quarta-feira, agosto 02, 2006

Quando

Quando aquela típica racionalidade interesseira cheia de armadilhas é suprimida, há o surgimento de um ambiente desconhecido, pouco confortável, isento de sons, de imagens, de palavras e atos que nos levem a reconhecer e antecipar (racionalmente) o que move e o que motiva.

Quando a supervalorização acerca da razão é então quebrada e reconhecida, cabe a capacidade primária sensorial - há tanto aposentada por invalidez - a função de levar ao centro do cérebro (aquele que pensa sentindo, não o que apenas pensa) as sensações que dão peso, cheiro, textura e luz a este novo mundo.

Quando Malick nos propõe rever a famosa história da chegada inglesa às terras norte-americanas, ele sabe que Pocahontas já foi feito pela Disney, que a trama já é conhecida, que os personagens já estão definidos, tirando exatamente daí a obrigação de fugir do que racionalmente é esperado e apostar no que certamente é rejeitado e inapropriado.

Quando a ingênua jovem índia sem nome é descoberta na tela com uma beleza que flerta com a beleza da própria américa virgem e inexplorada também é descoberto que a terra não é virgem tanto quanto a índia (apaixonante, bela, doce, suave, misto de virgem intocável do romantismo com heroína de atitude de história em quadrinho) não é a ingenuidade forçada e enganada vítima dos seres civilizados.

Quando este mundo novo excitante selvagem cruel se manifesta, são abandonadas as últimas tentativas de reconhecimento sobre o que é certo e errado, sobre quem são os heróis e quem são os bandidos, sobre sob o que vale morrer e o que vale viver, restando muito pouco sobre o que falar (de forma racional, linear, ilustrativa e demonstrativa) de um filme que se tem tanto para sentir.

Quando as luzes se acendem, o mundo da razão ilumina novamente deixando um vazio forte e intenso, que não dá respostas e empurra tudo o que foi sentido por duas horas lá pra dentro novamente.

O Novo Mundo
The New World, EUA, 2005
Direção: Terrence Malick
Elenco: Colin Farrell, Q'Orianka Kilcher, Christian Bale, Kirk Acevedo, Jason Aaron Baca, Irene Bedard

setenta:8

Os únicos dois filmes de Roman Polanski que conferi foram O Bebê de Rosemary (e não pude conferir até o fim, veja bem) e O Pianista. Em ambos, há uma complexidade, seja visual ou seja temática, que me faziam esperar algo tão complexo quanto em Chinatown.

Não que o filme seja simples e regular. Pelo contrário, a escolha de planos (todos os que se encontram dialogando são memoráveis), da trilha sonora, dos detalhes em como as pistas da trama são distribuídas durante suas duas horas de duração apenas mostram uma complexidade diferente. Digamos, que seja menos pesado, mas não menos complexo.

Hipnótico, no melhor estilo dez-minutos-em-duas-horas, não tem o final-surpresa contemporaneamente exigido, preferindo manter a tensão e apreensão do espectador até o último minuto, antes de confirmar (ou não) as suspeitas sobre o mistério da trama e, só então, se explicar.

Enfim, típico ótimo-filme que não há muito o que ficar falando.

Chinatown
Chinatown, EUA, 1974
Direção: Roman Polanski
Elenco: Jack Nicholson, Faye Dunaway, John Huston, Perry Lopez, John Hillerman

setenta:(eu não disse!)

Este aqui está no mesmo nível de O Sentido da Vida: as piadas estão lá, são bem construídas (algumas delas levam um tempo enorme pra serem construídas), são reforçadas por um visual que ora quer se fazer sério, ora parte pra sacaneação generalizada. Mas nada consegue (me) fazer rir.

Um amigo me olhou espantado com essa definição (boas piadas que não são engraçadas), mas foi a única maneira que consegui descrever a frustração em conferir o filme do grupo inglês, ainda mais depois da ótima experiência com A Vida de Brian.

