quarta-feira, junho 21, 2006
Acumulando
sexta-feira, junho 16, 2006
Rindo da desgraça própria
Não há muita unidade no filme de Dean Parisot (roteiro do mesmo de O Virgem de 40 anos). Começa com apresentação legendada de personagens, alterna entre gags mais espertas com pastelão e se consuma com um filme que quer criticar o dinheiro, o sistema e a corrupção (outra piada, já que eles nem mora no Brasil para falar nisso com alguma autoridade).
Quando está lutando pra fazer cada uma destas unidades isoladas, As Loucuras de Dick e Jane, se sai bem, mesmo quando Tea Leoni parece estar quadras atrás de Jimmy Carey na corrida pra tentar ser engraçada. Nada que consiga tirar a graça das seqüências de roubo, mas fico imaginando o que Cameron Diaz (a primeira contratada para o papel) não faria em seu lugar. E o final, cheio de bom mocismo, não chega a atrapalhar. Até chega a colocar um sorrizinho no rosto quando nos faz pensar “ah! como seria bom”.
Na briga pela comédia mais comédia do fim de semana (concorria justamente com o filme de Steve Carell), levou o ponto (não muito a frente da anterior).
As Loucuras de Dick e Jane
Fun with Dick & Jane, EUA, 2005
Direção: Dean Parisot
Elenco: Jim Carrey, Téa Leoni, Alec Baldwin, Richard
Jenkins, Angie Harmon
Rindo da desgraça alheia
Se não fosse pela magnética presença de Steve Carell (algo que se prova apenas olhando para o cartaz de divulgação do filme), O Virgem de 40 Anos não passaria de mais uma comédia de ótimo argumento que se acovarda e termina naquele lugarzinho comum e chatinho que virou regra. Algumas delas, como este, até se perdem no gênero, se rendendo a parente comédia-romântica (nem cômica, nem romântica).
Se tudo não tentasse ser mais do que apenas curtir com a hilária (e assustadora) situação de um homem que, graças a algumas falhas, negou-se o direito de fazer sexo por mais de 40 anos, o filme cumpriria bem seu papel (só divertir). Mas há aquela necessidade boba de ter bons motivos, ter boa moral, ter bom final, ter uma esperança aos virgens perdidos deste mundo afora.
Ás vezes, é preciso decidir: faz-se um bom filme, ou faz-se um filme bom.
O Virgem de 40 Anos
The 40-Year-Old Virgin, EUA, 2005
Direção: Judd Apatow
Elenco: Steve Carell, Catherine Keener, Paul Rudd, Romany Malco,
Seth Rogen, Elizabeth Banks
quarta-feira, junho 14, 2006
Cartoon pra gente "grande"
Para uma sessão de filmes como este Missão: Impossível III, uso a mesma tática adotada para curtir um bom episódio de Tom & Jerry: todas as regras físicas, todos os fenômenos químicos e todas as regras lógicas de alguns séculos de catalogação estão suspensas em função da diversão.
Nem é preciso ter 6 anos de idade de novo pra saber que Tom & Jerry ganhariam uma parada com Ethan Hunt fácil, fácil. Mas a terceira aventura do agente secreto que mais muda de agência tem seus momentos, principalmente aqueles em que algo explode (o ataque a ponte, com o específico momento do míssil jogando Cruise contra o carro, por exemplo) e esperta condução de J. J. Abrams, que sabe jogar com o tempo e com as imagens pra prender sua audiência.
É rápido e letal, parece ter 10 minutos de duração. E ganha com isso a impressão de que foi muito mais filme do que apenas ótimas seqüências encadeadas de ação com gente bonita se esbofeteando por um argumento batido. O que já é um mérito considerável.
Missão: Impossível III
Mission: Impossible III, EUA, 2006
Direção: J. J. Abrams
Elenco: Tom Cruise, Ving Rhames, Keri Russell, Philip Seymour
Hoffman, Bahar Soomekh, Laurence Fishburne, Billy Crudup, Simon Pegg
domingo, junho 11, 2006
A cura
Tenho uma ligação toda pessoal e particular pelos X-Men (os do cinema, não conheço os demais), expostos em filmes que equilibram poderes de imagem e idéias sobre um mundo não tão diferente do nosso, ainda que fixado na fantasia.
Talvez este seja o motivo pela minha necessidade de gostar da terceira aventura dos mutantes, X-Men: O Confronto Final. Não que o filme não tenha os seus méritos, Ratner cumpriu até bem a façanha de assumir a bomba que o filme se tornou, lutando contra ulta-expectativas, fãs xiitas e a sombra do cirurgião Bryan Singer. X3 é tenso, rápido (inclusive no tempo de projeção) e corajoso na hora de decidir quem ganha e quem perde.
Também cumpre com sua função de divertir e encher os olhos com ação e aventura, mesmo quando tem o broxante início com o encontro com uma sentinela. Algo corrigido no final, quando se justifica a enorme lista anunciada de mutantes no tal confronto final.
Mas são nos detalhes que o terceiro filme tanto perde para os demais. Para o segundo, pra ser exato. Singer conseguia exprimir a alma do filme (a questão do ser diferente) em seqüências de fazer chorar, como aquela em que o Homem de Gelo abre seus poderes para seus pais; enquanto Ratner beira o constrangimento quando não consegue soar mais do que bobo ao tentar, por exemplo, justificar uma preocupante decisão de Vampira com um clichê de doer (que ainda consegue quebrar bem o ritmo do filme).
E quando se lembra de Vampira, também se lembra de outros personagens que apareceram em cena, mas pareceram não cumprir muito bem seu papel. Anjo, amplamente usado no material de divulgação (pelo óbvio impacto visual) não tem mais do que a excepcional seqüência de apresentação (que já havia circulado na internet, inclusive) para não abrir mais a boca.
Num universo com tantos, há o perigoso desejo de dar espaço a todos. Mas Singer mostrou que estava certo em dar mais atenção em alguns primeiro, depois a outros. A maneira como Jean Grey e sua Fênix são fundidas no roteiro é um de seus pilares, mas imagino qual não seria o resultado com ela sendo O pilar de todo o roteiro.
Detalhes que impedem X3 de ser tão bom quanto seu antecessor foi. Principalmente, porque ainda que mal desenvolvido em certos aspectos, há um argumento corajoso movendo o filme, explícito e forte o suficiente para fazer frente a qualquer outro filme que tenta tal pretensão (e menos efeitos especiais).
PS para quem já viu o filme: O que diabos aconteceu
com a minha deusa, Mística?
Ps para quem já viu o filme até depois dos créditos:
Pelo menos o Xavier sobrou, né?
X-Men : O Confronto Final
X-Men: The Last Stand, EUA, 2006
Direção: Brett Ratner
Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle
Berry, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn