
Com um atraso monstruoso - digno da distribuição comum a qualquer filme que realmente valha a pena assistir neste país - consegui conferir o filme mais badalado do ano. Um brasileiro, por sinal, o que sempre é um bom sinal.
E bom é como pode se classificar 2 Filhos de Francisco – oportunamente batizado com o subtítulo “A História de Zezé Di Camargo e Luciano” –, um filme de ótimos momentos, mas que não consegue fugir do padrãozinho de cinebiografias. Uma cinebiografia de uma história de sucesso, o que é muito, muito pior.
Assim, os momentos tocantes da luta do Francisco (um Ângelo Antônio de fazer chorar e rir, com segundos de distância) em suas humildes tentativas iniciais de lançar os filhos no cenário musical – principalmente praqueles de origem rural, como a minha e de minha família que, detalhe, pararam pela primeira vez em anos (a última vez foi com A História de Maria Mãe de Jesus, ou algo que valha) para sentarem-se no sofá e assistir a um filme – contrastam com o restante menos preocupado com os detalhes gostosos e simples de antes. Basta o sumiço dos garotos – encantadores em cena – para que o filme perca a graça. Piora de vez quando os próprios – Zezé Di Camargo e Luciano – aparecem em cena visitando a antiga casinha da infância.
A preocupação de todos os envolvidos com o filme, em vez do preconceito para com a dupla e com a música “sertaneja” - o que no meu caso, é conceito mesmo - deveria ter recaído em fugir do feijão com arroz. Mas como todos sabemos que neste país, o que vende mesmo, é feijão com arroz e CD de Zezé Di Camargo e Luciano, fica até chato reclamar.
2 Filhos de Francisco
2 Filhos de Francisco, Brasil, 2005
Direção: Breno Silveira
Elenco: Márcio Kierling, Thiago Mendonça, Ângelo
Antônio, Dira Paes, Paloma Duarte
Nenhum comentário:
Postar um comentário