Monty Python em Busca do Cálice Sagrado
Monty Python and the Holy Grail, EUA, 1975
Direção: Terry Gilliam e Terry Jones
Elenco: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Terry Jones, Connie Booth

segunda-feira, julho 31, 2006

Soon

Tempinho rápido pra perguntar: alguém já viu o trailer do novo filme do Scorsese? Wow!

quarta-feira, julho 12, 2006

setenta:5

O que mais me assustava enquanto assistia a Noivo Neurótico, Nova Nervosa - ainda mais do que redescobrir o prazer em assistir a uma comédia gostosa e engraçada sem qualquer coisa lembre as “comédias” de hoje (perdi quando foi que acepção da palavra comédia sofreu mutação) – era em como me identificava com o personagem de Alllen!

Talvez por isso eu tenha sido arrastado tão facilmente pra dentro do mundinho (propositalmente?) complicado de um homem que desistiu de acreditar que as coisas poderiam ser lindas, fáceis e apaixonantes (lembra-me, mais uma vez, um amigo dizendo que só “sei complicar as coisas”).

Um trabalho enérgico, criativo, exagerado e divertidíssimo, contando com inúmeras soluções (como a tela sendo dividida em duas partes, na talvez melhor seqüência do filme) que quando aparecem hoje, fazem a festa e lançam o diretor como candidato a "promissor". Grande coisa (ironia para o presente, elogio sincero àquele tempo).

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
Annie Hall, EUA, 1977
Direção: Woody Allen
Elenco: Woody Allen, Diane Keaton, Tony Roberts, Carol Kane, Paul Simon, Shelley Duvall

segunda-feira, julho 10, 2006

setenta:23

Oficialmente o único filme de Monty Python que realmente me fez rir (e não apenas me fez esboçar risos, como os demais). Trançando um paralelo entre a vida do protagonista Brian (um judeu filho de romanos cheio de sonhos de libertação para sua terra) e vida do próprio criador. Considerando o tom anárquico costumeiro e a total falta de inibição ao fazer graça, principalmente no tocante a religião, é surpreendente como que A Vida de Brian ainda consegue manter um certo respeito para com JC!

Sacaneia com todos os preceitos judaico-cristãos, mas o filho de deus ainda tem sua dignidade respeitada, já que Brian e seus comparsas o acompanham de longe. Preferem fazer graça com os sermões, com a nobreza romana (sequência hilária), com os apedrejamentos (ainda mais hilária que a anterior) sem perder a chance de cutucar toda a sociedade dos dois mil anos depois daqueles (o grupo libertário cheio de discurso só não é melhor do que Loretta).

Pena que não temos mais este povo junto hoje, num período que poderia ser o melhor pra se fazer piada (não demora a chegar o dia em que os próprios apresentadores de telejornais rirão ao anunciar algo).

A Vida de Brian
Life of Brian, Inglaterra, 1979
Direção: Terry Jones
Elenco: Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terence Bayler, Terry Gilliam, Terry Jones

sábado, julho 08, 2006

setenta:11

Com sua costumeira capacidade de desviar a atenção do espetáculo fácil (tão procurado por tantos outros "cineastas"), Milos Forman cria em Um Estranho no Ninho a possibilidade para que todos os elementos do filme se destaquem, do elenco de primeira ao cenário, fugindo da armadilha fácil que seria criar uma espécie de Sociedade dos Poetas Mortos na vesão manicômio.

Ainda que não haja muita originalidade na visão crítica e denunciativa sobre a maneira como internos de uma instituição para cuidados de doentes mentais (é preciso lembrar também que este filme tem mais de 30 anos de idade), Um Estranho no Ninho marca mais pelas atuações de Jack Nicholson como doido nada bobo e a enfermeira durona na pele da bela Louise Fletcher.

Uma briga linda, entre a vontade de viver e a de controlar, a anarquia desestabilizante (por vezes, prejudicial) e o positivismo normatizador e cheio de objetivos (mas tão prejudicial quanto), a liberdade sexual pós-60 e a necessidade de ter a cabeça no lugar (nem que seja a base de eletrochoque). Coisa que Forman sempre gostou e soube como trabalhara.

