satisfatoriamente.

Quem garante a chegada ao final da projeção – vejam só! – é Brad Pitt, cheio de caras e bocas, é verdade, mas que não deixa passar uma oportunidade de demonstrar sua frustração para com a companheira sem fazer a platéia rir. Já Jolie, continua a deixar aquela dúvida se tinha realmente talento ou se o que realmente contou foram seus lábios assassinos e seios turbinados.

Sr. e Sra. Smith
Mr. & Mrs. Smith, EUA, 2005
Direção: Doug Liman
Elenco: Brad Pitt, Angelina Jolie, Elijah Alexander, Theresa Barrera e Ron Bottitta

Também tem a estréia de Sin City amanhã no país das CPI. Finalmente. Só que, graças a banda larga, já assisti e sinceramente, fiquei tão decepcionado quanto fiquei com Capitão Sky e Expresso Polar. Depois falo mais disso.

quarta-feira, julho 27, 2005

Explícito

Bud Clay – ou Vincent Gallo, já que sua interpretação crua mais os acúmulos da função de protagonista, roteirista e diretor de seu pequeno filme quase que quebram totalmente os limites da ficção – está acabado. Sua frustração e dor estão explícitas em cada segundo de The Brown Bunny. Provavelmente Gallo intencionava um filme intimista, mas o explícito é muito mais recorrente em seu filme.

E não falo apenas da famosa cena do sexo oral que acontece a poucos minutos do final. Ainda que longa e explícita, ela quase se torna singela quando os créditos finais chegam. Gallo pode ser facilmente acusado de querer gerar polêmica ou de sensacionalismo. Nada mais esperado quando o mundo parece se tornar cada vez mais cheio de pudores e regras, principalmente àquelas que regem o comportamento sexual. Mas em momento algum, a seqüência sobra dentro do filme.

Na uma hora anterior, no entanto, Gallo deixa explícito o desolamento de seu personagem pelo olhar distante que encara o horizonte infinito da estrada. Entre uma parada e outra, Clay apenas dirige seu furgão ou corre com sua moto pelo deserto. Roda horas e horas pelas esquinas em busca de prostitutas para mostrar sem nenhuma sutileza que espera encontrar nelas o rosto de uma única mulher.

E haja paciência para tanta tristeza. A necessidade de Gallo em mostrar a situação de seu personagem é tamanha que cansa quando começamos a nos desinteressar com tanta estrada e tantas lágrimas. Depois de uma hora e vinte em que nada de substancial acontece (incluindo a tal cena do sexo oral), Gallo traz a grande explicação final – essa sim quase obscena – que tenta justificar todo o filme. Salva da danação do total, mas não salva The Brown Bunny de ser um filme que tinha muito pouco a falar.

The Brown Bunny (com chances de subir numa revisão)
The Brown Bunny, EUA, 2003
Direção: Vincent Gallo
Elenco: Vincent Gallo e Chloë Sevigny

terça-feira, julho 26, 2005

Muito açúcar

Começa a ficar chato esse negócio de comentar um filme e precisar dizer se assistiu ao original ou não, se é melhor que o original ou não, se a nova equipe “criativa” foi fiel aos originais do original ou não... Enquanto essa febre dos estúdios preocupados com as novas gerações que ignoram o que já foi feito no cinema não passa, ainda teremos muitos remakes para encarar. Pelo menos enquanto eles estiverem nos níveis de um Guerra dos Mundos ou deste A Fantástica Fábrica de Chocolates não estaremos perdendo tanto.

Ainda que sío pra seguir ao ritual, é preciso dizer que não assisti ao filme estrelado por Gene Wilder, e sinceramente, nem tenho vontade. Lembro de todas as vezes que deixei de assistir ao filme em suas inúmeras reprises no horripilante Cinema em Casa do SBT (notícia de última hora: o SBT vai reprisar de novo na sexta-feira que vem!) por simplesmente não acreditar que uma história sobre cinco crianças visitando um recluso (e amalucado) fabricante de chocolates poderia render uma boa história.

E não rende. Pelo menos não para A Fantástica Fábrica de Chocolates de Tim Burton. A história deste - segundo os entendidos, mais fiel ao livro de Robert Dahl do que o clássico de 1971 – é descaradamente moralista, punindo as crianças malvadas (o guloso, a metida, a mimada, o malvado) e enobrecendo o garoto pobre, humilde e feliz com sua família. Uma mensagem linda, é verdade, se eu já não tivesse perdido a fé (e o interesse) em histórias com propósitos tão educativos.

