segunda-feira, fevereiro 28, 2005

Chorar sorrindo...

Ufa! Já estava começando a achar que teria que escolher um dos indicados ao Oscar como melhor filme de fevereiro. Claro que Sideways levaria o prêmio, mas felizmente consegui assistir ao espanhol Mar Adentro e não tive dúvida: merece o lugar como candidato a filme do ano.

Mesmo tocando na polêmica questão da eutanásia - que pra mim é algo tão simples e racional como o próprio Ramón Sampedro defendia - o filme se torna uma delicada e emocionante (sem exageros) intromissão na vida rotineira da família que dedicou uma vida inteira aos cuidados do irmão prisioneiro do próprio corpo. Se você espera chorar tanto quanto em A Espera de um Milagre, não é mais indicado. Mas se quiser um filme que não insulte seus sentimentos nem facilite as coisas, Mar Adentro é perfeito.

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Mar Adentro

Osc�r 2005

Correndo contra o tempo, alguns comentários rápidos sobre a cerimônia do Oscar (ou OscÁr, como o apresentador da Globo teve a pachorra de mandar lá pelas tantas!):

Nunca imaginei que um dia isso aconteceria, mas estou clamando pela volta do SBT e de Rubens Ewald Filho! A poderosa Rede Globo mostrou na prática o que é fazer um programa nas coxas, sem o menor respeito pelo espectador, numa espécie de apenas "cumprimento da obrigação", um favor. Começou meia hora atrasada (ou seja, a parte mais divertida da noite toda), contratou apenas uma tradutora (a ótima Elizabete Hart) e achou que o Renato só por saber inglês poderia fazer tradução simultânea. Antes tivesse deixado o som original.

A participação de José Wilker se tornou uma piada, uma vez que ele resumiu os seus comentários a entusiasmados "legal", quando não reencarnava o seu personagem de uma novela aí e ficava no "justo, muito justo, justíssimo". Rachei de rir quando ele disse que filmes como Harry Potter e Homem-Aranha são complexos demais pra ele, mas que ele acha bonito. E por mais que eu tenha objeções quanto ao trabalho de Rubens Ewald Filho, admito e reconheço: ele faz falta na hora de apontar os filmes selecionado nos clipes pela Academia. Renato e Wilker cometeram o maior número de erros nos títulos dos filmes possíveis...

Chris Rock funcionou? Alguém me diz porque perdendo o início e todas as piadas que ele contou não posso dizer nada...

O discurso politicamente correto do presidente da Academia quase me fez vomitar... soldados defendendo o mundo, tá...

Academia, primeiro ponto: Mar Adentro leva o prêmio de melhor filme estrangeiro. Não vi os outros filmes então não posso dizer se era realmente o melhor, mas o fato de dar o prêmio a um filme de conteúdo polêmico é sempre bem-vindo.

Academia, segundo ponto (?): a cerimônia conseguiu ficar muito mais rápida, com a sensação de que caminhava com mais ritmo. Pra isso sacrificaram números musicais, de dança, de comédia. Resumindo? Ficou bem chatinha mesmo!

Academia, terceiro ponto: Oscar de melhor canção original para Jorge Drexler , do filme Diários de Motocicleta, primeira indicação de uma música na língua espanhola.

Sei que é chato ficar falando "eu disse", mas não tem como... Eu disse que Eastwood era uma ameaça aos planos de Martin Scorsese. Como já disse antes, não acho injusto não. Eastwood fez do fiapo de história de Menina de Ouro um filme comovente. Ele, Hillary Swank e Morgan Freeman - todos ganhadores na noite - são os grandes responsáveis pelo filme. Martin, meu querido, mais genialidade e menos firula da próxima vez, aí quem sabe você não leva um maldito Oscar pra casa, hein?

E finalmente, o melhor momento da noite? Drexler subindo ao palco para pegar seu Oscar de melhor canção e substituindo seu discurso por um tabefe na cara do produtor da cerimônia: cantou sua música, do seu jeito, a sua maneira e saiu do palco dando um tchau. Eita que o homem que matou de orgulho! No restante, não há um só minuto que ficará na lembrança...

PS. Coisa desnecessária a ser comentada: a Globo anunciou seu pacote de filmes para 2005. Sabe o que acho uma piada nestes anúncios? Colocar filmaços (A Identidade Bourne, Homem-Aranha 2) ao lado de bombas (Xuxa, Crossroads) como se tudo fosse maravilhoso.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

Aconteceu de novo...

Não dá pra falar muito, basta dizer que é um dos melhores filmes a que já assisti. E pior que isso parece tão pouco assim, escrito numa sentença só. Mas Era uma vez no oeste me deu aquela sensação simples, porém rara, que só sente quando se está diante de uma das coisas mais lindas que você já viu.

