quarta-feira, dezembro 28, 2005

Versão 2.006

Antes que eu seja acusado de sumir novamente (o que seria absolutamente compreensível e aceitável), gostaria de dizer que estou off-line mesmo... Mudamos de prédio e ainda não foi possível conectar todas as conexões (aham, isso mesmo, este período me deixa assim). Consegui ver filmes ruins (Penetras Bons de Bico), bons (Senhor da Guerra) e ótimos (A History of Violence), tudo pronto e escrito, só falta publicar. E muito provavelmente vejo King Kong neste fim de semana.

Mais um ano completo, outro novo chegando. A todos os amigos (e conhecidos ou só visitantes), meus melhores desejos de felicidades e algumas poucas infelicidades também, afinal, crescer é preciso.

Abraço a todos.

terça-feira, dezembro 20, 2005

De quem é a culpa?

Não sou o maior fã de Will Smith, mas também não desprezo o rapaz. Na verdade, acho que desprezo, sim! A lista de filmes que ele estrelou que acaba de passar pela minha cabeça agora me deixou preocupado (Independence Day, Bad Boys, James West, MIB). Ok, desprezo Will Smith. Melhor aceitar isso antes que eu coloque toda a culpa de Hitch – Conselheiro Amoroso perder o prumo no rapaz.

E mesmo que ele interprete um sujeitinho insuportável (da maneira mais insuportável que provavelmente só ele, o desprezível Will Smith, poderia interpretar) é preciso ver que a culpa pelo filme se tornar apenas mais um é do roteiro, que precisa seguir a cartilha obrigatória das comédias românticas ao inserir um conflito que mata a graça do filme.

E a graça nem vinha do astro (nem quero pensar que houve aí uma questão egóica), mas do gordinho simpático e apaixonado. Tá, precisamos admitir que gordinhos simpáticos mostrando como são ótimos bailarinos não é exatamente a coisa mais original no cinema, mas estava salvando o filme.

No final, acabou sendo só mais uma propaganda ridícula de como os homens poderiam ser com as mulheres, de como as mulheres nunca serão tratadas (será que elas querem mesmo?) e de como é possível perder tempo assistindo a um filme bobo e nem sequer deixar de notar isso.

Hitch - Conselheiro Amoroso
Hitch, EUA, 2005.
Direção: Andy Tennant
Elenco: Will Smith, Eva Mendes, Kevin James, Amber Valetta, Julie Anne Emery, Robinne Lee

Também tem O Jardineiro Fiel, sobre a qual finalmente poderia colocar as mãos e ver do que se trata... depois disso só vai faltar Crash e Brokeback Mountain.

domingo, dezembro 18, 2005

Adolescência esprimida

O Cálice de Fogo já foi eleito o melhor dos quatro filmes da série Harry Potter. Não sei exatamente quais foram os parâmetros que os eleitores (alguns apontam a crítica, outros o público, há quem ache que tenha sido ambos) usaram para tal. O Prisioneiro de Azkaban ainda continua sendo o mais interessante pra mim por estar mais preocupado com o trio protagonista do que com toda a ação que impera no quarto filme.

Algo que não é culpa do diretor Mike Newell. Lembro da minha decepção ao ler o livro há alguns anos quando percebi que a autora J. K. Rowling voltou pra mesma linha aventuresca dos dois primeiros livros, apelando apenas para os dilemas da adolescência que acompanham os garotos e garotas de Hogwarts. E ainda havia a dificuldade que seria adaptar pro cinema, em que provavelmente a ação ganharia espaço sobre o restante.

Não se transformou numa catástrofe. O Cálice de Fogo tem a produção espetacular e esperada de um filme da série, um tom sombrio adequado (mas longe daquele delicioso que imperava em O Prisioneiro de Azkaban) e três grandes sequências de ação (exatamente aquelas do torneio tribuxo, uma bobagem tão grande que nem as mais de 400 páginas do livro conseguem explicar direito) que espremem em alguns poucos minutos algumas partes dignas de memória.

A preocupação com o baile, a paixão bobinha (tão bobinha que dói) de Harry, o estouro de Hermione por não ser vista como uma garota pelos amigos (Emma Watson está a ponto de ganhar minha cumplicidade) e, obviamente, o ato final, em que Voldermont volta a vida e cria um dos melhores momentos do livro e do filme. Momentos que salvam o filme de só mais um filme de aventura.

O mais "divertido" agora é que não li o quinto e o sexto livro e, portanto, não faço idéia do que esperar para os próximos filmes.

Harry Potter e o Cálice de Fogo
Harry Potter and the Goblet of Fire, EUA, 2005.
Direção: Mike Newell
Elenco: Daniel Radcliffe, Emma Watson, Rupert Grint, Robert Pattinson, Jason Isaacs, Robert Hardy, Roger Lloyd-Pack e Ralph Finnes

Também tem a ansiedade para ver King Kong, que tem me deixado doido com os trailers, material promocional e críticas e comentários... To doido pra ver tudo aquilo misturado e ver se realmente o título de casal do ano já tem dono.

30 dias depois...

Juro que estou tentando, mas t� dif�cil entender exatamente o que est� acontecendo.

Enquanto isso, vale a pena dar uma conferida na primeira vota��o dos melhores por d�cada, realizada pela Liga dos Blogues Cinematogr�ficos. 30 filmes foram elegidos por 43 votantes como os melhores da d�cada de 90. Para conferir, clique aqui!

Tenho visto poucos filmes. Que estrearam no cinema, no �ltimo m�s, apenas Harry Potter (que tentarei postar alguma coisa hoje), e alguns locados. Destes, alguns velhos, outros novos, mas n�o t�o novos. Tentarei postar tamb�m alguma coisa sobre eles, pra ver se assim, recupero o gosto e a frequ�ncia de antes.

Abra�o a todos

domingo, novembro 06, 2005

Além de perseguições e sangue...

É muito fácil errar um filme. Motivo pra uma produção promissora (ou não) virar uma cáca de proporções épicas não falta. O que fica difícil entender é porque algum filme em específico foi cair na danação eterna. O caso de Mad Max 3 não poderia ser um exemplo melhor.

O primeiro filme foi muito bom, pegou a maioria de surpresa, tinha um probleminha aqui, outro ali. Nada que não pudesse ser corrigido no segundo, que não é nada “mais” que o primeiro. Na verdade, Mad Max 2 planifica um pouco as coisas, as motivações, os personagens e se auto-firma orgulho que é um violento e vigoroso filme de ação pós-apocalíptico.

O que fazer no terceiro? Encher o filme de pretensão. E nada pode ser mais perigoso pra um filme do que pretensão. Até eu sei disso. Quem parece que não sabia era o pai da criança, George Miller. Responsável pelos dois primeiros e por este também, Miller que (pasmem) contou com a ajuda de Terry Hayes no roteiro e de George Ogilvie na direção, quis fazer demais. Abandonou a narrativa rápida e a violência pra fazer um filme de esperança e metáforas sobre o recomeço.

