segunda-feira, outubro 24, 2005

Era uma vez...

Ainda não estou certo se gosto ou desgosto de Monty Phyton. Talvez precise assistir mais filmes deles, tentar encontrar mais material, revirar a Internet, vasculhar o e-mule, congestionar a rede local da empresa com as múltiplas conexões do torrent. Ou talvez eu simplesmente não tenha caído nas graças do humor ácido e exagerado do grupo. O certo mesmo é que do Terry Gilliam, ah sim, desse gosto demais.

Os 12 Macacos é dos meus filminhos-filmão preferidos, mas parece que não tinha a grana que Gilliam precisava pra ser espetacular. Já que grana parece não ter sido o problema dessa vez, Gilliam caprichou no visual e efeitos e entregou um dos melhores blockbusters do ano logo depois da temporada dos blockbusters acabar. Não espetacular. Mas pelo jeito, ainda não espetacular.

Além do designe de produção perfeita – impossível não entrar no clima do filme –, Os Irmãos Grimm ainda conta com dois trunfos. O primeiro é a dupla Matt Damon e Heathe Ledger, principalmente este último, tão bem que não faz ninguém perguntar onde diabos está Mônica Bellucci (que nem sei o que está fazendo ali). E o segundo trunfo é de outra dupla: o diretor Gilliam e o roteirista Ehren Kruger.

Caminhando entre os contos de fadas e a realidade como se fosse a coisa mais fácil do mundo, Gilliam ainda acha tempo pra fazer graça (coisa rápida, nada muito elaborado e longe de exagerado). Mas o ex-Phyton não passa de comparsa – assim como os irmãos do filme são – de Kruger, que entregou um roteiro tão bacana que até o obrigatório “e viveram felizes para sempre” fica certinho.

Os Irmãos Grimm
The Brothers Grimm, EUA, 2005.
Direção: Terry Gilliam
Elenco: Matt Damon, Heath Ledger, Mackenzie Crook, Richard Ridings, Peter Stormare, Julian Bleach,

Também tem a vitória do Não no referendo. Apenas mais uma prova de que o povo brasileiro não consegue perder a mania de fazer merda na frente de uma urna, que marketing é o segredo para tudo (algo que vale tanto para um lado quanto para outro) e que este é um país no mínimo 70% hipócrita, já que gosta de se auto-proclamar um país cristão. Acreditar no tal de JC e aprovar a idéia das pessoas poderem carregar armas é uma ótima prova de amor ao próximo e confiança na justiça divina. Ridículo, o chamado de ateu aqui pregando o evangelho. Vou pra casa.

domingo, outubro 02, 2005

Só funciona se você acreditar...

Não sabia absolutamente nada sobre A Chave Mestra antes de entrar na sessão. Provável culpa minha, mas desta maneira não conseguia saber sobre o que filme trataria, não tinha qualquer expectativa e não tinha também nem um pingo de bom humor pra ajudar o lado do filme. Foi o rapaz da portaria do cinema que alertou, “É um filme de terror. Muito bom!”. Revirei os olhos assim que ele virou o rosto e me benzi antes de entrar na sala.

Do mesmo jeito que o filme não fazia grande diferença antes de assisti-lo, não fez depois. Ainda que fugindo do maldito estilozinho que tem ditado as regras para filmes de terror nos últimos anos – este aqui é protagonizado por uma só gostosona –, A Chave Mestra não consegue em momento algum dar-lhe algo que faça a diferença. Tudo está certinho, trilha sonora, design de produção, até atuações. Mas nada faz diferença.

Quem se deu ao trabalho de prestar atenção – e acredite, perdeu um tempo precioso da vida fazendo isso – matou a “charada” do filme já no meio da projeção e a partir daí, não se preocupou muito com o que vinha pela frente. Quem não matou foi obrigado a ver os “bandidos” revelados do jeitinho mais boboca e especializado que Hollywood tem: perseguindo a mocinha como se fosse uma brincadeira sádica, e não questão de vida ou morte.

O finalzinho – bem “inho” mesmo, últimos dois minutos – aliado ao final de Água Negra, parece que vem determinar aí uma nova tendência dos filmes de terror. Algo bom, mas precisa ser só no finalzinho?

A Chave Mestra
The Skeleton Key, EUA, 2005.
Direção: Iaian Softley
Elenco: Kate Hudson, Gena Rowlands, John Hurt, Peter Sarsgaard, Joy Bryant, Maxine Barnett

Também tem a dica do Pablo Villaça de um trailer feito para a clássica versão de o O Iluminado, só que adaptado para um gênero diferente. Assistam e me digam depois se os trailers não deveriam ser banidos da face da terra!