Aconteceu com 2001 - Uma Odisséia no Espaço, com Amadeus, com O Poderoso Chefão, com Magnólia... e agora de novo com Era uma vez no oeste. Quantas vezes mais sentirei isso de novo?

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Era uma vez no oeste

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

O melhor que se tem...

Fazia tempo que este aqui estava esperando para ser postado. O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy é um filme legal, bem acima da média das comédias que ando assistindo por aí e lembra um pouco (bem pouco) Monty Phynton quando brinca exageradamente com questões sociais.

O problema é que é uma comédia e eu tenho problemas com comédia. Ri demais em alguns momentos (Jack Black tendo um ataque na ponte é hilário, Ferrell em outros), nem tanto em outros (o show de Jazz de Ron) e simplesmente não ri em outros (o romancizinho). Já não sei mais o que está errado nos filmes de comédia e o que está errado em mim. Mas vale a pena assistir só pela derradeira piada com George W. Bush.

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O Âncora - A Lenda de Ron Burgundy

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

Hora marcada

Vi o trailer deste 11:14 e achei interessante, apesar de tudo indicar que não passava de um destes milhares de filmes B, feitos pelos arredores de Los Angeles, que têm um bom trailer mas se mostram uma verdadeira bomba mais tarde. Num ato de coragem, loquei o filme.

De fato é um filme B, no sentido de que a grana foi curta (a listinha de produtores executivos do filme, que inclui Hilary Swank, lembra os intermináveis patrocínios do cinema nacional), mas a realização tem seus méritos. Primeiro,o roteiro do também diretor Greg Marcks, que brinca com as coincidências trágicas que envolvem vários personagens, mostrando como se envolvem com um atropelamento embaixo de um viaduto.

Se não inova na temática nem no estilo - um corte destaca o momento em que começamos a enxergar os fatos pelos olhos de outro personagem - 11:14 ganha na desprentesão (não quer falar sobre destino nem sobre consequências dos atos, apesar de lembrar) e na mão segura do diretor, que garante suspense e atenção do espectador até o fim, que chega rápido (só oitenta minutos) e não machuca ninguém.

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11:14

terça-feira, fevereiro 22, 2005

www.google.com

Jorge Furtado inicia com sucesso a produção de filmes de verão, perfeitos para uma hora e meia de diversão durante as férias da escola, sem que isso signifique suportar bobagens americanas ou Xuxa e Angélica. Depois de um ano da bomba Um Show de Verão, Meu Tio Matou um Cara é um alívio para o cinema pop nacional.

E para um país com tamanha exclusão digital como o nosso, até que o filme do Furtado se sai muito bem! Atento para as mudanças que televisão, jogos, internet e música têm sobre adolescentes, ele faz a histórinha boba de uma paixão se transformar num filme que além de reflexo deste mundo cheio de informação, diverte bastante.

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Meu Tio Matou um Cara

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

Mudando tudo...de novo...

É, parece que tá tudo funcionando... depois de mais de vinte horas de programção consegui colocar no ar a versão do site em asp. Nada que vá fazer muita diferença pra quem acessa, já pra mim... A começar pelo sistema de comentários (Haloscan.com) que sumia com comentários anteriores a quatro meses. Agora é pra tudo ficar aí. Infelizmente alguns coment�rios se perderam pelo meio do caminho, outros ficaram meio fora de ordem. Mas pelo menos h� um sistema mais eficiente de coment�rios para o filme.

Amanhã eu e o Tiago voltamos com atualizações. Ah, se alguém notar algo estranho, por favor, mande um e-mail!

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Oscar 2005 - O Aviador: Scorsese se rende ao poder de seu protagonista

Sei que provavelmente estou contra a correnteza já que vários colocam O Aviador como o melhor filme dos indicados e Ray como o mais fraco. Mas pra mim, O Aviador, nova tentativa de Scorsese em voltar para o grande círculo, é um filme bonito, longo e sem alma.

Qualquer tentativa de dar emoção ou cativar o espectador tropeça na arrogância do personagem principal, que salvo seus méritos e coragem, queria mesmo era colocar todos a seus pés, inclusive as mulheres. O que o assemelha muito a outro personagem que não vejo graça alguma, James Bond. DiCaprio não atrapalha, mas também não ajuda.

Tecnicamente o filme é perfeito e eu até não me incomodaria se Scorsese levasse o Oscar de melhor diretor. Ainda que (um pouco) mais interessante que Gangues de Nova Iorque, O Aviador continua sendo um filme que não faria diferença se não existisse. Algo gravíssimo quando estamos falando de Martin Scorsese. Perigo comum a qualquer diretor que tenha obras memoráveis em sua filmografia.