Não que a esperança no recomeço seja algo ruim. Eu tenho muitas esperanças, principalmente que coisas podem ser recomeçadas. O que não tenho é paciência pra agüentar a narrativa fragmentada, os exageros nos clichês, o figurino amalucado (o que diabos é aquela boneca pendurada no cara???), o excesso de virilhas e a Tia Tina Turner atuando. Só não fica muito, muito pior porque a obrigatória perseguição final da série me fez rir mais do que qualquer filme de comédia deste ano. Pena que Mad Max 3 não seja uma comédia.

Mad Max Além da Cúpula do Trovão
Mad Max Beyond Thunderdrome, EUA, 1985.
Direção: George Miller e George Ogilvie
Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Adam Cockburn, Tina Turner, Frank Thring, Angelo Rossitto

Também tem a minha inexplicável incompetência em assistir filmes recentes... Perdi todas as possibilidades possíveis. Talvez ainda não tenha me recuperado do furacão que foi o último semestre da faculdade. Ou talvez seja a quantidade de filmes que não me atraem nem um pouco chegando aos cinemas. De qualquer maneira, tentarei conferir algumas novidades nesta semana.

segunda-feira, outubro 24, 2005

Era uma vez...

Ainda não estou certo se gosto ou desgosto de Monty Phyton. Talvez precise assistir mais filmes deles, tentar encontrar mais material, revirar a Internet, vasculhar o e-mule, congestionar a rede local da empresa com as múltiplas conexões do torrent. Ou talvez eu simplesmente não tenha caído nas graças do humor ácido e exagerado do grupo. O certo mesmo é que do Terry Gilliam, ah sim, desse gosto demais.

Os 12 Macacos é dos meus filminhos-filmão preferidos, mas parece que não tinha a grana que Gilliam precisava pra ser espetacular. Já que grana parece não ter sido o problema dessa vez, Gilliam caprichou no visual e efeitos e entregou um dos melhores blockbusters do ano logo depois da temporada dos blockbusters acabar. Não espetacular. Mas pelo jeito, ainda não espetacular.

Além do designe de produção perfeita – impossível não entrar no clima do filme –, Os Irmãos Grimm ainda conta com dois trunfos. O primeiro é a dupla Matt Damon e Heathe Ledger, principalmente este último, tão bem que não faz ninguém perguntar onde diabos está Mônica Bellucci (que nem sei o que está fazendo ali). E o segundo trunfo é de outra dupla: o diretor Gilliam e o roteirista Ehren Kruger.

Caminhando entre os contos de fadas e a realidade como se fosse a coisa mais fácil do mundo, Gilliam ainda acha tempo pra fazer graça (coisa rápida, nada muito elaborado e longe de exagerado). Mas o ex-Phyton não passa de comparsa – assim como os irmãos do filme são – de Kruger, que entregou um roteiro tão bacana que até o obrigatório “e viveram felizes para sempre” fica certinho.

Os Irmãos Grimm
The Brothers Grimm, EUA, 2005.
Direção: Terry Gilliam
Elenco: Matt Damon, Heath Ledger, Mackenzie Crook, Richard Ridings, Peter Stormare, Julian Bleach,

Também tem a vitória do Não no referendo. Apenas mais uma prova de que o povo brasileiro não consegue perder a mania de fazer merda na frente de uma urna, que marketing é o segredo para tudo (algo que vale tanto para um lado quanto para outro) e que este é um país no mínimo 70% hipócrita, já que gosta de se auto-proclamar um país cristão. Acreditar no tal de JC e aprovar a idéia das pessoas poderem carregar armas é uma ótima prova de amor ao próximo e confiança na justiça divina. Ridículo, o chamado de ateu aqui pregando o evangelho. Vou pra casa.

domingo, outubro 02, 2005

Só funciona se você acreditar...

Não sabia absolutamente nada sobre A Chave Mestra antes de entrar na sessão. Provável culpa minha, mas desta maneira não conseguia saber sobre o que filme trataria, não tinha qualquer expectativa e não tinha também nem um pingo de bom humor pra ajudar o lado do filme. Foi o rapaz da portaria do cinema que alertou, “É um filme de terror. Muito bom!”. Revirei os olhos assim que ele virou o rosto e me benzi antes de entrar na sala.

Do mesmo jeito que o filme não fazia grande diferença antes de assisti-lo, não fez depois. Ainda que fugindo do maldito estilozinho que tem ditado as regras para filmes de terror nos últimos anos – este aqui é protagonizado por uma só gostosona –, A Chave Mestra não consegue em momento algum dar-lhe algo que faça a diferença. Tudo está certinho, trilha sonora, design de produção, até atuações. Mas nada faz diferença.

Quem se deu ao trabalho de prestar atenção – e acredite, perdeu um tempo precioso da vida fazendo isso – matou a “charada” do filme já no meio da projeção e a partir daí, não se preocupou muito com o que vinha pela frente. Quem não matou foi obrigado a ver os “bandidos” revelados do jeitinho mais boboca e especializado que Hollywood tem: perseguindo a mocinha como se fosse uma brincadeira sádica, e não questão de vida ou morte.

O finalzinho – bem “inho” mesmo, últimos dois minutos – aliado ao final de Água Negra, parece que vem determinar aí uma nova tendência dos filmes de terror. Algo bom, mas precisa ser só no finalzinho?

A Chave Mestra
The Skeleton Key, EUA, 2005.
Direção: Iaian Softley
Elenco: Kate Hudson, Gena Rowlands, John Hurt, Peter Sarsgaard, Joy Bryant, Maxine Barnett

Também tem a dica do Pablo Villaça de um trailer feito para a clássica versão de o O Iluminado, só que adaptado para um gênero diferente. Assistam e me digam depois se os trailers não deveriam ser banidos da face da terra!

segunda-feira, setembro 26, 2005

Vivos e mortos

Primeira grande coisa que assistir Terra dos Mortos me fez querer: ver os outros filmes de George Romero (já tentei antes, mas pelo jeito só e-mule resolverá). Tô doido pra ver como Romero filmava há vinte anos e como isso era - ou não - diferente do que foi com este seu novo trabalho, já que Terra dos Mortos não parece um filme deslocado.

Na verdade acho que falei uma grande bobagem porque acabo de me lembrar de outra bobagem feita há pouco: Madrugada dos Mortos, filminho promissor no começo mas vazio e preocupado com cabeças explodindo na maior parte do tempo. Corrigindo: Romero e seu filme estão deslocados sim, assim como estão seus mortos e seus vivos, todos buscando onde diabos se encaixam naquela (ou nessa) merda toda.

E tão explícito quanto tripas rasgadas está a vontade do diretor em deixar claro quem é o grande bandido da história. Coisa que nos deixa a vontade pra torcer pelos zumbis, j� que mortos parece melhor representar com mais fidelidade o que sobrou na maioria de nós.

O melhor em Terra dos Mortos é essa capacidade de estar usando de algo grotesco, exagerado e graficamente perturbador na maior do tempo e ser tão rotineiro, tão "não há um grande evento acontecendo". É só a vida (ou a morte) seguindo seu curso. E nada melhor do que ter alguém realmente capaz e sensível - e não um moleque que adora seu Playstation - no comando para saber quando é preciso mostrar a barriga de um cara sendo aberta em close e quando a simples imagem de inúmeros zumbis ajoelhados sobre possíveis vítimas será o suficiente para causar efeito.

