segunda-feira, janeiro 31, 2005

Hello, stranger

A sequência inicial de Perto Demais, filmada em câmera lenta em meio a uma multidão, ao som de The Blower's Daughter, em que Natalie Portman irá se apaixonar a primeira vista por Jude Law é uma farsa: nos faz acreditar que estamos diante de um filme apaixonante sobre o amor.

Pouco tempo depois percebemos, que na verdade, se trata de uma das mais francas e doloridas tentativas do cinema em mostrar os caminhos que esse tal amor e o sexo tomam em relacionamentos, onde fica claro que a única coisa que interessa é o eu. Além do roteiro que não poupa ninguém, há o elenco perfeito (o que vale até para Julia Roberts!), com destaque para uma apaixonante Natalie Portman e um porco-insuportável Clive Owen.

Já é o filme do mês, forte candidato a filme do ano.

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Perto Demais

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Da d�cada passada: 1993: Jurassic Park

Aqui está uma ótima maneira de explicar, com exemplos, o que eu dizia sobre A Ameaça Fantasma ontem: o amigão de Lucas, Steven Spielberg, ainda no ano de 1993 (doze anos atrás!) levou milhares de queixos ao chão quando mostrou um filme com criaturas pré-históricas vivas na tela, inaugurando o uso de efeito digital na composição de personagens digitais orgânicos (e isso existe?! Enfim, vocês entenderam...).

A grande diferença entre A Ameaça Fantasma e Jurassic Park é que o segundo tem magia, tem uma história empolgante e tem o que Spielberg sabe fazer de melhor: aventura para qualquer idade. O mundo de sonhos criado para aquele parque fictício é a própria magia do cinema, que não tem outra função senão a de nos fazer sentir.

Por mais defeitos que tenha (ok, não são tantos assim), Spielberg é um ótimo contador de histórias e sabe tratar desta magia, ainda que seu nome foi e sempre será sinônimo de efeitos especiais.

Foi graças a este filme - ainda que visto em uma pequena tela de uma TV de 20 polegadas - que me rendi a este mundo de sonhos e magia. Obrigado Sr. Spielberg.

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Jurassic Park

quinta-feira, janeiro 27, 2005

Da d�cada passada: 1999: A Amea�a Fantasma

Na hora de responder qual o filme de 1999 é preciso cuidado. Se o que interessa é o filme que mais fez dinheiro, então a resposta é este chatinho Star Wars - Episódio 1: A Ameaça Fantasma. Mas se o que interessa são os melhores filmes mesmo, então alguns apontarão Matrix, outros O Sexto Sentido, Toy Story 2 e outros...

Provando que uma marca faz mais barulho do que qualquer filme bom (pelo menos na hora de fazer dinheiro) e que efeitos especiais pretensiosos são a própria encarnação do lado negro da força, A Ameaça Fantasma custa terminar, se perde em sequências que beiram o constrangimento e pouco acrescenta ao mundo criado por Lucas vinte anos antes, além de personagens digitais irritantes.

Obrigatório por se tratar do primeiro capítulo de uma das mais importantes histórias já contadas pelo cinema, mas que não faria diferença nenhuma se tivesse ficado perdido lá pela tal galáxia muito distante.

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Star Wars - Episódio 1: A Ameaça Fantasma

quarta-feira, janeiro 26, 2005

Da d�cada passada: 1998: Al�m da Linha Vermelha

Eu já conhecia a polêmica em cima do filme de Terrence Malick, que resolveu voltar a ativa depois de vinte anos num auto-exílio. Alguns o consideram obra-prima, outros um filme chato mesmo. Pra variar, tentei tirar o melhor dos dois mundos.

O que ainda assim, não ajudou muito o filme. Além da Linha Vermelha lança um olhar, a princípio, interessante sobre as forças que movem uma guerra, também olhando sobre estas forças aginda na natureza. E aí sobra pra todo mundo. O diretor discute desde o amor e ódio do homen até o sexo dos anjos, com algums eventuais sequências violentas de guerra.

O problema é que o resultado se perde, o filme não consegue ser nem uma coisa nem outra e nós ficamos com aquela impressão insuportável de que somos estúpidos demais pra entender o filme. Ou talvez Malick devesse ter escrito um livro de poesias sobre a guerra, e não ter feito um filme.

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Além da Linha Vermelha

terça-feira, janeiro 25, 2005

Da d�cada passada: 1991: JFK - A pergunta quem n�o quer calar

Não foi proposital, mas é o segundo filme de Oliver Stone a aparecer por aqui nesta semana. E ao contrário de Alexandre, duvido que se tenha muito contra este, apesar de já ter encontrado alguns por aqui que não gostam mesmo de Stone.

Bom, de JFK - A pergunta que não quer calar (ótimo subtítulo nacional, não acham?!), para evitar polêmicas, vamos esquecer toda a parte em que o diretor provoca uma avalanche de fatos (supostamente verdadeiros) que tentam mostrar que o assassinato de John Kennedy foi uma obra que envolveu não só grupos revolucionários, mas o próprio alto escalão do governo. O melhor de JFK está na forma, na maneira brilhante como o diretor (e sua dupla de editores) faz um filme de três horas de duração, com centenas de nomes, datas e fatos, sem soar chato ou cansativo.

