





Não é preciso bola de cristal quando o óbvio está bem a nossa frente. E por mais que os produtores de LOST queiram, obvialidade parece ser o forte do programa. Veja o final da primeira temporada, por exemplo: era óbvio que não se responderia a todos os mistérios criados ao longo do ano, assim como era óbvio que isso desapontaria a maioria sedenta por some freak answers, que obviamente estará babando na frente da TV (ou do computador, depende) a partir de setembro, quando o ano II estreará.
De aposta arriscada para a temporada 2004-2005 dos seriados americanos, LOST passou para um hit com no mínimo seis anos, o que obrigou os produtores a espicharem um pouco as coisas. Segundo eles, nada que vá diminuir o impacto da história, que tem inúmeras possibilidades, grande potencial e criatividade de sobra. Claro que isso é segundo eles. Eles que também prometeram responder a alguns mistérios quando o episódio de número 24 (com uma hora e meia, mas que bem editado caberia em 45 minutos como qualquer outro) foi ao ar no fim de maio lá pelas terras ianques (e “distribuído” pela Internet para todo o mundo).
Ok, é preciso ser justo com o pessoal de LOST: sim, eles cumpriram com a promessa e responderam alguns mistérios. Mas também não sejamos idiotas: responder com outra pergunta não vale! Quem já viu (quem não, é melhor não continuar a ler este parágrafo) sabe que a tal escotilha é um túnel (mas pra onde?); sabe que o Lostzilla (apelido carinho do bicho/monstro/máquina que vira e mexe persegue algum personagem) é um sistema de segurança da ilha (controlado por quem?); sabe que a Black Rock é na verdade um galeão, naufragado no meio da ilha (como diabos isso foi parar lá?) e sabe que “os outros” realmente existem (quem...? enfim, vocês entenderam).
A mim até que não incomoda muito, já que nunca levei o programa muito além de diversão. E neste caso ele é perfeito. Virou mania, entrou no meio das conversas de bares, ganhou capas, tem sites, blogs e fóruns na Internet (www.lostbrasil.com) . O problema, que incomoda um pouco, é que ás vezes LOST tenta ser mais do que isso. Tanto que se define como um seriado de drama, e não de aventura, ficção-científica ou ação.
Uma opção que quando funciona rende excelentes episódios – Walkabout e Deus Ex-Machina, por exemplo, ambos episódios flashbacks da vida do enigmático John Locke – e quando não, fica na tentativa de criar algo impactante (Whatever may the case be, com a amada e odiada Kate). E claro, também há espaço para o dramalhão óbvio e tipicamente americano, que aposta nas lágrimas (o manteiga aqui chegou a soluçar), como em Do No Harm, em que um dos personagens principais morre enquanto uma criança nasce.
Como eu disse, a obvialidade impera. E a sutileza perderá cada vez mais
espaço ao passo que respostas forem cobradas. Para o segundo ano prometeram
menos enrolação com os mistérios atuais: vários
serão respondidos. Mas também prometeram vários novos.
Neste caso, o óbvio mesmo é que qualquer coisa será feita
para o programa continuar em alta.
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