Não é a maravilha espetacular que eu estava esperando ver - ou talvez seja mais correto que não é AINDA a maravilha espetacular que eu estava esperando ver. Filmes como estes nunca me pegam de imediato, eles preferem ficar lá no fundo da cabeça repetindo, repetindo, repetindo... e exigindo que sejam reassistidos.

Terra dos Mortos (pode alcançar o nível de clássico fácil, muito fácil)
Land of the Dead, EUA, 2005.
Direção: George Romero
Elenco: Simon Baker, John Leguizamo, Dennis Hopper, Asia Argento, Robert Joy, Tony Nappo, Shawn Roberts (Mike)

sábado, setembro 17, 2005

A beleza dos americanos

Já são seis anos desde que a crítica americana se rendeu aos encantos do filme do estreante Sam Mendes. Encantos que, pelo menos para mim, pareciam maiores naquela época, quando foi chamado de uma autocrítica ousada e cínica daquela sociedade. Hoje, ainda gostando muito do que vejo, Beleza Americana soa mais como mais uma oportunidade dos americanos se mostrarem.

Sou fã de Alan Ball. Não tanto por esta sua cria cinematográfica, mas principalmente por outra que nasceu para a TV, Six Feet Under (ou A Sete Palmos, como foi batizada em alguns canais por aqui). Seguindo a mesma linha “vamos mostrar como não somos tão bonitos quanto a TV mostra”, o seriado se preocupa menos em safar seus personagens – ainda que eu não tenha visto todas as temporadas – e se mostra muito menos soft com o público.

No filme, seja porque queria pegar mais leve ou porque sabia que muitas pessoas mais além dos próprios americanos iriam assistir (ou também porque acordou num dia mais feliz), Ball desacelera na reta final. Mata seu personagem principal a sangue frio, mas não deixar de fazer disso a coisa mais bonita do filme. Transforma tudo num “nós somos um povo desgraçado, mas temos fucking sentimentos”.

Nesta briga entre o profundo e reflexivo e puro egocentrismo, ainda há Sam Mendes disposto transformar o filme numa coisa bela, de encher os olhos, de partir o coração e de fazer pensar. Acerta muito na primeira. O restante convence só a quem adorar auto-piedade. Incrível como cinco anos podem fazer tanta diferença. Resta saber se foi ao filme ou a mim.

Beleza Americana
American Beauty, EUA, 1999.
Direção: Sam Mendes
Elenco: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Chris Cooper

terça-feira, setembro 13, 2005

Nem sim, nem não

Água Negra tem muitos acertos. O maior deles é a decisão do diretor Walter Salles de preferir o drama, um quase terror-psicológico, para dar tom ao filme ao invés de apelar para a linha de terror de chamados e gritos da vida, um tipo de terror que já deu o que tinha que dar. Ou melhor: que nunca deu nada de muito bom.

O resultado é um filme angustiante que funciona por muito tempo. Não quer dizer logo se a mãe que se muda para um prédio assustador com moradores assustadores e antigos inquilinos assustadores – tudo herança do filme original para justificar o enquadramento no gênero terror – está vendo coisas ou se ela realmente tem algo para se preocupar.

Mas como eu disse, funciona por um tempo. Tempo até demais, o que conta a favor do diretor. Bem próximo ao final, Água Negra começa a te fazer pensar até quando ficaremos naquela, e olhar para o relógio é involuntário. E filme algum resiste a impaciência de saber quando chegaremos ao final. Mesmo que seja um final no mínimo inesperado, como o de Água Negra.

Mesmo reafirmando bom número de acertos que apontei lá no começo – Connelly está bem, a fotografia perfeita, o cuidado com enquadramentos – não consigo pensar no filme como algo que eu tenha gostado. Não desgostei também. Mas filme que não se gosta, mas também não se desgosta, eu dispenso

Água Negra
Dark Water, EUA, 2005.
Direção: Walter Salles
Elenco: Jennifer Connelly, John C. Reilly, Tim Roth, Dougray, Pete Postlethwaite, Ariel Gade

Também tem Ang Lee levando o Leão de Ouro pelo seu Brokeback Mountain. A história de amor de dois vaqueiros que durou mais de vinte anos conquistou o juri e tem prometido, ao lado de Elizabethtown, varrer festivais por aí.

segunda-feira, setembro 12, 2005

A Ilha

Não sei exatamente em que momento que me convenceram de que a primeira metade de A Ilha tinha algum conteúdo. Provável culpa minha, já que deveria ter entendido que algum conteúdo. Isso é um filme de Michael Bay, ora . Mas daí a já dar créditos ao rapaz, é um exagero.

E nada combina melhor com Bay do que exagero. Até quando o infeliz tá só contando que alguns milhares de homens e mulheres estão vivendo numa colônia a espera de serem levados para um paraíso e dois deles descobrem que há mais por trás disso – acabei de resumir a tal parte com conteúdo do filme – Bay se esforça até o último segundo de câmera lenta para ser brilhante. Ou convencer que é. Quando ele grita "missão cumprida, agora vamos para a parte de ação" e resolve derrubar os protagonistas de mais de dezessete andares e nem riscar o rostinho bonito deles passamos a vez. Se bem que não enoja como aconteceu com os defuntos voando no último filme dele.

Nem a beleza visual de A Ilha – e digo que gostei bastante da cara do filme – resiste a quantidade de seqüências em que a câmera circunda um personagem, abre o plano enquanto é suspensa ou então força um close ao som denunciante da trilha de sonora de que “Oh! Algo está acontecendo! Presta atenção!”. O filme só não perde na quantidade de câmeras lentas para outra bomba, A Paixão de Cristo.

E mais do que câmeras lentas, A Ilha tem merchandising. A infinidade de marcas e empresas aproveitando o momento para vender seus produtos manda pelo ralo o já superficial discurso que o filme tenta emplacar de luta pela vida e pela não coisificação do ser humano e faz dele nada mais do que isso, um produto. Será que foi involuntário ou de propósito? Nem vou dormir essa noite...

