Bud Clay – ou Vincent Gallo, já que sua interpretação crua mais os acúmulos da função de protagonista, roteirista e diretor de seu pequeno filme quase que quebram totalmente os limites da ficção – está acabado. Sua frustração e dor estão explícitas em cada segundo de The Brown Bunny. Provavelmente Gallo intencionava um filme intimista, mas o explícito é muito mais recorrente em seu filme.
E não falo apenas da famosa cena do sexo oral que acontece a poucos minutos do final. Ainda que longa e explícita, ela quase se torna singela quando os créditos finais chegam. Gallo pode ser facilmente acusado de querer gerar polêmica ou de sensacionalismo. Nada mais esperado quando o mundo parece se tornar cada vez mais cheio de pudores e regras, principalmente àquelas que regem o comportamento sexual. Mas em momento algum, a seqüência sobra dentro do filme.
Na uma hora anterior, no entanto, Gallo deixa explícito o desolamento de seu personagem pelo olhar distante que encara o horizonte infinito da estrada. Entre uma parada e outra, Clay apenas dirige seu furgão ou corre com sua moto pelo deserto. Roda horas e horas pelas esquinas em busca de prostitutas para mostrar sem nenhuma sutileza que espera encontrar nelas o rosto de uma única mulher.
E haja paciência para tanta tristeza. A necessidade de Gallo em mostrar a situação de seu personagem é tamanha que cansa quando começamos a nos desinteressar com tanta estrada e tantas lágrimas. Depois de uma hora e vinte em que nada de substancial acontece (incluindo a tal cena do sexo oral), Gallo traz a grande explicação final – essa sim quase obscena – que tenta justificar todo o filme. Salva da danação do total, mas não salva The Brown Bunny de ser um filme que tinha muito pouco a falar.
The Brown Bunny
(com chances de subir numa revisão)
The Brown Bunny, EUA, 2003
Direção: Vincent Gallo
Elenco: Vincent Gallo e Chloë Sevigny
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