segunda-feira, setembro 26, 2005

Vivos e mortos

Primeira grande coisa que assistir Terra dos Mortos me fez querer: ver os outros filmes de George Romero (já tentei antes, mas pelo jeito só e-mule resolverá). Tô doido pra ver como Romero filmava há vinte anos e como isso era - ou não - diferente do que foi com este seu novo trabalho, já que Terra dos Mortos não parece um filme deslocado.

Na verdade acho que falei uma grande bobagem porque acabo de me lembrar de outra bobagem feita há pouco: Madrugada dos Mortos, filminho promissor no começo mas vazio e preocupado com cabeças explodindo na maior parte do tempo. Corrigindo: Romero e seu filme estão deslocados sim, assim como estão seus mortos e seus vivos, todos buscando onde diabos se encaixam naquela (ou nessa) merda toda.

E tão explícito quanto tripas rasgadas está a vontade do diretor em deixar claro quem é o grande bandido da história. Coisa que nos deixa a vontade pra torcer pelos zumbis, j� que mortos parece melhor representar com mais fidelidade o que sobrou na maioria de nós.

O melhor em Terra dos Mortos é essa capacidade de estar usando de algo grotesco, exagerado e graficamente perturbador na maior do tempo e ser tão rotineiro, tão "não há um grande evento acontecendo". É só a vida (ou a morte) seguindo seu curso. E nada melhor do que ter alguém realmente capaz e sensível - e não um moleque que adora seu Playstation - no comando para saber quando é preciso mostrar a barriga de um cara sendo aberta em close e quando a simples imagem de inúmeros zumbis ajoelhados sobre possíveis vítimas será o suficiente para causar efeito.

Não é a maravilha espetacular que eu estava esperando ver - ou talvez seja mais correto que não é AINDA a maravilha espetacular que eu estava esperando ver. Filmes como estes nunca me pegam de imediato, eles preferem ficar lá no fundo da cabeça repetindo, repetindo, repetindo... e exigindo que sejam reassistidos.

Terra dos Mortos (pode alcançar o nível de clássico fácil, muito fácil)
Land of the Dead, EUA, 2005.
Direção: George Romero
Elenco: Simon Baker, John Leguizamo, Dennis Hopper, Asia Argento, Robert Joy, Tony Nappo, Shawn Roberts (Mike)

sábado, setembro 17, 2005

A beleza dos americanos

Já são seis anos desde que a crítica americana se rendeu aos encantos do filme do estreante Sam Mendes. Encantos que, pelo menos para mim, pareciam maiores naquela época, quando foi chamado de uma autocrítica ousada e cínica daquela sociedade. Hoje, ainda gostando muito do que vejo, Beleza Americana soa mais como mais uma oportunidade dos americanos se mostrarem.

Sou fã de Alan Ball. Não tanto por esta sua cria cinematográfica, mas principalmente por outra que nasceu para a TV, Six Feet Under (ou A Sete Palmos, como foi batizada em alguns canais por aqui). Seguindo a mesma linha “vamos mostrar como não somos tão bonitos quanto a TV mostra”, o seriado se preocupa menos em safar seus personagens – ainda que eu não tenha visto todas as temporadas – e se mostra muito menos soft com o público.

No filme, seja porque queria pegar mais leve ou porque sabia que muitas pessoas mais além dos próprios americanos iriam assistir (ou também porque acordou num dia mais feliz), Ball desacelera na reta final. Mata seu personagem principal a sangue frio, mas não deixar de fazer disso a coisa mais bonita do filme. Transforma tudo num “nós somos um povo desgraçado, mas temos fucking sentimentos”.

Nesta briga entre o profundo e reflexivo e puro egocentrismo, ainda há Sam Mendes disposto transformar o filme numa coisa bela, de encher os olhos, de partir o coração e de fazer pensar. Acerta muito na primeira. O restante convence só a quem adorar auto-piedade. Incrível como cinco anos podem fazer tanta diferença. Resta saber se foi ao filme ou a mim.

Beleza Americana
American Beauty, EUA, 1999.
Direção: Sam Mendes
Elenco: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Chris Cooper

terça-feira, setembro 13, 2005

Nem sim, nem não

Água Negra tem muitos acertos. O maior deles é a decisão do diretor Walter Salles de preferir o drama, um quase terror-psicológico, para dar tom ao filme ao invés de apelar para a linha de terror de chamados e gritos da vida, um tipo de terror que já deu o que tinha que dar. Ou melhor: que nunca deu nada de muito bom.

O resultado é um filme angustiante que funciona por muito tempo. Não quer dizer logo se a mãe que se muda para um prédio assustador com moradores assustadores e antigos inquilinos assustadores – tudo herança do filme original para justificar o enquadramento no gênero terror – está vendo coisas ou se ela realmente tem algo para se preocupar.

Mas como eu disse, funciona por um tempo. Tempo até demais, o que conta a favor do diretor. Bem próximo ao final, Água Negra começa a te fazer pensar até quando ficaremos naquela, e olhar para o relógio é involuntário. E filme algum resiste a impaciência de saber quando chegaremos ao final. Mesmo que seja um final no mínimo inesperado, como o de Água Negra.