A Ilha
The Islaind, EUA, 2005.
Direção: Michael Bay
Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Sean Bean, Djimon Hounsou, Steve Buscemi; Michael Clarke Duncan (em figuração de luxo)

terça-feira, setembro 06, 2005

Cumprindo promessas

Para cumprir com a promessa de atualizar periodicamente o blog e não deixar que ele morra como da última vez, cá estou. Mesmo que sem nada de importante pra dizer. E quando é que tenho alguma coisa de importante pra dizer, ora essa! Enfim, estou na provável pior semana do semestre (preciso convencer duas professoras de que posso dar aulas de Português e Inglês com quatorze planos de aula para sexta-feira) e com isso tenho visto muitos poucos filmes... Ah, claro, o post:

  • Como muitos disseram ser obrigatório, fui rever Sin City - Cidade do Pecado no cinema, na tela grande, no ambiente a qual de fato ele foi concebido e destinado ... e não mudou nada. O filme continua longo, cansativo e com pretensão equivocada. E a irritação causada pelas intenções e pretensões de Rodriguez (em traduzir mundos) cada vez mais dá espaço a certeza simples de que o filme é fraco mesmo.
  • Saiu no jornal O Povo, do Ceará, uma matéria sobre blogs de cinema em que vários blogueiros, eu inclusive, foram entrevistados. A versão on-line pode ser lida aqui. Mas vem cá: sou realmente irônico?!
  • Ainda não consegui ver A Ilha, que estreou há uma semana por aqui. Por mais que reclamem, estou interessado em ver o filme. Talvez amanhã, se terminar os tais planos de aula.
  • Estou com um post pendente de Alias para publicar, assim como ainda tenho que assistir toda a terceira e quarta temporada. Também tô com Nip/Tuck nas mãos (primeira temporada) e nada de tempo.
  • Relatórios da CPI são concluídos, novos escândalos são iniciados (o ciclo nunca termina), os EUA prova que só sabe cantar de galo no terreiro do vizinho, aviões caem (aqui cai um bimotor e um bebê de sete dias sobrevive), amanhã comemoramos a "independência da nação" e a única coisa de realmente interessante (pra mim, veja bem) pra dizer é que descobri a tequila. E gostei muito.
  • Quanta inutilidade. Semana que vem tento fazer alguma coisa de verdade.

    quarta-feira, agosto 24, 2005

    Mad Mel

    Do tempo em que Mel Gibson era um jovem e bonito rapaz, livre de seus clássicos trejeitos interpretativos e (aparentemente) sem a intenção de usar o cinema para levar uma mensagem de fé às salas de projeção de todo o mundo (ou, ao meu ver, cometer o maior atentado feito em nome de algum deus dos últimos tempos, que só perde para a guerra do Bush), Mad Max é menos um filme sobre violência, como gostam de afirmar, e mais um filme sobre como esta violência começou a chamar a atenção, começou a ficar "bonita" na telona.

    Violência e maldade. Maldade por pura maldade, personificada nas gangues de auto-estradas, e a maldade amparada pela bondade legitimada pela vingança, personificada no bom - policial - competente - que- perde - a - família - barbaramente. Com menos violência explícita do que qualquer nascido depois do último filme da trilogia ter sido produzido (1985) possa esperar – como nos insuportáveis filmes que tanto querem impressionar hoje – Mad Max não parece estar preocupado com qualquer leitura que possa ser feita. É só um filme sobre mocinhos atrás de bandidos malvados.

    O primeiro, dirigido por George Miller em 1979, ainda perde algum tempo justificando toda a raiva do protagonista Max - e porque se tornará o Mad - se vingando dos assassinos de sua família (imortalizada na sequência do sapatinho do moleque rolando no asfalto). Um desperdício de tempo que Miller corrigiu no filme seguinte, rodado em 1981, em que sequer dá boas justificativas para as atitudes dos personagens: são todos insanos, desesperados e cada um merece viver menos que o outro.

    Tanto que destrói o mundo civilizado em cinco minutos narrados em off logo no começo para que o visual pós-apocalíptico se justifique. Com melhor ritmo, mais ação e adrenalina, e menos preocupação com “porquês” e “senãos”, Mad Max 2 se aproxima mais de pesadelo do que o primeiro, mas também faz rir bastante. Talvez poucos filmes consigam representar em imagens toda essa época perdida de reviravoltas e confusão (na política, na música, na literatura, no cinema, no sexo, que juro tentar entender) e tão poucos cumpram a função de aliviar as neuras de quem é doido pra socar os bandidos que vê na TV (ou na porta do carro).

    Mad Max
    Mad Max, Austrália, 1979.
    Direção: George Miller
    Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne, Steve Bisley

    Mad Max 2 - A Caçada Continua
    Mad Max 2, Austrália, 1981.
    Direção: George Miller
    Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Michael Preston, Max Phipps, Vernon Wells

    Também tem o terceiro, rodado em 1985, o Além da Cúpula do Trovão, que ninguém do grupinho que conferia os filmes teve coragem de assistir mesmo. Ainda mais quando confirmaram que a música We Don't Need Another Hero (nem sei se é esse o nome da música de Tina Turner, mas esse refrão ficou memorável graças as chamadas criadas pela Globo) não toca durante o filme, desisti também...

    segunda-feira, agosto 22, 2005

    Diversão garantida... por meia hora

    A vontade de falar (ou escrever) sobre Madagascar é tão grande quanto a vontade que eu tinha de ver Madagascar, tamanha a empolgação com que o filme foi recebido. Segundo grande senão da geração de animações por computadores da Dreamworks – não assisti até hoje O Espanta Tubarões – o filme mostra que é só uma questão de tempo até a falta de criatividade e burocracia chegar ao mundo digital também, assim como chegou ao de papel e lápis.

    Uma aventura frustrada que deveria ter preferido ficar no campo da simples comédia de situações, Madagascar quis ser demais. Foi pra selva, evocou os instintos animais, abusou das piadas físicas, se rendeu a tentação de bichinhos fofinhos e, por fim, caiu no desespero de terminar tudo muito rápido. Nem a ótima meia hora inicial ou as referências cinematográficas perdidas pelo meio do filme conseguem segurar por muito tempo o sorriso forçado na cara.

    E é apenas nesta nessa meia hora inicial que há mais o que falar (bem) sobre o filme, graças a presença dos hilários pingüins e seus planos perfeitos para fugirem do mundo não natural do zoológico. A equipe de produção de Madagascar deve ter sofrido - é só uma suposição - uma crise quando perceberam que a história destes pingüins seria muito mais interessante e divertida do que o quarteto principal, ainda mais com a chatice da girafa hipocondríaca, que só não é mais chata do que os lêmures e seu rei boboca. Daí a boboquice contaminar todo restante do filme foi questão de minutos.

    Pior para a Dreamworks, que até agora só fez dois Shreks bons de verdade, e muito melhor para a concorrente Pixar, que não errou um filme e anda até esnobando estúdios que querem distribuir seus filmes.

    Madagascar
    Madagascar, EUA, 2005.
    Direção: Eric Darnell e Tom McGrath
    Elenco: Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett Smith, Sacha Baron Cohen (mas só pros sortudos que puderam acompanhar o filme legendado)

    segunda-feira, agosto 15, 2005

    Dando um desconto

    Quarteto Fantástico é um filme desconto. Você dá um desconto por ser um filme de super-heróis e conseqüentemente, refém de uma determinada fórmula; dá outro desconto por ser baseado em HQs, e por mais que você já esteja de saco cheio disso, uma vez ou outra dá um bom filme; um terceiro desconto é dado por ser um filme assumidamente diversão, sem pretensões bíblicas, um típico Sessão da Tarde, como já foi chamado; e o desconto final, de uns 50%, você dá porque é o primeiro do que poderá ser uma série, tem que desenvolver personagens, tem que ter uns porquês, tem que ter gancho...