Destaque para a sequência em que Costner reconstitui o assassinato do presidente em pleno tribunal.

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JFK - A pergunta que não quer calar

Premia��o (de novo!) 2

Duas palavras sobre os indicados ao Oscar 2005: QUE MERDA!

Tanta exaltação provavelmente porque hoje eu esteja de mau-humor, afinal, foi tudo exatamente como sempre foi: todos os indicados sequer deram as caras aqui pelo Brasil e salvo um filme ou outro, teremos a chance de conferir antes que os malditos e interesseiros cartazes "ganhador de 90 Oscars" tentem nos obrigar a gostar dos filmes.

Fazer o que, né?! Assistir a cerimônia no dia 27 de fevereiro é o máximo que dá pra fazer mesmo (sem SBT este ano, alguém quer me chamar pra ver aí?!). E depois esperar, para ver os exageros e novos queridinhos e quem sabe, alguns filmes bons para variar.

Ah, boa notícia: Olga não foi indicado. Seria horrível ter que não torcer pelo Brasil na categoria de filme estrangeiro, já que torcer por Olga eu não torceria mesmo!

Ah, má notícia: Diários de Motocicleta, como se era de esperar, ficou às margens das categorias realmente importantes. Entrou com roteiro adaptado e canção.

Ah, notícia suspeita: Fahrenheit 11/09 sequer foi indicado ao prêmio de documentário. O que aconteceu com o filme que ganhou a Palma de Ouro em Cannes? Hein?! Ah, o presidente foi reeleito. Verdade.

Premia��o (de novo!) 1

Posso dizer que de uma maneira geral, gostei do resultado do Alfred 2004. Não houve nenhum grande vencedor e acabou sobrando para quase todos os grandes favoritos. Elefante, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Kill Bill: Volume 1, Encontros e Desencontros, Dogville e Homem-Aranha.

Mas o que me deixou com a pulga atrás da orelha foi o Filme do Ano. Encontros e Desencontros é lindo, concordo, um filme muito bom, que merece ser lembrado, ainda mais considerando que já foi lançado há quase um ano. Mas ainda não acho que ele mereceria estar a frente de outros filmes, como Kill Bill: Volume 1, Brilho Eterno..., e Elefante, por exemplo.

Mas enfim, viva a diversidade. Apesar de não concordar inteiramente, fico feliz com o resultado, já que a maioria escolheu. A lista completa dos ganhadores você encontra no site da Liga dos Blogues.

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Ame ou odeia, mas assista!

Eu poderia tomar o caminha mais fácil e decretar - como a maioria fez - que os defeitos de Alexandre fazem dele um filme medíocre. Mas não consigo deixar de ver todas as qualidades que o filme carrega. E assim como os defeitos, há várias.

Além dos detalhes técnicos - figurino, cenários, figurantes e locações -, Alexandre traz forte a assinatura de seu criador, Oliver Stone. Seu cuidado com a câmera, com o ritmo e com milhares de detalhes já seria o suficiente para salvar o filme da infâmia a que foi submetido, principalmente pela imprensa americana. Mas ele consegue ir além, como na maneira interessante como trata o amor incondicional de Alexandre e Hephaistion, mesmo que devendo uma ligação mais intensa e física dos dois.

O terceiro e último ato, porém, não ajudam a produção e enterram as chances de filme se tornar um grande filme. Fica apenas um filme muito bom, por não conseguir amarrar suas pontas, não saber equilibrar suas subtramas e por não conhecer seus limites. Algo que conseguiu ser muito fiel ao próprio Alexandre.

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Alexandre

Cenas do Ano

Escolher os melhores filmes do ano não é nada. Complicado mesmo é selecionar as dez melhores cenas, que podem ou não ser dos melhores filmes, o que aumenta ainda mais os candidatos.

O jeito mais fácil de filtrar é trilhar o mesmo caminho que ajudou a chegar nos Filmes do Ano, deixando o "calor" do momento resolver. No final das contas, acaba saindo uma lista não tão diferente daquela com os filmes preferidos.

Leia também um resumo rápido do que o cinema fez em 2004 e a minha lista dos Filmes do Ano de 2004.

Abaixo, também por ordem de preferência, as melhores cenas de 2004:

 

Cenas do ano

1. Kill Bill: Volume 1: Ellen Driver (Daryl Hanhah) “disfarçada” de enfermeira com um belo tapa-olho marcado com uma cruz vermelha caminha em direção ao quarto da Noiva. Numa mesma cena temos a tela dividida de Brian de Palma, o senso de humor bizarro de Tarantino e a música desconcertante de Bernard Herrmann. Momento em que me apaixonei pelo Volume 1 de Kill Bill.