Felizmente Burton vem na contra-mão de tanto bom-mocismo do roteiro e cria um mundo estranho, bizarro, ora divertido ora assustador e blá blá blá com todos aqueles comentários que os filmes de Burton sempre geram. Mais uma vez, um trabalho para encher os olhos e fazer revirar os olhos, que acaba deixando a história um pouco mais sombria e suportável. Mas certamente o que mais diverte em seu novo filme e que ficará na memória quando uma injeção de insulina nos trouxer novamente a vida depois de tanto açúcar, são as caras e bocas de Jonny Depp – seu Willy Wonka é irritante, mas não há como não simpatizar – e os Umpa-Lumpas e seus números musicais inspirados e improvisados.

A Fantástica Fábrica de Chocolate
Charlie and the Chocolate Factory, EUA, 2005
Direção: Tim Burton
Elenco: Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Helena Bonham Carter e Noah Taylor

segunda-feira, julho 25, 2005

Três filmes: matando a aula, matando todo mundo e cometendo suic�dio

Curtindo a Vida Adoidado

Quem diria que os campeões de reprise da Sessão da Tarde se tornariam filmes tão deliciosos. Eu, que virava os olhos cada vez que a rede Globo resolvia fazer sua reprise semestral de clássicos como De Volta para o Futuro, Os Goonies e este Curtindo a Vida Adoidado, jamais poderia imaginar que me divertiria tanto hoje, quando o filme parece totalmente deslocado, tocado ao ritmo da inocência e simplicidade que faria qualquer adolescente nascido nos anos noventas virar os olhos. Mas o tempo passou, os computadores evoluíram, Matthew Broderick engordou e eu só fui aprender a matar aulas na faculdade. Devia ter prestado mais atenção nos filmes quando era criança.

 

Assassinos por natureza

A viagem visual, musical e conceitual de Assassinos por Natureza quer justificar a dimensão paralela em quem os personagens de Wood Harrelson e Juliette Lewis vivem. Com tantos cortes, filtros e piscas-piscas dignas de uma árvores de natal de vitrine daquela mercearia ali da esquina, tento imaginar a sensação que o filme não causou ao ser visto no cinema. Não me espantaria com um maluco rodando o filme de trás pra frente pra mostrar mensagens subliminares demoníacas. Como só conferi na telinha, deu tempo pra pensar no porque daquilo tudo e pra cair numa irritação anunciada com tanta afetação e exagero. Salva o batido ataque aos meios de comunicação, que Moore fez melhor em Tiros em Columbine, só que estressando menos seu editor.

 

You I Love

Este é o segundo filme russo que vejo, o que deixa claro como sou qualificado pra falar de filmes russos. Como se eu fosse qualificado pra falar de qualquer outro filme. Enfim, You I Love parece ser o filme que todo país deve produzir pra mostrar que é um lugar moderno, gay-friendly e aberto e atento às mudanças sociais e culturais (mesmo que o único nu em cena seja uma mulher e o (único) beijo entre os dois homens esteja mais para justificar do que para ajudar). Só que a vontade acaba sufocando a capacidade e o filme leva um tempo pra achar um caminho de verdade. Não sabe definir seus personagens – sem trocadilhos – a tempo de entendermos ou endosarmos suas atitudes nem se decide por uma das várias tentativas de linguagem que ensaiou. O que acaba lhe rendendo a vantagem de não se achar num gênero só e te levar rapidinho para o final - menos de uma hora e meia depois de começar - mas que faz essa comédia-romântica - russa - gastronômica - budista - gay querer tanto e não causar sensação alguma.

Curtindo a Vida Adoidado
Ferris Bueller's Day Off, EUA, 1986
Direção: John Hughes
Elenco: Matthew Broderick, Alan Ruck, Mia Sara e Jeffrey Jones

Assassinos por Natureza
Natural Born Killers, EUA, 1994
Direção: Oliver Stone
Elenco: Woody Harrelson, Juliette Lewis, Robert Downey, Jr., Tommy Lee Jones, Rodney Dangerfield

You I Love
Ya Lyublu Tebya, Russia, 2004
Direção: Olga Stolpovskaja e Dmitry Troistky
Elenco: Damir Badmaev, Lyubov Tolkalina, Evgeny Koryakovsky

quinta-feira, julho 21, 2005

Piscou, perdeu

Quem ficar procurando leituras do trauma americano pós-11 de setembro ou de apoio ao belicismo em Guerra dos Mundos, nova mega-produção de Steven Spielberg corre o risco de perder o filme, já que a maior qualidade dele é ser “rápido e rasteiro”, como diria minha mãe. Suas duas horas passam voando e quando menos se espera, os créditos começam a rolar. Ao contrário do que dizem, não é o final do filme que é abrupto, mas a morte dos alienígenas invasores.