    Você dá tanto desconto – quase todos “justificáveis” – enquanto Quarteto Fantástico vai passando que no final você acaba percebendo que assistiu a um filme pela qual não pagou. E pagou muito, muito caro. No desespero de ser um filme livre de grandes exigências, Tim Story e o roteiro de Michael France e Mark Barnathan exageram nas tentativas de fazer graça. Enquanto caminha para a metade da projeção, percorre uma linha tênue entre engraçadinho e patético. Depois disso, descamba para um lado só, e não é para o melhor dos lados.

    Herança dos quadrinhos? Bela desculpa. Assim como todas as outras desculpas que tentam fazer do filme algo menos exigível. E o pior de tudo, é que como um produto pouco exigível, Quarteto Fantástico está perfeito. Um caso estranho de bem-sucedido filme porcaria. E que parece agradar bastante, a contar pela empolgação de quem sai da sala com um sorrisão no rosto.

    Porém, se você não consegue ignorar furos horríveis no roteiro – o genial Reed foi até o espaço pra pegar a tal nuvem e cinco minutos depois constrói uma máquina capaz de fazer a mesma coisa –, não consegue rir das piadinhas óbvias, não consegue acreditar num maldito homem de pedra (juro que tentei!) e não consegue se emocionar cada vez que a música (horrível, aliás) sobe e um personagem se redime, procure aquela versão maldita de Roger Corman (1994), que pelo menos não usa a desculpa esfarrapada de “filme diversão”.

    Quarteto Fantástico
    Fantastic Four, EUA, 2005.
    Direção: Tim Story
    Elenco: Ioan Gruffudd, Michael Chiklis, Jessica Alba, Chris Evans, Julian McMahon

    Também tem o desespero de descobrir que a única cópia do filme que veio para minha querida cidade é dublada. Será que isso poderia ter alguma influência sobre a minha decepção com o filme? Nããããaooo....

    quarta-feira, agosto 10, 2005

    Filme de Amor e filme de Sexo

    Separados por 22 anos, dois filmes de momentos diferentes do cinema nacional, feitos para públicos diferentes, com duas intenções totalmente diferentes. Como Fazer um Filme de Amor (2004), de José Roberto Torero - como o próprio título sugere - mostra como fazer (e também ser) um filme romântico padrão. Já Luz Del Fuego, de David Neves (1982) - também denunciado pelo título óbvio - é a história real de uma mulher sexy e despudorada e suas jogadas que a colocaram como uma das maiores vedetes dos 50 e 60 no Brasil. Fácil apontar: um filme de amor e um filme de sexo.

    O intencional, no entanto, toma outros rumos enquanto cada um dos dois filmes se desenrola, e tanto para uma como para a outra produção, estamos ao final pensando muito sobre como os filmes são aquilo que não pareciam ser antes de começar (hein?!). Pior para Como Fazer um Filme de Amor, já que é ele quem desaponta se transformando num filminho fraco, aquém de suas possibilidades e assumidamente interesseiro. Justamente o que parecia ser o mais fácil.

    Misturar um exercício metalingüístico a clichês de um gênero definido e popular como a comédia romântica, apesar de não ser original, era uma boa idéia. Construir o filme escolhendo desde os personagens até as situações clichês era uma boa idéia. Um narrador engraçadinho sugerindo, consertando e apurrinhando os personagens também era uma boa idéia. Mas Como Fazer um Filme de Amor é mais uma boa idéia do que um bom filme.

    Faltou ao diretor abraçar e acreditar mais na sua idéia, melhorar o timing de suas piadas, gritar para alguns atores entrarem no clima, poxa! Marisa Orth, afetadíssima, é a um única que agrada de verdade, assume o estereótipo que sua personagem má pede e parece encaixada no filme. O convite a Paulo José para o papel de narrador também é equivocado já que demora para o ator ser simpático com seu vozeirão meio baba ovo.

    Salvando-se algumas piadas pelo meio do caminho, como a seqüência da primeira vez do casal e a falação do narrador enquanto os créditos sobem, Como Fazer um Filme de Amor passa longe de ser um filme de amor. No máximo uma enganação comercial simpática. O narrador diz ao final que todos os filmes, inclusive este, não passam de tentativas para tirar o dinheiro do público. Outra piada que não teve a menor graça.

    Já Luz Del Fuego vem lá dos longínquos anos 80, em que a nudez parecia palavra de ordem e que tenho como missão, entender o que seu período de produção cinematográfica significou. A abertura, com Lucélia Santos nua, trouxe rápido a afirmação que passei minha infância e adolescência ouvindo: filme nacional só tem putaria e mulher pelada. Luz Del Fuego confirma isso, mas de uma maneira que me pegou de surpresa.

    A nudez da personagem título interpretada por Lucélia Santos - vestida em três ou quatro cenas no máximo - ganha com o tempo a justificativa naturalista. Mas é ao redor desta nudez que cresce o que há de limpo e belo no filme, e fora dele também. Atacando a falta de pudor de Luz aparecem os grupos de proteção a família, de proteção aos valores, de proteção aos animais (!) em programas no melhor estilo Superpop.

    Se a parte da “mulher pelada” em Luz Del Fuego já tem um grande senão, a parte da “putaria” acaba se tornando o grande senão. O sexo, algo no mínimo esperado com tantos corpos a mostra, só aparece quando há um casal apaixonado. Forçado? Pode ser, Luz não era santa, nem queria ser. Mas estava rodeado de santos. Políticos, delegados e autoridades, senhoras de família e imprensa, todos os seguimentos que representam as instituições deste país são justamente a grande putaria. De antes e de hoje.

    Mesmo sendo de outra época, como não traçar um paralelo entre toda a sujeira do filme e toda a sujeira que estampa os jornais hoje, em que acordos são “descobertos” e expostos como se fossem uma grande novidade? O mundo bonito e engravatado, representante dos valores, usa os discursos que todos sabem ser uma grande bobagem, mas todos se horrorizam e colocam a culpa no sexo e na nudez.

    Conclusão: um susto. O filme de amor se revela uma tentativa frustrada de brincar com a chatice de um gênero (caindo na mesma chatice) e o filme de sexo uma crítica social que não envelheceu nada.

    Como Fazer um Filme de Amor
    Idem, Brasil, 2004.
    Direção: José Roberto Torero
    Elenco: Denise Fraga, Cássio Gabus Mendes, Marisa Orth, André Abujamra, Paulo José, Ana Lúcia Torre

    Luz Del Fuego
    Idem, Brasil, 1982.
    Direção: David Neves
    Elenco: Lucélia Santos, Joel Barcellos, Ivan Cândido, Walmor Chagas, Renato Coutinho, José de Abreu, Celso Faria, Wilson Grey

    Também tem o novo cd do System of a Down, Mezmerize, que me atrapalhou por quase uma hora a escrever o texto acima tamanho o susto que causou: mas que zona é aquela?! Não sei, mas não ouço outra coias desde então.

    terça-feira, agosto 09, 2005

    Bola digital

    Como não se empolgar com a excitação em torno dos filmes de Stephen Chow? Kung-fu Futebol Clube (quatro anos atrasados) e Kung-Fusão, adjetivados de “brilhantes” e “excepcionais” e quebrando recordes de bilheterias pareciam a minha grande chance de voltar a rir de verdade em um cinema. Conferir os dois filmes frustrou meus planos, ainda que os filmes não possam ser classificados como decepcionantes. Difícil mesmo é entender exatamente o que eles são.