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O Aviador

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Oscar 2005 - Ray: S� faltou um diretor t�o genial quanto Ray e Foxx

Ao filme Ray faltou a genialidade do próprio Ray Charles e a do seu intérprete, Jammie Foxx. Não há o que discutir e nem vou perder meu tempo falando da absurda performance do ator: é sim tudo o que falam sobre ela.

Já o filme deixa um pouco a desejar na hora de contar a história do cantor. Acerta nos flashbacks (principalmente na fotografia e no garotinho que interpreta Ray criança) e acerta muito nos shows (empolgantes e muito bem dirigidos), mas falha ao transformar alguns problemas sérios e traumáticos em desculpas fáceis (com soluções mais fáceis ainda) e ao deixar uma confusão de mulheres na cabeça do espectador.

Um diretor mais concentrado e teríamos o filme do Oscar.

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Ray

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Oscar 2005 - Menina de Ouro: o perigo para Scorsese

Se há alguém que possa ameaçar os planos de Martin Scorsese em colocar as mãos em seu primeiro Oscar é Clint Eastwood. O modelo perfeito de diretor que os membros da Academia sonham todas as noites, Eastwood não marca seus projetos pela ousadia, prefere sempre temas mais comuns, acessíveis, que não acrescentam necessariamente nada de novo.

Menina de Ouro é um exemplo disso. Seu roteiro é simples, plano e previsível. A primeira hora parece soar papelada burocrática, e o restante foi escrito com o propósito único de atacar as emoções do público. Do roteiro, salvam-se algumas sugestões interessanes sobre os personagens, mas que não são exploradas a fundo.

O que não impede, no entanto, Eastwood de fazer um filme muito bom. Seu controle, mesmo naquela primeira hora chatinha e batida, mostram seu amadurecimento como diretor, que sabe o que tem em mãos e sabe onde quer (e pode) chegar. A condução do elenco talvez seja seu maior trunfo, o que já estava certo desde Sobre Meninos e Lobos, ainda seu melhor filme.

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Menina de Ouro

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

Oscar 2005 - Sideways: o melhor filme da noite e mais fraco candidato da noite

Fato inédito na minha vida: consigo assistir os indicados ao Oscar antes da cerimônia. Curioso que acontece justamente no momento em que não estou nem aí para o prêmio, que cada vez mais contribui menos para o cinema. Na semana que antecede a escolha dos melhores de 2004 (isso na cabeça dos membros da academia já que os filmes selecionados são no máximo, os melhores de dezembro de 2004), postarei um filme a cada dia... O primeiro será o meu preferido.

O melhor dos cinco filmes indicados é (não por um acaso) o que menos se rende ao estilo "Hollywood de ser" e o que provavelmente terá menos chances na noite da entrega. Sideways, novo filme de Alexander Payne, é uma divertida (e dramática também) aventura de dois amigos que tiram uma semana para ir em busca de bebida, mulheres e de sis mesmos (tirado do material promocional).

O que mais em encanta em filmes como este de Payne é esta cara de filme sem cara de filme. A câmera é uma mera observadora, intrometida num momento íntimo e desinteressante na vida dos personagens. Não há grandes momentos, nem grandes revelações, super-heróis, efeitos-especiais ou o glamour obrigatório num filme de Oscar. Há apenas a preocupação despreocupada em mostrar o mundinho inexplicável dos homens. E eles querem entender as mulheres... Nesta delícia (literal) de filme, nem metáforas com vinho e uva soam esnobes.

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Sideways - Entre umas e outras

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Mar Aberto

Mar Aberto � um filme inc�modo. Foi feito em digital, a fotografia n�o � aquela maravilha, mas funciona e muito, como suspense, algo que filmes tecnicamente mais bonitos, como O Colecionador De Ossos e 15 Minutos falharam miseravelmente.

Pois bem, est� longe de ser mero entretenimento, mas tamb�m de ser um filme de arte, um cult. Enfim, � para poucos gostarem. E muito.

O suspense dos anos 90

O post de Seven acabou levando a uma discussãozinha rápida sobre o melhor suspense da década de 90, em que os concorrentes incluiam o próprio Seven e O Silêncio dos Inocentes.

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Boa pergunta para o fim de semana, não acham?! Deixem seus comentários com os votos e um rápido motivo. Além dos dois já indicados, você também pode fazer sugestões de outros filmes que merecem destaque no gênero na década passada, como O Sexto Sentido ou Os Suspeitos.

Caso indiquem mais de um, em ordem de preferência. Bom fim de semana a todos!