E não percebeu essa diferença quem não percebeu que a proposta de Spielberg era de unicamente mostrar o que a família do cidadão médio qualquer Ray, interpretado por Tom Cruise, enfrentaria num possível ataque de ETs malvados. As poucas informações que temos sobre a situação mundial vem de alguns poucos momentos em que algum personagem assiste TV ou de boatos ouvidos ao longo da rota de fuga seguido pelos protagonistas.

Quem gritou Sinais acertou. A fórmula que M. Night Shaymalan usou com sucesso em seu próprio filme sobre invasões do espaço e fé em 2003 mostrou-se mais uma vez eficiente aqui, contando com um Spielberg cheio de energia e criatividade, disposto a fazer alguns queixos irem ao chão – sua especialidade – ao criar seqüências perfeitas – com ou sem efeitos – e de quebra, dar uma aula sobre ritmo, que só perde no porão da casa de outro anônimo interpretado por Tim Robins. Um detalhe importante: dessa vez, Spielberg evita cair no sentimentalismo fácil que seus últimos trabalhos obrigatoriamente traziam.

Quando as luzes se acendem, temos certeza de que o nosso mundo está a salvo – mesmo quando um mestre como Spielberg resolve fazer um remake – e que dá pra ver filmes que só querem ser filmes de verão sem machucar ninguém (do lado de cá).

Guerra dos Mundos
War of the Worlds, EUA, 2005
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Cruise, Justin Chatwin, Dakota Fanning, Tim Robbins e Miranda Otto

quarta-feira, julho 20, 2005

Perdidos: Ano 1




Não é preciso bola de cristal quando o óbvio está bem a nossa frente. E por mais que os produtores de LOST queiram, obvialidade parece ser o forte do programa. Veja o final da primeira temporada, por exemplo: era óbvio que não se responderia a todos os mistérios criados ao longo do ano, assim como era óbvio que isso desapontaria a maioria sedenta por some freak answers, que obviamente estará babando na frente da TV (ou do computador, depende) a partir de setembro, quando o ano II estreará.

De aposta arriscada para a temporada 2004-2005 dos seriados americanos, LOST passou para um hit com no mínimo seis anos, o que obrigou os produtores a espicharem um pouco as coisas. Segundo eles, nada que vá diminuir o impacto da história, que tem inúmeras possibilidades, grande potencial e criatividade de sobra. Claro que isso é segundo eles. Eles que também prometeram responder a alguns mistérios quando o episódio de número 24 (com uma hora e meia, mas que bem editado caberia em 45 minutos como qualquer outro) foi ao ar no fim de maio lá pelas terras ianques (e “distribuído” pela Internet para todo o mundo).

Ok, é preciso ser justo com o pessoal de LOST: sim, eles cumpriram com a promessa e responderam alguns mistérios. Mas também não sejamos idiotas: responder com outra pergunta não vale! Quem já viu (quem não, é melhor não continuar a ler este parágrafo) sabe que a tal escotilha é um túnel (mas pra onde?); sabe que o Lostzilla (apelido carinho do bicho/monstro/máquina que vira e mexe persegue algum personagem) é um sistema de segurança da ilha (controlado por quem?); sabe que a Black Rock é na verdade um galeão, naufragado no meio da ilha (como diabos isso foi parar lá?) e sabe que “os outros” realmente existem (quem...? enfim, vocês entenderam).

A mim até que não incomoda muito, já que nunca levei o programa muito além de diversão. E neste caso ele é perfeito. Virou mania, entrou no meio das conversas de bares, ganhou capas, tem sites, blogs e fóruns na Internet (www.lostbrasil.com) . O problema, que incomoda um pouco, é que ás vezes LOST tenta ser mais do que isso. Tanto que se define como um seriado de drama, e não de aventura, ficção-científica ou ação.