    Ao contrário do que afirmam, para começar, não são filmes de comédia. São filmes de ação, no melhor estilo (irritante, pelo menos pra mim) flexível e rapidinho de Jackie Chan (estranhamente creditado numa das músicas de Kung-Fu Futebol Clube, será mesmo O Jackie Chan?), turbinado nos efeitos Matrix, que não vê outra solução senão apelar para saídas cômicas que justifiquem tantas acrobacias. Durante todo o filme, fica a dúvida se Chow é um cara legal ou um grande cara de pau.

    Com um acerto aqui e outro ali, ele consegue segurar seus filmes com ritmo, no caso de Shaolin Soccer (convenhamos, se o título original já era tonto, o nacional ficou ridículo) ainda melhor que Kung-Fusão (preciso falar alguma coisa?). Coloca algumas referências do cinemão, não tem medo de arriscar um número musical – que de tão deslocado fica hilário –, tem um interesse inusitado pelo nu masculino (notaram que ele sempre arranja um jeito de arrancar a roupa de um homem em cena?) e realmente acredita que sua missão é divertir.

    Pra isso Chow topa até cometer alguns crimes. Os roteiros, pra começar, são grandes bobagens. Ainda que tudo tenha a maior cara de homenagem/gozação (principalmente em Kung-Fusão), não seria pedir demais uma história menos forçada, que não quebrasse suas próprias regras. No filme de futebol (que se passa no campo, mas não tem nada de futebol) o kung-fu foi usado primeiramente pelo time de Chow (que também estrela os filmes), mas misteriosamente o time da final do campeonato aparece sabendo tudo sobre a técnica! Em Kung-Fusão, numa metáfora tão desaforada que sequer deveria ser chamada de metáfora, o herói vira um mestre de artes marciais, assim, como a borboleta que sai do casulo, simples assim. Pior ainda quando ele se usa dos clichês cinematográficos mais sacados assim, como quem faz dobradinha para o almoço com o Primeiro Ministro Inglês.

    Esta dúvida cruel perdura durante toda a duração do filme. Dos dois filmes. Mas quando Chow resolve terminar sua aventura futebolística ao som óbvio do sucesso dos anos Kung-Fu Fighting, não resta dúvidas: o rapaz é ingênuo mesmo. É um convidado humilde que ganhou o direito de participar de uma mega-festa black tie e fica olhando alguém fazer primeiro pra saber o que fazer. Algo que não o torna o grande vilão da história, mas que não o exime da responsabilidade por seus filmes serem apenas bobagens divertidas.

    Kung-Fu Futebol Clube
    Siu Lam Juk Kau, China/Hong Kong, 2001.
    Direção: Stephen Chow
    Elenco: Stephen Chow, Vicki Zhao, Yin Tse, Law Kar-Ying, Kwok Kuen Chan

    Kung-Fusão
    Gong Fu, China, 2004.
    Direção: Stepehn Chow
    Elenco: Stephen Chow, Leung Siu Lung, Yuen Wah, Yuen Qiu, Dong Zhi Hua, Chiu Chi Ling

    segunda-feira, agosto 08, 2005

    A oitava maravilha do mundo

    Numa manobra inédita e arriscada, assisti a um filme original antes que o remake chegasse aos cinemas. Programado para o final do ano, King Kong será “reimaginado” (adoro a criatividade desse povo... e a cara de pau também) por Peter Jackson, depois de levar alguns queixos ao chão (o meu ainda está lá) com a trilogia O Senhor dos Anéis. Enquanto o filme não chega e eu não consigo uma resposta para a pergunta “Por que todo diretor que ganha um Oscar faz um remake?”, movi meus pauzinhos e com a ajuda de alguns cliques, finalmente conferi o clássico de 1933.

    A justificativa para minha cara de bobo enquanto assistia ao filme era pensar como ele é abusado. Sem sequer imaginar que um dia seria possível animar qualquer ser com realismo impressionante, a produção de King Kong não se intimidou com as deficiências do stop motion em início de carreira e não economizou nos efeitos especiais. Uma coragem justificada tão somente por ser algo novo. Hoje alguém só toparia efeitos toscos se tem tal intenção ou se é maluco.

    O que mais gosto nestes filmes antigos – e também aquilo que mais me irrita – é o jeitão arrogante. No caso de King Kong, eles sabiam que estavam fazendo algo que iria derrubar o público. O discurso do egocêntrico diretor de cinema que viaja em busca de aventura sobre o domínio do homem – branco e civilizado – sobre todo o resto – tribos africanas, gorilas gigantescos, dinossauros – está para a intenção do filme de ser grandioso sobre todos os demais.

    Como não conheço nada da história do cinema deste período e este é provavelmente o filme mais velho que assisti (algo não confirmado, mas que também não faz muita diferença) é provável que o que acabo de falar é uma grande bobagem. Ainda mais porque a pretensão aqui ajuda mais do que atrapalha, ainda que um pouco menos de aventuras na Ilha da Caveira teriam dado mais ritmo ao filme.

    King Kong
    King Kong, EUA, 1933.
    Direção: Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack
    Elenco: Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot, Frank Reicher, Sam Hardy, Noble Johnson

    Também tem dores localizadas (garganta, panturilha, coxa, ombros e pescoço) resultado do show da banda IRA que rolou numa cidade aqui perto. Trezentos quilômetros, três meses esperando e muita vontade contida de assistir algo bom resultaram numa noite dolorida, mas memorável. É tolice, eu sei, mas morar no interior não é fácil...

    sexta-feira, agosto 05, 2005

    Donas de casa desesperadas




    Qualquer mulher segura de si dispensa os testezinhos do site oficial do seriado Desperate Housewives para saber com qual personagem se identifica mais. Cada uma delas dona de uma personalidade forte e muito bem definida por este primeiro ano, Bree, Gabrielle, Susan e Lynette tomaram de assalto a televisão norte-americana (e todo o seu puritanismo) e levou um programa arriscado de humor-negro e crítica social ao grande hit da temporada 2004/2005. Mais ainda do que ban-ban-bans como LOST.

    Como no meu caso e na maioria dos homens, fica complicado se identificar com qualquer mulher casada que se aproxima dos trinta anos de idade, é impossível não olhar para aquelas personagens buscando a imagem da mãe, da esposa ou da namorada. A Bree, por exemplo, é a versão classe média sofisticada da minha mãe: apaixonada e devotada a família, a religião, aos valores éticos e morais. De brinde, também é controladora, intransigente e emocionalmente instável.

    Pertenço, portanto, ao grupo de fora. E não ser uma delas, no caso de Desperate Housewives, contribui mais do que identificação que poderia haver para com as personagens. Não é o tipo de programa com role models a serem seguidos, o que nos deixa mais livres para decidir chegar por si as conclusões. São personagens pela qual é impossível não desenvolver afeição, carinho ou pena sem que também precisamos nos cegar aos seus defeitos. E ser do grupo de fora é caminhar entre a admiração e irritação com cada uma delas.

