
Quem ficar procurando leituras do trauma americano pós-11 de setembro ou de apoio ao belicismo em Guerra dos Mundos, nova mega-produção de Steven Spielberg corre o risco de perder o filme, já que a maior qualidade dele é ser “rápido e rasteiro”, como diria minha mãe. Suas duas horas passam voando e quando menos se espera, os créditos começam a rolar. Ao contrário do que dizem, não é o final do filme que é abrupto, mas a morte dos alienígenas invasores.
E não percebeu essa diferença quem não percebeu que a proposta de Spielberg era de unicamente mostrar o que a família do cidadão médio qualquer Ray, interpretado por Tom Cruise, enfrentaria num possível ataque de ETs malvados. As poucas informações que temos sobre a situação mundial vem de alguns poucos momentos em que algum personagem assiste TV ou de boatos ouvidos ao longo da rota de fuga seguido pelos protagonistas.
Quem gritou Sinais acertou. A fórmula que M. Night Shaymalan usou com sucesso em seu próprio filme sobre invasões do espaço e fé em 2003 mostrou-se mais uma vez eficiente aqui, contando com um Spielberg cheio de energia e criatividade, disposto a fazer alguns queixos irem ao chão – sua especialidade – ao criar seqüências perfeitas – com ou sem efeitos – e de quebra, dar uma aula sobre ritmo, que só perde no porão da casa de outro anônimo interpretado por Tim Robins. Um detalhe importante: dessa vez, Spielberg evita cair no sentimentalismo fácil que seus últimos trabalhos obrigatoriamente traziam.
Quando as luzes se acendem, temos certeza de que o nosso mundo está
a salvo – mesmo quando um mestre como Spielberg resolve fazer um remake
– e que dá pra ver filmes que só querem ser filmes de verão
sem machucar ninguém (do lado de cá).
Guerra dos Mundos
War of the Worlds, EUA, 2005
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Tom Cruise, Justin Chatwin, Dakota Fanning, Tim Robbins
e Miranda Otto
Nenhum comentário:
Postar um comentário