Uma opção que quando funciona rende excelentes episódios – Walkabout e Deus Ex-Machina, por exemplo, ambos episódios flashbacks da vida do enigmático John Locke – e quando não, fica na tentativa de criar algo impactante (Whatever may the case be, com a amada e odiada Kate). E claro, também há espaço para o dramalhão óbvio e tipicamente americano, que aposta nas lágrimas (o manteiga aqui chegou a soluçar), como em Do No Harm, em que um dos personagens principais morre enquanto uma criança nasce.

Como eu disse, a obvialidade impera. E a sutileza perderá cada vez mais espaço ao passo que respostas forem cobradas. Para o segundo ano prometeram menos enrolação com os mistérios atuais: vários serão respondidos. Mas também prometeram vários novos. Neste caso, o óbvio mesmo é que qualquer coisa será feita para o programa continuar em alta.

terça-feira, julho 19, 2005

Batman again

Batman Begins (que poderia se chamar Batman Again) era a aposta mais fácil de todo o ano de 2005. Resultado da soma de um estúdio sabedor e arrependido de sua ganância desmedida – mas ainda crente que poderia ganhar mais alguns trocos -, de um diretor e elenco competentes e um ótimo material original, a adaptação para as telonas do início da carreira do Homem-Morcego tinha muitas poucas chances de se sair mal.

E não se saiu. O filme de Christopher Nolan coloca Bruce Wayne e seu alter-ego denovo nos trilhos, redireciona o filme para o tom mais sombrio e realista que o material exige e dá a entender que pode ser uma nova chance de franquia bem-sucedida para série. Pelo menos até Joel Schumacher morrer e encarnar em algum diretor por aí. Enquanto isso podemos esperar pelo menos mais um filme decente, já que tudo leva a crer que todos voltam para a seqüência, explícita no final deste primeiro.

Para um filme que conseguiu o impossível e atendeu tão bem as expectativas, bastaria encerrar por aqui confirmando que tudo é muito bom. Mas é impossível deixar de olhar com um certo cansaço toda a primeira metade do filme – centrada no velho e habitual treinamento desumano e revelador – e com alguma desconfiança toda a racionalidade de Nolan, que apesar de se sair (muito) bem no seu trabalho, deixa uma dúvida se não se acovardou e preferiu simplesmente apostar no óbvio e fácil.

Mas como não sou ingrato e sei reconhecer duas horas de bom entretenimento, vamos fazer de conta que o parágrafo anterior não existiu, ok?

Batman Begins
Batman Begins, EUA, 2005
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan Freeman, Gary Oldman e Katie Holmes

segunda-feira, julho 18, 2005

Equilíbrio na Força

Assistir a sessão do terceiro (e último) episódio da saga de Star Wars se transformou numa verdadeira operação envolvendo dois carros, uma viagem de 1000 quilômetros, hospedagem no último hotel disponível da capital mais próxima (Cuiabá) e muita vontade de ver o filme numa sala de cinema boa de verdade. Se valeu a pena? Cada quilômetro rodado.

Episódio III não lidera o topo de melhor filme do ano, mas isso não quer dizer nada quando estamos há seis anos esperando que George Lucas entregue um filme bom de verdade e a altura da trilogia clássica iniciada há quase trinta anos. E o terceiro episódio se sai tão bem que até o A Ameaça Fantasma de 1999 – certamente o mais fraco de todos os seis filmes – ganha alguns pontinhos, se tornando mais simpático.

E estamos falando do mais previsível de todos os filmes. Ciente de que não tinha a seu favor o trunfo de um final surpresa e de que todos queriam apenas ver Anakin finalmente abraçando o lado negro da força, Lucas apenas fez o que tinha que fazer se esforçando ao máximo. Como estamos falando de George Lucas, sobram, no entanto momentos irritantes e totalmente desnecessários no longa, como robôs engraçadinhos – R2D2 ganha um destaque de estrela – e bichinhos coloridos – o calango mutante montado por Obi-Wan quase me fez jogar o saco de pipoca na tela – e seqüências de perseguição espacial bem coreografadas, mas nada além disso.

De onde vem o triunfo de A Vingança dos Sith, então? Daqueles momentos que estão diretamente ligados a tudo que já sabíamos e esperávamos ver. Os Jedis sendo exterminados, Yoda escolhendo o exílio, Amidala dando a luz e morrendo (que contou com uma pressa desnecessária de Lucas) e claro, o duelo final de Anakin Skywalker e Obi-Wan Kenobi que culminaria no esperado momento em que Darth Vader, como o conhecemos, se apresentaria.