    A jovem e decidida Gabrielle, com um casamento de interesses, um caso com o jardineiro teen e gostosão e uma confusão de sentimentos em relação ao marido cabe as maiores irresponsabilidades, principalmente por não ter filhos (ainda). Susan (Terri Hatcher, a Lois, lembra?) é a fraca, engraçada e quase um estereótipo pastelão dentro do programa. Mas sua personagem cresce muito durante a temporada e rende ótimos momentos, lembrando a Charlote de Sex and the City. Lynette é a mulher que sacrificou a carreira pela família, tem quatro filhos-pestes e um marido dedicado, o que não a impede de ter neuroses como qualquer outra mulher. Ponto para o programa já que seria fácil colocar ela como uma santa conformada com sua vida por um marido fiel e dedicado.

    Mas é Bree a personagem que rouba o show. Irritante no começo, apaixonante no final, é a mulher que mais precisa de ajuda, justamente pelos seus padrões bem definidos e seguidos a risca. E neste primeiro ano a pobrezinha foi judiada: descobriu que o marido tinha um caso com a vizinha porque ela não o satisfazia sexualmente, para logo em seguida descobrir que ele tem taras SM; não consegue convencer a filha de que sexo antes do casamento é errado e quase surta (ou melhor, surta, num dos melhores episódios da temporada) quando o filho se declara gay.

    Uma lista que não tem nada de assustador, pelo menos pra quem não surta quando houve as palavras sexo, gay ou traição, mas que faz os cabelos lisos e sistematicamente arrumados de Bree Van de Kamp ficarem em pé. Esta dualidade entre o mundo real e o mundo sonhado da mulher mãe de família é a marca principal do programa, que obviamente, tem causado protestos com os recatados órgãos e associações de apoio a família americanas (grandes responsáveis, ao meu ver, pela destruição de muitas famílias).

    Relação extra-conjugal com o jardineiro adolescente, suicídio (toda a primeira temporada é narrada pela defunta Mary Alice, que esconde um mistério só resolvido no último episódio), o sexo não-convencional num casamento, homossexualidade (o programa ganhou vários oh's quando mostrou o coming out do filho de Bree e do jardineiro (outro jardineiro) num beijo numa piscina) só fazem as atenções se voltarem ainda mais para um programa que sabe falar da rotina com acidez e humor negro e inteligência. E ainda que pareça tudo muito distante de nós brasileiros, principalmente no humor, tudo é só uma questão de adaptação.

    Pode não ser pop como LOST, e provavelmente nem quer. Desperate Housewives é como Sex and the City: um programa de horror para a grande maioria, que talvez prefira não ver mulheres inteligentes tomando as rédeas. Supere o susto inicial e deixe o desespero tomar conta.

    segunda-feira, agosto 01, 2005

    Bonitinho, mas ordinário

    Chatinho até o osso, O Clã das Adagas Voadoras tem uma vantagem sobre o filme anterior de Zhang Yimou: quer ser menos poético nas lutas. O que ainda não nos salva de seqüências intermináveis de duelos coreografados em câmera lenta em que sabemos que só um (adivinha quem?!) estará vivo no final. É um filme menos cansativo do que Herói por querer ser um filme de personagens, mas escorrega feio por não ter muito o que falar.

    Enquanto em Herói, Yimou queria contar a história das tentativas de derrubar o Imperador chinês, n'O Clã das Adagas Voadoras ele apenas situa o espectador num período histórico qualquer em que também tentam assassinar o líder da China para justificar os mocinhos e os bandidos. Do meio deles nasce um triângulo amoroso digno de novela – com um final pra lá de forçado – e a certeza de Yimou de que daria pra fazer um filme de duas horas com isso.

    Não dá. Ainda que menos excessivo no quesito visual que seu filme anterior, o diretor só consegue fazer seu filme valer a pena pelo visual de algumas seqüências, como a da batalha no bambuzal. Mas fica longe de construir um filme que tenha momentos mais do que simplesmente bonitos. E na categoria “bonito, mas ordinário”, o cinema americano tem muito mais tempo de estrada.

    O Clã das Adagas Voadoras
    Shi Mian Mai Fu, China/Hong Kong, 2004.
    Direção: Zhang Yimou
    Elenco: Takeshi Kaneshiro, Zhang Ziyi, Andy Lau, Song Dandan.

    Também tem a sensível melhora de conceito que Guerra dos Mundos conseguiu sexta-feira passada, numa sessão com amigos. Parece que já sabendo o que ver e esperar o filme funciona ainda melhor e com certeza subirá alguns postos na próxima avaliação de melhores do ano.

    sexta-feira, julho 29, 2005

    Adaptaçãoo ou transposição?

    Decepcionante. Foi a essa conclusão que cheguei quando assisti a Capitão Sky e o Dia de Amanhã, que prometia ser uma nova revolução em como fazer cinema. O que vi foi um filme mediano (considerando o roteiro e personagens) com uma pretensão exagerada, exibido e, acima de tudo, desproposital. Afinal, qual a vantagem de gravar um filme todo sobre o fundo verde e criar o cenário digitalmente? No caso do alardeado Sin City – A Cidade do Pecado, a resposta é fidelidade a graphic novel (que não faço idéia do que seja, mas todos chamam assim) homônimo de Frank Miller.

    Decepção novamente. O filme de Robert Rodriguez traz muitas vantagens sobre o filme de Kerry Conran. É menos ingênuo (mas está longe de ser mais maduro), menos filme-bobinho-que-só-estréia-na-Sessão da Tarde e se aproveita com propriedade e eficácia de seu formato semi-virtual para criar seqüências que caminham entre vislumbre visual e bizarrice tosca/cômica (intencional ou não, não sei). As comparações de páginas do trabalho de Frank Miller com seqüências do filme impressionam, mas também escancaram ainda mais a maior pergunta não respondida: pra que diabos esse filme foi feito?

    Qual a vantagem de filmar um filme exatamente como ele já existe? Quando Gus Van Sant refilmou quadro a quadro Psicose, foi duramente criticado. Não entendo porque toda a exaltação em cima de Sin City se o filme não passa de uma cópia animada de um gibi! Em quem devemos por a culpa por falhas no roteiro (homens duros e malvados até o osso, mulheres prostitutas e mais malvadas que os homens, em histórias que se resumem a vingança com a morte sádica dos inimigos), ou pelo falta de ritmo que parece emperrar o filme em alguns momentos? Ou quem deve ser parabenizado pelos belos enquadramentos e planos: Rodriguez ou Miller?

    Provavelmente os dois. Tanto para a aprovação quanto para a culpa. A preocupação com a fidelidade foi tamanha que adaptação foi confundida com transposição forçada: do papel para as telas, dos balões para a narração (chata e cansativa), do escuro e restrito mundo dos quadrinhos para a “pretensa vanguarda ultra-cool” do cinema.

    Como disse Kleber Mendonça Filho, Tarantino deveria ter feito mais do que gritar “Ação... Corta!” em trinta segundos do filme e ter dito para o amigão Rodriguez FAZER um filme de verdade e, como disse Ailton Monteiro (quando escreveu sobre Capitão Sky), se isso é o futuro do cinema, vou viver de assistir filmes velhos mesmo. E pensar que o trailer era tão bom!