Um Estranho no Ninho
One Flew Over the Cuckoo's Nest, EUA, 1975
Direção: Milos Forman
Elenco: Jack Nicholson, Louise Fletcher, William Redfield, Michael Berryman

Anos 70

A Liga dos Blogues Cinematográficos apresentou no último dia 5 a lista dos melhores filmes da década dos anos 70, segundo seus membros. Clique aqui e confira o resultado. Também não deixe de conferir o ranking dos anos 80 (aqui) e anos 90 (aqui).

Os próximos posts se referem exatamente a filmes desta década que foram conferidos pra engrossar a lista de votantes (e que são obrigação na lista de qualquer um).

segunda-feira, julho 03, 2006

Segundo Plano

Ok, concordo com o Chico que talvez tenha sido O Código Da Vinci o filme do ano escolhido pra ser malhado (todo ano há um destes). E até faria das palavras dele as minhas se... eu não tivesse dormido a maior parte da sessão.

Sou crítico ferrenho do livro (mesmo tendo me divertido muito enquanto o lia e recomendando-o a qualquer um que queria leitura rápida, ágil, divertida e inofensiva – ao contrário do que muita gente acredita) e não esperava grande coisa do filme. Mas pelo menos tão divertido ou cheio de ação quanto o livro ele (o filme) deveria ser! Era obrigatório! Era esperado! Era o mínimo!

Mas estamos falando de um filme de Ron Howard, serzinho da qual não se pode esperar muita coisa e, que neste filme, consegue ser ainda pior do que sempre foi. Não sei como o filme soa a quem nunca leu o livro, não sei se essas pessoas entenderão algo. Mas fora isso não há ação, romance, revelações ou piadinhas cretinas o suficiente pra que me convença a indicar o filme.

O certo é que fui assistir, assim como comprei o livro. Ambos pelo mesmo motivo: estavam no topo. E talvez justamente isso “injustifique” toda a minha revolta.

O Código Da Vinci The Da Vinci Code, EUA, 2006 Direção: Row Howard Elenco: Tom Hanks, Audrey Tautou, Ian McKellen, Alfred Molina, Jürgen Prochnow, Paul Bettany, Jean Reno

quarta-feira, junho 21, 2006

Acumulando

Última semana para conferir algumas produções dos Anos 70 para a votação da Liga dos Blogues. Se der, ainda esta semana volto a atualizar com alguns filmes desta década (Um Estranho no Ninho, Chinatown, A Vida de Brian, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa) e se tomar coragem, também sobre O Novo Mundo, um dos filmes do ano.

sexta-feira, junho 16, 2006

Rindo da desgraça própria

Não há muita unidade no filme de Dean Parisot (roteiro do mesmo de O Virgem de 40 anos). Começa com apresentação legendada de personagens, alterna entre gags mais espertas com pastelão e se consuma com um filme que quer criticar o dinheiro, o sistema e a corrupção (outra piada, já que eles nem mora no Brasil para falar nisso com alguma autoridade).

Quando está lutando pra fazer cada uma destas unidades isoladas, As Loucuras de Dick e Jane, se sai bem, mesmo quando Tea Leoni parece estar quadras atrás de Jimmy Carey na corrida pra tentar ser engraçada. Nada que consiga tirar a graça das seqüências de roubo, mas fico imaginando o que Cameron Diaz (a primeira contratada para o papel) não faria em seu lugar. E o final, cheio de bom mocismo, não chega a atrapalhar. Até chega a colocar um sorrizinho no rosto quando nos faz pensar “ah! como seria bom”.

Na briga pela comédia mais comédia do fim de semana (concorria justamente com o filme de Steve Carell), levou o ponto (não muito a frente da anterior).

