quinta-feira, março 30, 2006

A long time ago in a galaxy far away...

Seria desespero recorrer a uma comédia de 1999 para conseguir rir um pouco? Pouca coisa conseguiu fazer isso por mim nos últimos anos (Todo Mundo Quase Morto e Dias Incríveis) sem deixar aquele gostinho azedo com um final boboca ou forçando em piadas físicas. O jeito é correr atrás daquilo que já funcionou antes e continua funcionando.

E a contar pelo subgênero de Heróis Fora de Órbita – comédia que parodia sucessos do cinema – não era de se esperar grande coisa. Mas o filme de Dean Parisot não só consegue fazer graça com o seu alvo de gozação (o seriado Jornada das Estrelas e toda a piração (saudável?) em torno dele) como aposta numa mudança de estratégia pra se salvar do lugar comum do gênero.

Sem querer espremer até a última gota de graça com a paródia, Heróis Fora de Órbita percebe que não há como não tirar sarro sem ser o próprio alvo e parte para a auto-gozação. Resultado: o filme passa de paródia a homenagem sem atingir os fãs do primeiro nem do segundo grupo. Não só culpa do roteiro esperto mas também do elenco mais cool que já juntaram numa comédia (Allen, Rickman e Weaver, encabeçando).

Minha próxima tentativa é O Virgem de 40 anos. Se não funcionar, volto outra década e lá, provavelmente, terei algo divertido pra assistir.

Heróis Fora de Órbita
Galaxy Quest, EUA, 1999
Direção: Dean Parisot
Elenco: Tim Allen, Sigourney Weaver, Alan Rickman, Tony Shalhoub, Sam Rockwell

segunda-feira, março 27, 2006

Clooney - Parte II

Boa Noite e Boa Sorte já é o filme mais eficiente do ano. Não são necessários mais do que 90 minutos para o produtor/roteirista/diretor George Clooney visitar a caça as bruxas promovida pelo senador McCarthy e questionar os aclamados valores americanos. Daquela época e de hoje também.

Sem exageros nem cair em armadilhas fáceis (principalmente no tratamento que dá ao protagonista, o âncora Edward R. Morrow), Clooney surpreende com a fotografia nada indicada para os nossos tempos – e por isso, belíssima –, adiciona música só quando ela é necessária e também acerta na construção do roteiro, que jamais se perde, graças a sua objetividade.

Rápido, duro e incisivo. Muito obrigado.

Boa Noite e Boa Sorte
Good luck and good night, EUA, 2005
Direção: George Clooney
Elenco: David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Ray Wise, Frank Langella, Jeff Daniels, George Clooney

sexta-feira, março 24, 2006

Clooney - Parte I

Syriana é rápido, tenso, bem interpretado e infelizmente, confuso demais. Talvez não de mais, a ponto de estragar toda a experiência, mas certamente dá um nó na cabeça do espectador com tantos conchavos, intrigas, agências, países (fictícios ou não) e velhinhos de cabeça branca (não faço idéia de quem era quem!).

O que acaba resultando num filme com ótimos elementos isolados, mas que não conseguem criar o resultado que poderia. Principalmente por estar neste novo levante (passageiro?) de denúncias hollydianas que quer ser menos dramático e mais prático, pensando mais num filme bom do que num discurso bom. Pena que não sobre muito espaço (nem tempo) pra deduzir ou pensar. Talvez pra se indignar.

Syriana - A Indústria do Petróleo
Syriana, EUA, 2005
Direção: Stephen Gaghan
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Amanda Peet, Nicholas Art, Luke Barnett

terça-feira, março 21, 2006

Num reino muito, muito distante...

Reis e Rainha é lindo, incrível. Sei que a pior maneira de dizer que um filme é ótimo é dizendo (só) que ele é ótimo. Mas no caso específico deste filme, talvez a melhor maneira de começar seja pelo resultado (um puta filme), já que dizer o porque é algo um pouco mais complicado.

Começa felizinho e despretensioso, com Moon River (lembra?) e a rainha Nora (Emmanuelle Devos, apaixonante), uma mulher que vai se casar em breve, pela terceira vez, tem um filho e uma inacreditável história a ser descoberta. Minutos após entra Ismael (Mathieu Amalric), tão ligado e necessário a história do filme e da própria Nora quanto inocente em seu começo.

É ao redor destes dois personagens que as histórias de ambos (mas não só deles) se desenrolam, numa mistura absurda que vai do intimismo a citações literárias, artísticas, filosóficas e vai saber mais o quê se passou por ali e não fui capaz de absorver, já que tudo é muito rápido, enérgico, mas sempre envolvente e encantador.

Arnauld Desplechin, o maluco na direção, não se intimida com a complexidade da história narrada nem com a complexidade das histórias de cada um dos personagens. Apela para tudo o que o cinema pode oferecer (e ainda usa o teatro), correndo o risco, inclusive, de ser exagerado e pretensioso.

Algo, que em raros casos no cinema, tem um bom resultado. Reis e Rainha é um bom exemplo.