Enquanto lá, na tal galáxia tão distante, o passo inicial para recuperar o equilíbrio foi dado, aqui, no escurinho do cinema, a Força finalmente havia chegado equilíbrio.

Star Wars: Episódio III : A Vingança dos Sith
Star Wars: Episode 3 - Revenge of the Sith, EUA, 2005
Direção: George Lucas
Elenco: Ewan McGregor, Hayden Christensen, Natalie Portman, Ian McDiarmid, Samuel L. Jackson, Christopher Lee

sábado, julho 16, 2005

Voltou.

Sei que ainda vou me arrepender, mas no momento parece ser a coisa mais certa a fazer. E como não sou dado a impulsos ou atos impensados na vida de verdade, pelo menos aqui na Internet serei um pouco imprudente:

A partir da semana que vem tentarei retornar com publicações aqui no euassisti.com. Ou pelo menos no blog dele. O site fica parado porque tudo aquilo dá muito trabalho, além de dar uma (forte) impressão de que eu tinha que fazer algo, quando na verdade tudo não deveria ser mais do que diversão. Prometo continuar e publicar sempre que der, pelo menos até o último semestre da faculdade não me sufocar (como fez o anterior).

Para não dizer que estou só embromando (estou repetindo isso a mim mesmo agora como um mantra), segue os meus indicados para os melhores e piores do primeiro semestre de 2005 para a Liga dos Blogues Cinematográficos:

Top 10 2005 (parcial)

  1. Mar Adentro (Equilíbrio)
  2. Closer - Perto Demais (Crueza)
  3. Constantine (Despojado)
  4. Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Certeiro)
  5. Guerra dos Mundos (Rápido)
  6. Batman Begins (Controlado)
  7. Menina de Ouro (Sentimento)
  8. O Guia do Mochileiro das Galáxias (Piração)
  9. Sideways - Entre umas e outras (Ressaca)
  10. O Aviador (Scorsese)

Bottom 5 2005 (parcial

  1. Elektra (Inútil)
  2. Entrando numa Fria Maior Ainda (Fútil)
  3. The Brown Bunny (Vazio)
  4. Operação Babá (Inocente)
  5. Herói (Bonitinho (mas ordinário))

Filmes comentados

Abaixo, a lista completa dos filmes comentados aqui no blog. Vale lembrar que só estão disponíveis os filmes da nova fase do blog (julho/05 pra cá). Cansei de todos os comentários feitos por mais de um ano e meio antes disso (mais de 200) e resolvi tirá-los do ar.

  • Água Negra
  • Assassinos por Natureza
  • Batman Begins
  • Beleza Americana
  • Boa Noite e Boa Sorte
  • Capote
  • Chave Mestra, A
  • Clã das Adagas Voadoras, O
  • Clean
  • Como Fazer um Filme de Amor
  • Crash - No Limite
  • Crônicas de Nárnia
  • Curtindo a Vida Adoidado
  • Desperate Housewives
  • 2 Filhos de Francisco
  • Em Seu Lugar
  • Exorcismo de Emily Rose, O
  • Fantástica Fábrica de Chocolate, A
  • Filme Falado, Um
  • Guerra dos Mundos
  • Guia do Mochileiro das Galáxias, O
  • Harry Potter e o Cálice de Fogo
  • Heróis Fora de Órbita
  • Hitch - Conselheiro Amoroso
  • Ilha, A
  • Os Irmãos Grimm
  • Jardineiro Fiel, O
  • King Kong
  • King Kong (2005)
  • Kung-fu Futebol Clube
  • Kung-Fusão
  • LOST
  • Loucuras de Dick e Jane, As
  • Luz Del Fuego
  • Oldboy
  • Mad Max
  • Mad Max 2 - A Caçada Continua
  • Mad Max Além da Cúpula do Trovão
  • Madagascar
  • Marcas da Violência
  • Missão: Impossível III
  • Munique
  • Nina
  • Noiva-Cadáver, A
  • Penetras Bons de Bico
  • Quarteto Fantástico
  • Reis e Rainha
  • Segredo de Brokeback Mountain, O
  • Senhor das Armas, O
  • Sin City - A Cidade do Pecado
  • Sr. e Sra. Smith
  • Star Wars - Episódio III: A Vingança dos Sith
  • Syriana - Indústria do Petróleo
  • Terra dos Mortos
  • The Brown Bunny
  • Transamérica
  • Vida Marinha de Steve Zissou, A
  • Virgem de 40 Anos, O
  • X-Men : O Confronto Final
  • You, I Love