Mesmo reafirmando bom número de acertos que apontei lá no começo – Connelly está bem, a fotografia perfeita, o cuidado com enquadramentos – não consigo pensar no filme como algo que eu tenha gostado. Não desgostei também. Mas filme que não se gosta, mas também não se desgosta, eu dispenso

Água Negra
Dark Water, EUA, 2005.
Direção: Walter Salles
Elenco: Jennifer Connelly, John C. Reilly, Tim Roth, Dougray, Pete Postlethwaite, Ariel Gade

Também tem Ang Lee levando o Leão de Ouro pelo seu Brokeback Mountain. A história de amor de dois vaqueiros que durou mais de vinte anos conquistou o juri e tem prometido, ao lado de Elizabethtown, varrer festivais por aí.

segunda-feira, setembro 12, 2005

A Ilha

Não sei exatamente em que momento que me convenceram de que a primeira metade de A Ilha tinha algum conteúdo. Provável culpa minha, já que deveria ter entendido que algum conteúdo. Isso é um filme de Michael Bay, ora . Mas daí a já dar créditos ao rapaz, é um exagero.

E nada combina melhor com Bay do que exagero. Até quando o infeliz tá só contando que alguns milhares de homens e mulheres estão vivendo numa colônia a espera de serem levados para um paraíso e dois deles descobrem que há mais por trás disso – acabei de resumir a tal parte com conteúdo do filme – Bay se esforça até o último segundo de câmera lenta para ser brilhante. Ou convencer que é. Quando ele grita "missão cumprida, agora vamos para a parte de ação" e resolve derrubar os protagonistas de mais de dezessete andares e nem riscar o rostinho bonito deles passamos a vez. Se bem que não enoja como aconteceu com os defuntos voando no último filme dele.

Nem a beleza visual de A Ilha – e digo que gostei bastante da cara do filme – resiste a quantidade de seqüências em que a câmera circunda um personagem, abre o plano enquanto é suspensa ou então força um close ao som denunciante da trilha de sonora de que “Oh! Algo está acontecendo! Presta atenção!”. O filme só não perde na quantidade de câmeras lentas para outra bomba, A Paixão de Cristo.

E mais do que câmeras lentas, A Ilha tem merchandising. A infinidade de marcas e empresas aproveitando o momento para vender seus produtos manda pelo ralo o já superficial discurso que o filme tenta emplacar de luta pela vida e pela não coisificação do ser humano e faz dele nada mais do que isso, um produto. Será que foi involuntário ou de propósito? Nem vou dormir essa noite...

A Ilha
The Islaind, EUA, 2005.
Direção: Michael Bay
Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Sean Bean, Djimon Hounsou, Steve Buscemi; Michael Clarke Duncan (em figuração de luxo)

terça-feira, setembro 06, 2005

Cumprindo promessas

Para cumprir com a promessa de atualizar periodicamente o blog e não deixar que ele morra como da última vez, cá estou. Mesmo que sem nada de importante pra dizer. E quando é que tenho alguma coisa de importante pra dizer, ora essa! Enfim, estou na provável pior semana do semestre (preciso convencer duas professoras de que posso dar aulas de Português e Inglês com quatorze planos de aula para sexta-feira) e com isso tenho visto muitos poucos filmes... Ah, claro, o post:

  • Como muitos disseram ser obrigatório, fui rever Sin City - Cidade do Pecado no cinema, na tela grande, no ambiente a qual de fato ele foi concebido e destinado ... e não mudou nada. O filme continua longo, cansativo e com pretensão equivocada. E a irritação causada pelas intenções e pretensões de Rodriguez (em traduzir mundos) cada vez mais dá espaço a certeza simples de que o filme é fraco mesmo.
  • Saiu no jornal O Povo, do Ceará, uma matéria sobre blogs de cinema em que vários blogueiros, eu inclusive, foram entrevistados. A versão on-line pode ser lida aqui. Mas vem cá: sou realmente irônico?!
  • Ainda não consegui ver A Ilha, que estreou há uma semana por aqui. Por mais que reclamem, estou interessado em ver o filme. Talvez amanhã, se terminar os tais planos de aula.
  • Estou com um post pendente de Alias para publicar, assim como ainda tenho que assistir toda a terceira e quarta temporada. Também tô com Nip/Tuck nas mãos (primeira temporada) e nada de tempo.
  • Relatórios da CPI são concluídos, novos escândalos são iniciados (o ciclo nunca termina), os EUA prova que só sabe cantar de galo no terreiro do vizinho, aviões caem (aqui cai um bimotor e um bebê de sete dias sobrevive), amanhã comemoramos a "independência da nação" e a única coisa de realmente interessante (pra mim, veja bem) pra dizer é que descobri a tequila. E gostei muito.
  • Quanta inutilidade. Semana que vem tento fazer alguma coisa de verdade.