Reis e Rainha
Róis et Reine, França, 2004
Direção: Arnauld Desplechin
Elenco: Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Catherine Deneuve, Maurice Garrel, Nathalie Boutefeu

domingo, março 19, 2006

Mesa redonda

Há uma classificação comum entre cinéfilos (ou mesmo pobres seres mortais que apenas gostam de filmes) chamada de “filme difícil”. Pode ser um filme difícil de entender, um filme difícil de engolir ou um filme difícil de achar. Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira, é um filme difícil de chegar ao final. Pena que ele seja justamente dependente do seu final pra conseguir ser um filme de fato, e não uma aula de história regada a discussões.

A dificuldade está justamente ligada a alma e proposta do filme: uma discussão (muita discussão, aliás) sobre a situação política-social global atual com a retomada histórica da formação das nações. Mesmo contando com ótimos momentos, como a discussão no jantar entre os passageiros do cruzeiro que dá direção ao filme – e ao flashback histórico –, Um Filme Falado torna-se decepcionante para quem espera fatos e ação para dar forma e fundamento a discussão, e não apenas a discussão.

É impactante no final, justamente pela seqüencial final, uma das melhores e mais corajosas dos últimos anos.

Um Filme Falado
Um Filme Falado, Portugal/França/Itália, 2003
Direção: Manoel de Oliveira
Elenco: Leonor Silveira, Filipa de Almeida, John Malkovich, Catherine Deneuve, Stefania Sandrelli, Irene Papas, Luís Miguel Cintra, Nikos Hatzopoulos.

quinta-feira, março 16, 2006

Quem se ferra

Em 2005, Spielberg demonstrou uma força e vigor impressionantes. Não só por ter rodado (e lançado) dois filmes, mas pelo resultado impressionante de ambos. Primeiro, foi Guerra dos Mundos, um remake que não deixou aquele gostinho amargo que outros têm deixado e que parece querer deixar o espectador zonzo com um ritmo e visual que deixam o homem longe daquela imagem de cinquentão. E depois, Munique.

Também impressionante pela estrutura, pelo ritmo (ponto fortíssimo da edição do veterano Kahl) – ainda que alguns minutos a menos para o filme cansaria um pouco menos – mas principalmente pela vontade de Spielberg em fugir do lugar comum a que seus filmes sempre caem na hora de definir os bandidos e os mocinhos. Ainda que o filme se preocupe em mostrar quem fez mal a quem, não parece ser a preocupação principal.

Munique pode ser “acusado” de ser um filme que Spielberg cutuca a própria raça, mas mais do que isso é o questionamento de toda a piração que existe em nome da religião, da pátria, do Estado e do amor. É uma simples questão de substituir os “porquês”, as “vítimas” e os “que buscam justiça”.

No meio disso, alguém sempre se ferra. E a destruição lenta e dolorosa do personagem de Eric Bana não poderia simbolizar melhor essa incompatibilidade entre o “social” e o “individual” (algo que sempre me persegue) e ilustrar como este baixinho ainda tem coisa pra mostrar.

Munique
Munique, EUA, 2005
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler

terça-feira, março 07, 2006

Non-standard

O Segredo de Brokeback Mountain é um jogo equilíbrio, algo comum aos trabalhos de Ang Lee. Um objetivo bem evidente dele, aliás, o de recuperar o equilíbrio abandonando com a má experiencia que foi Hulk. No filme, também todos os elementos estão em conflito e buscam equilibra-se. O tradicionalismo dos westerns com a polêmica homossexual, a sensibilidade do amor entre os protagonistas e o agressividade sexual (vi alguns rostos chocados), a certeza que o amor nasce em todos os lugares mas sobreviver é uma luta quase perdida...

E o mais triste em Brokeback Mountain (que é disparado uma das coisas mais tristes que vi no cinema nos últimos anos) é que o amor, tão celebrado e falado por todos que comentam o filme, principalmente a mídia, não é celebrado no filme. Pelo contrário, O Segredo de Brokeback Mountain quase coloca uma pedra sobre as possibilidades do amor non-standard.

Sim, é uma bela história sobre duas pessoas que se perceberam numa situação adversa, mas ainda assim ignoraram o medo e se permitiram (principalmente quando olhamos para o vaqueiro Jack). Mas também é uma história sobre o amor incompleto, que não teve coragem ou não teve permissões pra se completar (Ennie). E nada me deixa mais deprimido do que alguém falando que o amor, só o amor, não basta pra ser feliz.

Esse estrago que o filme causa é o tipo de sentimento masoquista que ainda me faz continuar a assistir filmes.

O Segredo de Brokeback Mountain
Brokeback Mountain, EUA, 2005
Direção: Ang Lee
Elenco: Jake Gyllenhaal, Heath Ledger, Michelle Williams, Anne Hathaway, Randy Quaid, Linda Cardellini, Anna Faris, Scott Michael

Também tem o Oscar... é... e o ganhador de melhor filme do Oscar... não posso deixar, ainda que já tenha me enchido com o assunto, de deixar algumas palavras curtas e rápidas sobre o belo "cala boca, viado" da Academia ao dar o prêmio para Crash - No Limite: mas que merda!

quinta-feira, março 02, 2006

Apelando

Com o contrato de hospedagem do antigo servidor vencido, o jeito é apelar para o BlogSpot, e perder mais de uma semana consertando links, reenviando imagens, redirecionando domínio, configurando sistema de comentários (todos os anteriores, aliás, foram perdidos). Volto em breve.

UPDATE: Alguém faz idéia de como ativar os

UPDATE 2: It's alive!.