sábado, maio 20, 2006

Jogo limpo

Numa destas insuportáveis discussões num destes insuportáveis fóruns de cinema – o que explica porque desisto de qualquer um – tentava-se definir o que era um cinéfilo: fã de cinema, entendedor de cinema (tecnicamente, inclusive), rato de locadora, lanterninha de cinema... páginas de discussão a frente (leia-se, muitos insultos) e o certo é que não consegui me enquadrar em qualquer uma delas. Assisto filmes e pronto. Digo isso porque acredito que um cinéfilo teria algo pra dizer sobre um filme de Woody Allen. Que este é mais que aquele outro dele, ou menos que aquele daquele ano, que é menos seu estilo ou uma retomada do seu estilo.

Não faço idéia de quem seja Woody Allen (talvez esteja perdendo algo por isso) e confesso certa apreensão antes da sessão iniciar. O ritmo lento de romance e sedução, aliado a beleza estonteante do casal protagonista logo sufocaram a apreensão e estava já eu pronto pra assistir a uma bela e tórrida história de amor.

Só pra descobrir que Allen havia escrito um dos (senão o mais, ainda é cedo pra falar) surpreendente script do ano! Mais que isso, Match Point é um exemplo de controle de cada elemento de um filme que tem como finalidade manipular as emoções de quem o assiste, de um livro que é citado ao apartamento novo do casal de fachada.

Há uma incerteza constante sobre as motivações e interesses que cercam o romance secreto de Chris e Nola que nos persegue até o último momento, quando nos pegamos num final misto de absurdo e cômico. Uma exótica mistura de emoções e motivações que assustam, mas que – surpresa! – contam uma história de amor. Eu adoro filmes românticos.

Ponto Final - Match Point
Match Point, EUA, Inglaterra, 2005
Direção: Woody Allen
Elenco: Jonathan Rhys-Meyers, Scarlett Johansson, Alexander Armstrong, Matthew Goode, Brian Cox, Penelope Wilton

sexta-feira, maio 19, 2006

sexta-feira, maio 12, 2006

Still alive 2: Derretendo

A Era do Gelo tem o formato perfeito para um seriado. Recheado de situações episódicas, o primeiro e o segundo filme completam uma temporada completa, com a possibilidade de ainda explorar melhor vários dos personagens que pulam alguns segundos na tela, fazem uma graça e somem (ou extinguem-se, como queiram).

Talvez por isso que A Era do Gelo 2, o filme, pareça tão ... A Era do Gelo! O gelo estar derretendo é apenas um mero detalhe. Parece que nem o fato de Manfred estar diante de uma nova parceira em potencial consegue fazer mais do que servir de escada pra repetir as mesmas situações de antes. Sobra apenas a frustrante sensação de “mais um”.

E o que parece agradar a maioria, o esquilo (ou seja lá o que for exatamente aquele ser) Scrat, pra mim só serviu pra deixar tudo mais lento e chato.

A Era do Gelo 2
Ice Age 2: Meltdown, EUA, 2005
Direção: Carlos Saldanha
Elenco: Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary, Queen Latifah

The cure

Adoro essa mulher.
E se o filme for metade do que trailers, teasers, clips e TV spots prometem, Superman vai ter que fazer muito este ano.

quarta-feira, maio 10, 2006

Still alive 1: Discurso e força

De rápido e pior que pode ser dito sobre V de Vingança há o fato de que não apresenta qualquer inovação, visual ou não. Nenhuma surpresa, o filme é “dirigido” por James McTeigue, pupilo dos irmãos Matrix. Também há exagero no início com discursos intermináveis e impossíveis de se compreender em tão pouco tempo.

Mas quando termina – e termina muito bem –, V de Vingança mostra sua melhor qualidade e conseqüentemente, sinaliza que pode ser um filme a ser lembrado deste ano. Herança dos quadrinhos de Alan Moore, o discurso sobre o quanto de força e violência deve ser usado pra que se possa fazer a liberdade e a democracia começa devagar e transforma a alma do filme nascido pra fazer dinheiro.

Há um ataque direto aos governos que usam desta violência e terror pra fazer valer sua ordem e um questionamento sobre o porque de também não usar a mesma violência – e também terror – pra conseguir fazer com que a liberdade seja restabelecida. O fato é que tanto para se tomar a liberdade quanto para lhe devolver a liberdade, o discurso é sempre em pró da liberdade. Exato momento em que o knife time deixa de ser o mais legal do filme.

V de Vingança
V for Vendetta, EUA, 2005
Direção: James McTeigue
Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, John Hurt, Roger Allam, Clive Ashborn