quarta-feira, janeiro 11, 2006

A margem

A complexidade em torno das armas ficou provada há pouco menos de dois meses, aqui mesmo em nosso país, em que a discussão tomou um rumo que no final, apenas serviu aos interesses de poucos. O Senhor das Armas é mais ou menos a mesma coisa: apresenta o assunto, quer levar a discussão, apresenta fatos (nada imparciais, é verdade) mas parece temer cair no cerne da questão.

Pode ser, sim, chamado de filme corajoso. Mas são poucas as vezes que ele ataca os grandes vilões do comércio mundial de armas. Durante toda a sua duração, o filme prefere se focar nos contrabandistas, como se estes fossem os únicos interessados e responsáveis pelo armamento de qualquer milícia ou grupo separatista que nasça num bairro vizinho.

Como um filme que prefere se ater a este único homem, que articula e promove as trocas de armamento e munição, O Senhor das Armas se sai bem, foge de algumas armadilhas mas também corre direto (com direito a minutos de predição por nossa parte) pra outras. Como um filme que deveria fazer perguntas mais diretas, ele leva muito tempo. Todo o tempo que tem, aliás, já que é apenas antes dos créditos subirem, com o uso de letreiros que ele aponta os 5 países campeões na fabricação de armas, todos integrantes do conselho de segurança das Nações Unidas.

O Senhor das Armas
Lord of War, EUA, 2005
Direção: Andrew Niccol
Elenco: Nicolas Cage, Bridget Moynahan, Jared Leto, Shake Tukhmanyan, Jean-Pierre Nshanian, Jasper Lenz, Kobus Marx, Stephan de Abreu

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