quinta-feira, janeiro 12, 2006

Exato: no limite...

Filmes com painéis de personagens seguem uma fórmula bem rígida. É quase obrigatório que estes personagens sejam interligados, que haja uma motivação comum entre eles (ou pelo menos núcleos com tais motivações comuns) e que, dentre a diversidade destes, haja algo que seja universal, ou seja, várias diferenças que querem evidenciar as igualdades.

Crash - No Limite, primeira direção de Paul Haggis, segue a cartilha a risca e toma o racismo como tema de ligação entre seus personagens. Para um país em que esta questão é tão complexa e diária (cinco minutos morando nos EUA, e uma amiga deu-me uma lista com cinco justificativas para se odiar negros naquele país), o filme de Haggis poderia ser considerado audacioso e válido.

Isso se ele, também roteirista do filme, não criasse seus personagens e as situações as quais estes personagens são submetidos seguindo uma fórmula tão simples e ingênua. Os bonzinhos são corruptíveis, os malvados podem se regenerar, as vítimas são os inocentes...

Duas horas para evidenciar o óbvio ou, pior do que isso, duas horas usando estereótipos e situações exageradamente coincidentes para afirmar que todos estão sujeitos a cometer algum erro, ou que todos deveriam não julgar, ou que todos têm uma segunda chance, ou que todos têm os seus motivos ou que todo filme pretensioso corre esse risco mesmo.

Enfim, não entendi tudo o que viram neste filme...

Crash - No Limite
Crash, EUA, 2005
Direção: Paul Haggis
Elenco: Karina Arroyave, Dato Bakhtadze, Sandra Bullock, Don Cheadle, Art Chudabala, Tony Danza, Keith David, Loretta Devine

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