segunda-feira, janeiro 09, 2006

Falando com violência

Tratar de violência não é fácil. Tratar de violência sem ser moralista e bom mo�o também não é fácil. Tratar de violência com violência, apelo visual e ainda conseguir fazer com que o cidadão que esteja “apenas” assistindo a um filme seja tomado por sentimentos e sensações e menos pela discussão racional, cheia de valores morais e éticos sobre a própria violência é algo que poucos conseguirão fazer.

David Cronenberg faz isso com Marcas da Violência. E parece fazer com um pés nas costas. Começa devagar, com a família feliz e perfeita perturbada no meio da noite com o eterno clichê da caçula que vê monstros. É doce e sensível.

O tempo passa e apenas a doçura muda. A sensibilidade de Cronenberg continua aguçada e sempre apontando para direções que te levam não a discutir ou pensar sobre a violência. Quando o filme termina - num corte seco e perfeito, talvez o melhor final que eu tenha visto este ano - e recobramos a racionalidade, a única coisa que realmente fica é a percepção de que quando o “mocinho” apontava a arma para o “vilão” num momento de hesitação, só conseguíamos pensar “Não vai puxar a porra do gatilho???”.

Marcas da Violência (pode subir facinho, facinho!)
A History of Violence, EUA, 2005
Direção: David Cronenberg
Elenco: Viggo Mortensen, Maria Bello, Ed Harris, William Hurt, Ashton Holmes, Peter MacNeill

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