2. Antes do Pôr-do-sol: Depois de conversarem em um bar, andarem pelas ruas e por parques de Paris, apreciarem a vista em um passeio de barco e lavarem a roupa suja num táxi, Celine e Jesse enfrentam o primeiro momento totalmente sozinhos. Sexo? Não, Celine canta uma valsa para a Jesse sobre uma certa noite em que se apaixonou por um rapaz, nove anos antes. A seqüência é tão boa que o filme termina exatamente depois dela.

3. Kill Bill: Volume 2: Depois que B.B. adormeceu assistindo “Shogun Assassins”, a Noiva (ou Beatrix Kiddo, ou Mamba Negra ou simplesmente mamãe) acaricia sua filha ao som de “About Her”, para se certificar de que ela realmente existe. Naquele momento Tarantino justifica toda a fúria, todas as mortes e todo o exagero da saga da heroína interpretada por Uma Thurman com a cena mais me fez chorar no ano.

4. Homem-Aranha 2: As seqüências de ação de Homem-Aranha 2 são realmente incríveis. Todas elas. Mas há uma especial, que sequer é uma cena de ação, que resume toda a ousadia da produção: Peter Parker é carregado sem máscara por estranhos no interior de um vagão de trem. Os estranhos vêem que ele é apenas um garoto, e ele vê que pode confiar naqueles estranhos. Um nó na garganta em pleno um blockbuster.

5. Shrek 2: A melhor coisa de Shrek 2 foi a adição de um novo personagem: o sedutor Gato de Botas. O que também rendeu a melhor seqüência do filme todo. A apresentação do bichano cria simpatia instantânea. Como resistir àqueles olhinhos?!

6. Diários de Motocicleta: Dentre várias seqüências memoráveis, uma delas se destaca por seu valor simbólico. O jovem Che Guevara se joga ao rio em plena noite para comemorar junto aos leprosos que moram do outro lado seu aniversário. Sabe que sua vida está em risco, mas não se importa. Uma seqüência angustiante que também é uma prévia do que o revolucionário teria que enfrentar mais tarde.

7. Encontros e Desencontros: Charlote sussura algo no ouvido de Bob em meio a multidão de Tókio. Só mais uma das várias sequências sutis que a diretor Sofia Coppola conseguiu fazer para seu sensível Encontros e Desencontros, o filme que menos quis ser em 2004.

8. Kill Bill: Volume 1: Tentei não repetir, mas seria um crime deixar de fora a seqüência do confronto final e mortal entre Uma Thurman e Lucy Liu no final do primeiro volume de Kill Bill. Movimentos precisos, cenário surreal, neve caindo, uma fonte d´água intrometida e Santa Esmeralda ditando o ritmo. Mais uma vez Tarantino se superou.

9. Elefante: O momento em que aquela garota dá um beijo no rosto do garoto que chorava, após deixar o pai bêbado do lado de fora da escola - cena que foi para inclusive nos posters de divulgação do filme - é o resumo do que o filme de Gus Van Sant que está gritando: só é preciso dar um pouco mais de atenção.

10. Todo mundo quase Morto: A comédia do ano que ninguém viu. Uma pena. Perderam a seqüência em que alguns sobreviventes desesperados atacam a pauladas um morto-vivo ao som de Queen, cortesia de uma vitrola intrometida. Hilária.

Não entraram porque só havia espaço para dez:
 Kill Bill: Volume 2 : A Noiva saindo da cova de Paula Shultz; O confronto final entre Ellen Driver e a Noiva e A Noiva chorando no chão do banheiro antes de dar adeus ao lado da filha.
 Escola de Rock : Jack Black cantando Immigrating Song;
 Dogville : Nicole Kidman é traida e violentada na carroceria do caminhão;
 A Supremacia Bourne : A alucinante perseguição final;
 Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban : O pobre Harry brinca com seus colegas de quarto em Hogwarts, como se fosse o mais feliz e normal dos garotos;
 Homem-Aranha 2 : A luta de Homem-Aranha e Dr. Octopus sobre o trem; Mary Jane descobre que Peter Parker é o Homem-Aranha.

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Da d�cada passada: 1992: Perfume de Mulher

Mesmo se Perfume de Mulher fosse uma bomba completa, a sequência em Al Pacino convida uma desconhecida para dançar um tango já valeria a pena. É uma das sequências que mais gosto, mas não a única que fazem de Perfume de Mulher mais do que um filme para Oscar.

O personagem de Al Pacino, por exemplo, é complicadinho. Amamos por dar momentos como o tango ou a direção perigosa em uma Ferrari e o odiamos por ser um velho insuportável e mal amado. O final, não poderia ser melhor para o estilo de final feliz para os americanos: num tribunal (na escola do jovem O'Donniell), Pacino dá aquele discurso de encher os olhos de água... é lindo, mas quem não imaginava que seria daquele jeito?

Detalhe chocante: o diretor Martin Brest foi o culpado por Contato de Risco, a bomba protagonizada por Jennifer Lopez e Ben Affleck ano retrasado.

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Perfume de Mulher