    Sin City - A Cidade do Pecado
    Sin City, EUA, 2004
    Direção: Robert Rodriguez e Frank Miller (Quentin Tarantino? Fala sério...)
    Elenco: Bruce Willis, Mickey Rourke, Jessica Alba, Clive Owen, Nick Stahl, Powers Boothe, Rutger Hauer, Elijah Wood

    Também tem o comentário perfeito de Kleber Mendonça Filho (again) sobre A Fantástica Fábrica de Chocolate: "Eu adoraria ter sete ou dez anos de idade para ver esse filme com um olhar infantil".

    quinta-feira, julho 28, 2005

    Não só problemas conjugais

    Por um tempo – apesar de satisfeito com o que via – eu esperava ansiosamente o momento em que Sr. e Sra. Smith deixaria toda a frustração e monotonia do casamento para partir de uma vez por todas para a ação. Quando a ação finalmente chegou, me arrependi do pedido e a trinta minutos do final, já olhava constantemente para o relógio imaginando quando finalmente acabaria.

    Faltou a Doug Liman o equilíbrio entre as boas tiradas do absurdo da situação – casal há mais de cinco anos sem saber que ambos eram assassinos profissionais? Tá bom! – e a ação. Olhadas isoladamente, as duas partes funcionam até que bem. Mas pouco depois de entrar em seu terceiro ato, Sr. e Sra. Smith se perde entre uma comédia-romântica de ação ou um filme de ação com comédia. Não consegue ser nem um nem o outro satisfatoriamente.

    Quem garante a chegada ao final da projeção – vejam só! – é Brad Pitt, cheio de caras e bocas, é verdade, mas que não deixa passar uma oportunidade de demonstrar sua frustração para com a companheira sem fazer a platéia rir. Já Jolie, continua a deixar aquela dúvida se tinha realmente talento ou se o que realmente contou foram seus lábios assassinos e seios turbinados.

    Sr. e Sra. Smith
    Mr. & Mrs. Smith, EUA, 2005
    Direção: Doug Liman
    Elenco: Brad Pitt, Angelina Jolie, Elijah Alexander, Theresa Barrera e Ron Bottitta

    Também tem a estréia de Sin City amanhã no país das CPI. Finalmente. Só que, graças a banda larga, já assisti e sinceramente, fiquei tão decepcionado quanto fiquei com Capitão Sky e Expresso Polar. Depois falo mais disso.

    quarta-feira, julho 27, 2005

    Explícito

    Bud Clay – ou Vincent Gallo, já que sua interpretação crua mais os acúmulos da função de protagonista, roteirista e diretor de seu pequeno filme quase que quebram totalmente os limites da ficção – está acabado. Sua frustração e dor estão explícitas em cada segundo de The Brown Bunny. Provavelmente Gallo intencionava um filme intimista, mas o explícito é muito mais recorrente em seu filme.

    E não falo apenas da famosa cena do sexo oral que acontece a poucos minutos do final. Ainda que longa e explícita, ela quase se torna singela quando os créditos finais chegam. Gallo pode ser facilmente acusado de querer gerar polêmica ou de sensacionalismo. Nada mais esperado quando o mundo parece se tornar cada vez mais cheio de pudores e regras, principalmente àquelas que regem o comportamento sexual. Mas em momento algum, a seqüência sobra dentro do filme.

    Na uma hora anterior, no entanto, Gallo deixa explícito o desolamento de seu personagem pelo olhar distante que encara o horizonte infinito da estrada. Entre uma parada e outra, Clay apenas dirige seu furgão ou corre com sua moto pelo deserto. Roda horas e horas pelas esquinas em busca de prostitutas para mostrar sem nenhuma sutileza que espera encontrar nelas o rosto de uma única mulher.

    E haja paciência para tanta tristeza. A necessidade de Gallo em mostrar a situação de seu personagem é tamanha que cansa quando começamos a nos desinteressar com tanta estrada e tantas lágrimas. Depois de uma hora e vinte em que nada de substancial acontece (incluindo a tal cena do sexo oral), Gallo traz a grande explicação final – essa sim quase obscena – que tenta justificar todo o filme. Salva da danação do total, mas não salva The Brown Bunny de ser um filme que tinha muito pouco a falar.

    The Brown Bunny (com chances de subir numa revisão)
    The Brown Bunny, EUA, 2003
    Direção: Vincent Gallo
    Elenco: Vincent Gallo e Chloë Sevigny

    terça-feira, julho 26, 2005

    Muito açúcar

    Começa a ficar chato esse negócio de comentar um filme e precisar dizer se assistiu ao original ou não, se é melhor que o original ou não, se a nova equipe “criativa” foi fiel aos originais do original ou não... Enquanto essa febre dos estúdios preocupados com as novas gerações que ignoram o que já foi feito no cinema não passa, ainda teremos muitos remakes para encarar. Pelo menos enquanto eles estiverem nos níveis de um Guerra dos Mundos ou deste A Fantástica Fábrica de Chocolates não estaremos perdendo tanto.

    Ainda que sío pra seguir ao ritual, é preciso dizer que não assisti ao filme estrelado por Gene Wilder, e sinceramente, nem tenho vontade. Lembro de todas as vezes que deixei de assistir ao filme em suas inúmeras reprises no horripilante Cinema em Casa do SBT (notícia de última hora: o SBT vai reprisar de novo na sexta-feira que vem!) por simplesmente não acreditar que uma história sobre cinco crianças visitando um recluso (e amalucado) fabricante de chocolates poderia render uma boa história.

    E não rende. Pelo menos não para A Fantástica Fábrica de Chocolates de Tim Burton. A história deste - segundo os entendidos, mais fiel ao livro de Robert Dahl do que o clássico de 1971 – é descaradamente moralista, punindo as crianças malvadas (o guloso, a metida, a mimada, o malvado) e enobrecendo o garoto pobre, humilde e feliz com sua família. Uma mensagem linda, é verdade, se eu já não tivesse perdido a fé (e o interesse) em histórias com propósitos tão educativos.

    Felizmente Burton vem na contra-mão de tanto bom-mocismo do roteiro e cria um mundo estranho, bizarro, ora divertido ora assustador e blá blá blá com todos aqueles comentários que os filmes de Burton sempre geram. Mais uma vez, um trabalho para encher os olhos e fazer revirar os olhos, que acaba deixando a história um pouco mais sombria e suportável. Mas certamente o que mais diverte em seu novo filme e que ficará na memória quando uma injeção de insulina nos trouxer novamente a vida depois de tanto açúcar, são as caras e bocas de Jonny Depp – seu Willy Wonka é irritante, mas não há como não simpatizar – e os Umpa-Lumpas e seus números musicais inspirados e improvisados.

    A Fantástica Fábrica de Chocolate
    Charlie and the Chocolate Factory, EUA, 2005
    Direção: Tim Burton
    Elenco: Johnny Depp, Freddie Highmore, David Kelly, Helena Bonham Carter e Noah Taylor