As Loucuras de Dick e Jane
Fun with Dick & Jane, EUA, 2005
Direção: Dean Parisot
Elenco: Jim Carrey, Téa Leoni, Alec Baldwin, Richard Jenkins, Angie Harmon

Rindo da desgraça alheia

Se não fosse pela magnética presença de Steve Carell (algo que se prova apenas olhando para o cartaz de divulgação do filme), O Virgem de 40 Anos não passaria de mais uma comédia de ótimo argumento que se acovarda e termina naquele lugarzinho comum e chatinho que virou regra. Algumas delas, como este, até se perdem no gênero, se rendendo a parente comédia-romântica (nem cômica, nem romântica).

Se tudo não tentasse ser mais do que apenas curtir com a hilária (e assustadora) situação de um homem que, graças a algumas falhas, negou-se o direito de fazer sexo por mais de 40 anos, o filme cumpriria bem seu papel (só divertir). Mas há aquela necessidade boba de ter bons motivos, ter boa moral, ter bom final, ter uma esperança aos virgens perdidos deste mundo afora.

Ás vezes, é preciso decidir: faz-se um bom filme, ou faz-se um filme bom.

O Virgem de 40 Anos
The 40-Year-Old Virgin, EUA, 2005
Direção: Judd Apatow
Elenco: Steve Carell, Catherine Keener, Paul Rudd, Romany Malco, Seth Rogen, Elizabeth Banks

quarta-feira, junho 14, 2006

Cartoon pra gente "grande"

Para uma sessão de filmes como este Missão: Impossível III, uso a mesma tática adotada para curtir um bom episódio de Tom & Jerry: todas as regras físicas, todos os fenômenos químicos e todas as regras lógicas de alguns séculos de catalogação estão suspensas em função da diversão.

Nem é preciso ter 6 anos de idade de novo pra saber que Tom & Jerry ganhariam uma parada com Ethan Hunt fácil, fácil. Mas a terceira aventura do agente secreto que mais muda de agência tem seus momentos, principalmente aqueles em que algo explode (o ataque a ponte, com o específico momento do míssil jogando Cruise contra o carro, por exemplo) e esperta condução de J. J. Abrams, que sabe jogar com o tempo e com as imagens pra prender sua audiência.

É rápido e letal, parece ter 10 minutos de duração. E ganha com isso a impressão de que foi muito mais filme do que apenas ótimas seqüências encadeadas de ação com gente bonita se esbofeteando por um argumento batido. O que já é um mérito considerável.

Missão: Impossível III
Mission: Impossible III, EUA, 2006
Direção: J. J. Abrams
Elenco: Tom Cruise, Ving Rhames, Keri Russell, Philip Seymour Hoffman, Bahar Soomekh, Laurence Fishburne, Billy Crudup, Simon Pegg

domingo, junho 11, 2006

A cura

Tenho uma ligação toda pessoal e particular pelos X-Men (os do cinema, não conheço os demais), expostos em filmes que equilibram poderes de imagem e idéias sobre um mundo não tão diferente do nosso, ainda que fixado na fantasia.

Talvez este seja o motivo pela minha necessidade de gostar da terceira aventura dos mutantes, X-Men: O Confronto Final. Não que o filme não tenha os seus méritos, Ratner cumpriu até bem a façanha de assumir a bomba que o filme se tornou, lutando contra ulta-expectativas, fãs xiitas e a sombra do cirurgião Bryan Singer. X3 é tenso, rápido (inclusive no tempo de projeção) e corajoso na hora de decidir quem ganha e quem perde.

Também cumpre com sua função de divertir e encher os olhos com ação e aventura, mesmo quando tem o broxante início com o encontro com uma sentinela. Algo corrigido no final, quando se justifica a enorme lista anunciada de mutantes no tal confronto final.

Mas são nos detalhes que o terceiro filme tanto perde para os demais. Para o segundo, pra ser exato. Singer conseguia exprimir a alma do filme (a questão do ser diferente) em seqüências de fazer chorar, como aquela em que o Homem de Gelo abre seus poderes para seus pais; enquanto Ratner beira o constrangimento quando não consegue soar mais do que bobo ao tentar, por exemplo, justificar uma preocupante decisão de Vampira com um clichê de doer (que ainda consegue quebrar bem o ritmo do filme).

