Philip Seymour Hoffman é o Jamie Foxx da vez. Já levou todos os prêmios a que foi indicado e vai levar até o fim deste ano, quando provavelmente outro coadjuvante pouco conhecido alcançará uma performance “brilhante”. Ainda que tudo esteja se tornando cada vez mais previsível (o mesmo vem acontecendo com atrizes), não dá pra tirar o mérito de Hoffman, de quem ja gostava desde Boogie Nights e Magnólia (e ainda participou de Embriagado de Amor, também de PT Anderson)..
Muito menos o mérito do filme de Bennet Miller, muito superior a Ray, principalmente porque não quer contar toda vida do escritor e jornalista Truman Capote, preferindo se ater a um momento específico desta. O momento em especial, é justamente o mais importante na vida de Capote, quando se dedicou a uma pesquisa de mais de 3 anos para escrever seu best seller A Sangue Frio.
O melhor do filme – que além de Hoffman, ainda tem uma ambientação que consegue fazer confundir a realidade dos personagens com a realidade do assassinato e consequentemente, com aquele que a obra de Capote tem – é a relação entre Capote (sujeitinho brilhante, mas asqueroso, interesseiro e egocêntrico) e os assassinos, principalmente Perry Smith. Faltou pouco (ou sobrou algum tempo) para que conseguisse ser melhor.
Capote
Capote, EUA, 2005
Direção: Bennet Miller
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins
Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood, Bob Balaban