terça-feira, fevereiro 21, 2006

A Margem

Poucas vezes começo a assistir um filme sem saber absolutamente nada sobre ele. No mínimo, sinopse é algo que estou a par. Outros, como no caso de Clean, o máximo que conheço é a devoção que recebeu de alguns cinéfilos, infelizmente não compartilhada por mim.

Ainda que estejamos falando de um filmaço – a atuação de Cheung, a trilha sonora e o visual de chorar – sobre um assunto nada original, porém tratado sem as soluções comuns, por vezes me senti a margem da história da mulher que leva o golpe que lhe lembra ainda ter um filho.

Recuperar-se das drogas, convencer ao filho que pode amá-lo e provar a si e aos outros que tem talento. Tá, não entendi mesmo porque não gostei do filme. Talvez três clichezinhos a mais e eu teria adorado. Vai entender. Vou dormir (e quem sabe reassistir ao filme daqui a alguns dias).

Clean
Clean, França, Inglaterra, 2004
Direção: Olivier Assayas
Elenco: Maggie Cheung, Nick Nolte, Béatrice Dalle, Jeanne Balibar

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Alfred 2005

Como é tradição entre os blogueiros da Liga dos Blogues, segue abaixo os meus favoritos ao prêmio, que terá seus ganhadores anunciados logo mais, as 22h30 (horário de Brasília).

  • filme do ano: Marcas da Violência [Oldboy é incrível, Terra dos Mortos é absurdo, mas o filme de Cronenberg me pegou sem chances de pensar em outro candidato]
  • direção: David Cronenberg, por Marcas da Violência [Vale o mesmo comentário de filme de ano]
  • ator: Jamie Foxx, por Ray [com o coração quebrado por ter preterido Javier Bardem]
  • atriz: Emmanuelle Devos, por Reis e Rainha [Meu voto era de Natalie Portman, até semana passada conferir Reis e Rainhas]
  • ator coadjuvante: Willian Hurt, por Marcas da Violência [Sim, ele aparece só alguns minutos. Bastou.]
  • atriz coadjuvante: Rachel Weisz, por O Jardineiro Fiel [Maria Bello está devastadora no campeão da noite, mas Weisz é a força do filme de Meirelles]
  • roteiro original: Reis e Rainha [Já assistiu este filme? Então não preciso dizer porque, né?]
  • roteiro adaptado: Marcas da Violência [Mais uma vez, Oldboy esteve a um passo de levar este também]
  • elenco: Marcas da Violência
  • cena do ano: Marcas da Violência [Uma das mais complicadas categoria, mas aquele corte com o olhar do Mortensen foi a melhor coisa que vi este ano]
  • fotografia: O Jardineiro Fiel
  • montagem: Reis e Rainha [Juro que vou escrever sobre este filme]
  • direção de arte: A Fantástica Fábrica de Chocolate [Começam as indicações que o filme levou]
  • figurinos: A Fantástica Fábrica de Chocolate
  • maquiagem: Terra dos Mortos
  • música: A Fantástica Fábrica de Chocolate
  • disco: A Vida Marinha de Steve Zissou [Que quase levou elenco também]
  • canção: "So Long & Thanks for All the Fish", O Guia do Mochileiro das Galáxias
  • sonoplastia: King Kong [1 de 2]
  • efeitos visuais: King Kong [2 de 2]
  • pior filme: Crash - No Limite [Sim, houveram produções piores, mas este aqui merece!]
  • Inocente

    O receio para com a versão cinematográfica de As Crônicas de Nárnia (me recuso a escrever o restante do título, este blog tem limite no tamanho do post, afinal) era de que o resultado fosse infantil demais (algo que ouvi aqui e ali). Surpresa foi descobrir que o que salva o filme é justamente a ingenuidade que paira sob a atmosfera de Nárnia.

    Vendido como uma opção aos fãs abandonados da trilogia do anel, o filme ainda precisaria mais do que bons efeitos, criaturas incríveis e seres malignos querendo dominar mundos para conseguir ser bom de verdade. Principalmente quando não conta com uma mão firme na direção. Peter Jackson é um exagerado, mas sabe segurar alguém na poltrona (ou pelo menos sabia, até King Kong colocar isso em dúvida).