E quando se lembra de Vampira, também se lembra de outros personagens que apareceram em cena, mas pareceram não cumprir muito bem seu papel. Anjo, amplamente usado no material de divulgação (pelo óbvio impacto visual) não tem mais do que a excepcional seqüência de apresentação (que já havia circulado na internet, inclusive) para não abrir mais a boca.

Num universo com tantos, há o perigoso desejo de dar espaço a todos. Mas Singer mostrou que estava certo em dar mais atenção em alguns primeiro, depois a outros. A maneira como Jean Grey e sua Fênix são fundidas no roteiro é um de seus pilares, mas imagino qual não seria o resultado com ela sendo O pilar de todo o roteiro.

Detalhes que impedem X3 de ser tão bom quanto seu antecessor foi. Principalmente, porque ainda que mal desenvolvido em certos aspectos, há um argumento corajoso movendo o filme, explícito e forte o suficiente para fazer frente a qualquer outro filme que tenta tal pretensão (e menos efeitos especiais).

PS para quem já viu o filme: O que diabos aconteceu com a minha deusa, Mística?
Ps para quem já viu o filme até depois dos créditos: Pelo menos o Xavier sobrou, né?

X-Men : O Confronto Final
X-Men: The Last Stand, EUA, 2006
Direção: Brett Ratner
Elenco: Patrick Stewart, Hugh Jackman, Ian McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, Anna Paquin, Kelsey Grammer, Rebecca Romijn

sábado, maio 20, 2006

Jogo limpo

Numa destas insuportáveis discussões num destes insuportáveis fóruns de cinema – o que explica porque desisto de qualquer um – tentava-se definir o que era um cinéfilo: fã de cinema, entendedor de cinema (tecnicamente, inclusive), rato de locadora, lanterninha de cinema... páginas de discussão a frente (leia-se, muitos insultos) e o certo é que não consegui me enquadrar em qualquer uma delas. Assisto filmes e pronto. Digo isso porque acredito que um cinéfilo teria algo pra dizer sobre um filme de Woody Allen. Que este é mais que aquele outro dele, ou menos que aquele daquele ano, que é menos seu estilo ou uma retomada do seu estilo.

Não faço idéia de quem seja Woody Allen (talvez esteja perdendo algo por isso) e confesso certa apreensão antes da sessão iniciar. O ritmo lento de romance e sedução, aliado a beleza estonteante do casal protagonista logo sufocaram a apreensão e estava já eu pronto pra assistir a uma bela e tórrida história de amor.

Só pra descobrir que Allen havia escrito um dos (senão o mais, ainda é cedo pra falar) surpreendente script do ano! Mais que isso, Match Point é um exemplo de controle de cada elemento de um filme que tem como finalidade manipular as emoções de quem o assiste, de um livro que é citado ao apartamento novo do casal de fachada.

Há uma incerteza constante sobre as motivações e interesses que cercam o romance secreto de Chris e Nola que nos persegue até o último momento, quando nos pegamos num final misto de absurdo e cômico. Uma exótica mistura de emoções e motivações que assustam, mas que – surpresa! – contam uma história de amor. Eu adoro filmes românticos.

Ponto Final - Match Point
Match Point, EUA, Inglaterra, 2005
Direção: Woody Allen
Elenco: Jonathan Rhys-Meyers, Scarlett Johansson, Alexander Armstrong, Matthew Goode, Brian Cox, Penelope Wilton

sexta-feira, maio 19, 2006

sexta-feira, maio 12, 2006

Still alive 2: Derretendo

A Era do Gelo tem o formato perfeito para um seriado. Recheado de situações episódicas, o primeiro e o segundo filme completam uma temporada completa, com a possibilidade de ainda explorar melhor vários dos personagens que pulam alguns segundos na tela, fazem uma graça e somem (ou extinguem-se, como queiram).

