Numa destas insuportáveis discussões num destes insuportáveis fóruns de cinema – o que explica porque desisto de qualquer um – tentava-se definir o que era um cinéfilo: fã de cinema, entendedor de cinema (tecnicamente, inclusive), rato de locadora, lanterninha de cinema... páginas de discussão a frente (leia-se, muitos insultos) e o certo é que não consegui me enquadrar em qualquer uma delas. Assisto filmes e pronto. Digo isso porque acredito que um cinéfilo teria algo pra dizer sobre um filme de Woody Allen. Que este é mais que aquele outro dele, ou menos que aquele daquele ano, que é menos seu estilo ou uma retomada do seu estilo.
Não faço idéia de quem seja Woody Allen (talvez esteja perdendo algo por isso) e confesso certa apreensão antes da sessão iniciar. O ritmo lento de romance e sedução, aliado a beleza estonteante do casal protagonista logo sufocaram a apreensão e estava já eu pronto pra assistir a uma bela e tórrida história de amor.
Só pra descobrir que Allen havia escrito um dos (senão o mais, ainda é cedo pra falar) surpreendente script do ano! Mais que isso, Match Point é um exemplo de controle de cada elemento de um filme que tem como finalidade manipular as emoções de quem o assiste, de um livro que é citado ao apartamento novo do casal de fachada.
Há uma incerteza constante sobre as motivações e interesses que cercam o romance secreto de Chris e Nola que nos persegue até o último momento, quando nos pegamos num final misto de absurdo e cômico. Uma exótica mistura de emoções e motivações que assustam, mas que – surpresa! – contam uma história de amor. Eu adoro filmes românticos.
Ponto Final - Match Point
Match Point, EUA, Inglaterra, 2005
Direção: Woody Allen
Elenco: Jonathan Rhys-Meyers, Scarlett Johansson, Alexander
Armstrong, Matthew Goode, Brian Cox, Penelope Wilton