    A aventura corre sem pressa, trotando como um fauno, apelando para a graça dos protagonistas infanto-juvenis, certo de que basta ser bonito visualmente e simples na história pra conseguir ser bom. Acerta, o filme é bom. Mas só bom.

    As Crônicas de Nárnia, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa
    The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, EUA, 2005
    Direção: Andrew Johson
    Elenco: Georgie Henley, William Moseley, Skandar Keynes, Anna Popplewell, Tilda Swinton

    Alfred 2005

    Há três anos, a Liga dos Blogues Cinematográficos se reúne para eleger os melhores do cinema. O Alfred tem 23 categorias em que cinéfilos dos quatro cantos do país - e até de fora dele - apontam indicados e vencedores. O grupo começou com pouco mais de 30 membros e agora já chega a 57 integrantes. Nesta segunda-feira, a partir das 22h30, horário de Brasília, serão anunciados os vencedores do Alfred 2005. Quem quiser pode acompoanhar tudo online no site da liga: www.ligadosblogues.blogspot.com.

    quarta-feira, fevereiro 08, 2006

    Feijão com arroz

    Com um atraso monstruoso - digno da distribuição comum a qualquer filme que realmente valha a pena assistir neste país - consegui conferir o filme mais badalado do ano. Um brasileiro, por sinal, o que sempre é um bom sinal.

    E bom é como pode se classificar 2 Filhos de Francisco – oportunamente batizado com o subtítulo “A História de Zezé Di Camargo e Luciano” –, um filme de ótimos momentos, mas que não consegue fugir do padrãozinho de cinebiografias. Uma cinebiografia de uma história de sucesso, o que é muito, muito pior.

    Assim, os momentos tocantes da luta do Francisco (um Ângelo Antônio de fazer chorar e rir, com segundos de distância) em suas humildes tentativas iniciais de lançar os filhos no cenário musical – principalmente praqueles de origem rural, como a minha e de minha família que, detalhe, pararam pela primeira vez em anos (a última vez foi com A História de Maria Mãe de Jesus, ou algo que valha) para sentarem-se no sofá e assistir a um filme – contrastam com o restante menos preocupado com os detalhes gostosos e simples de antes. Basta o sumiço dos garotos – encantadores em cena – para que o filme perca a graça. Piora de vez quando os próprios – Zezé Di Camargo e Luciano – aparecem em cena visitando a antiga casinha da infância.

    A preocupação de todos os envolvidos com o filme, em vez do preconceito para com a dupla e com a música “sertaneja” - o que no meu caso, é conceito mesmo - deveria ter recaído em fugir do feijão com arroz. Mas como todos sabemos que neste país, o que vende mesmo, é feijão com arroz e CD de Zezé Di Camargo e Luciano, fica até chato reclamar.

    2 Filhos de Francisco
    2 Filhos de Francisco, Brasil, 2005
    Direção: Breno Silveira
    Elenco: Márcio Kierling, Thiago Mendonça, Ângelo Antônio, Dira Paes, Paloma Duarte

    quarta-feira, fevereiro 01, 2006

    Contato

    E ae povo!

    Desde a semana passada não me sobra tempo pra escrever coisa alguma, apesar de ter conferido alguns filmes (Clean, 2 Filhos de Francisco). Culpa da mudança a que fui submetido. O retorno (em breve, eu espero) contará com textos sobre estes dois filmes acima, além de todos que vêem com a enxurrada do Oscar (Munique, Capote, Brokeback Mountain, Transamerica e outros).

    Meu último compromisso do blog cumprido foi enviar os votos para o Alfred 2006. Uma pena que vi tão poucos filmes no ano passado que afetou drasticamente meu poder de foco. Enfim, o resultado dos indicados ao prêmio será anunciado próxima segunda-feira, a partir das 22:30hs, no site da própria Liga.