Talvez por isso que A Era do Gelo 2, o filme, pareça tão ... A Era do Gelo! O gelo estar derretendo é apenas um mero detalhe. Parece que nem o fato de Manfred estar diante de uma nova parceira em potencial consegue fazer mais do que servir de escada pra repetir as mesmas situações de antes. Sobra apenas a frustrante sensação de “mais um”.

E o que parece agradar a maioria, o esquilo (ou seja lá o que for exatamente aquele ser) Scrat, pra mim só serviu pra deixar tudo mais lento e chato.

A Era do Gelo 2
Ice Age 2: Meltdown, EUA, 2005
Direção: Carlos Saldanha
Elenco: Ray Romano, John Leguizamo, Denis Leary, Queen Latifah

The cure

Adoro essa mulher.
E se o filme for metade do que trailers, teasers, clips e TV spots prometem, Superman vai ter que fazer muito este ano.

quarta-feira, maio 10, 2006

Still alive 1: Discurso e força

De rápido e pior que pode ser dito sobre V de Vingança há o fato de que não apresenta qualquer inovação, visual ou não. Nenhuma surpresa, o filme é “dirigido” por James McTeigue, pupilo dos irmãos Matrix. Também há exagero no início com discursos intermináveis e impossíveis de se compreender em tão pouco tempo.

Mas quando termina – e termina muito bem –, V de Vingança mostra sua melhor qualidade e conseqüentemente, sinaliza que pode ser um filme a ser lembrado deste ano. Herança dos quadrinhos de Alan Moore, o discurso sobre o quanto de força e violência deve ser usado pra que se possa fazer a liberdade e a democracia começa devagar e transforma a alma do filme nascido pra fazer dinheiro.

Há um ataque direto aos governos que usam desta violência e terror pra fazer valer sua ordem e um questionamento sobre o porque de também não usar a mesma violência – e também terror – pra conseguir fazer com que a liberdade seja restabelecida. O fato é que tanto para se tomar a liberdade quanto para lhe devolver a liberdade, o discurso é sempre em pró da liberdade. Exato momento em que o knife time deixa de ser o mais legal do filme.

V de Vingança
V for Vendetta, EUA, 2005
Direção: James McTeigue
Elenco: Natalie Portman, Hugo Weaving, Stephen Rea, John Hurt, Roger Allam, Clive Ashborn

segunda-feira, abril 10, 2006

A bola da vez - Parte II

Philip Seymour Hoffman é o Jamie Foxx da vez. Já levou todos os prêmios a que foi indicado e vai levar até o fim deste ano, quando provavelmente outro coadjuvante pouco conhecido alcançará uma performance “brilhante”. Ainda que tudo esteja se tornando cada vez mais previsível (o mesmo vem acontecendo com atrizes), não dá pra tirar o mérito de Hoffman, de quem ja gostava desde Boogie Nights e Magnólia (e ainda participou de Embriagado de Amor, também de PT Anderson)..

Muito menos o mérito do filme de Bennet Miller, muito superior a Ray, principalmente porque não quer contar toda vida do escritor e jornalista Truman Capote, preferindo se ater a um momento específico desta. O momento em especial, é justamente o mais importante na vida de Capote, quando se dedicou a uma pesquisa de mais de 3 anos para escrever seu best seller A Sangue Frio.

O melhor do filme – que além de Hoffman, ainda tem uma ambientação que consegue fazer confundir a realidade dos personagens com a realidade do assassinato e consequentemente, com aquele que a obra de Capote tem – é a relação entre Capote (sujeitinho brilhante, mas asqueroso, interesseiro e egocêntrico) e os assassinos, principalmente Perry Smith. Faltou pouco (ou sobrou algum tempo) para que conseguisse ser melhor.

Capote
Capote, EUA, 2005
Direção: Bennet Miller
Elenco: Philip Seymour Hoffman, Catherine Keener, Clifton Collins Jr., Chris Cooper, Bruce Greenwood, Bob Balaban

sexta-feira, abril 07, 2006

A bola da vez - Parte I

Felicity Huffmann e Transamerica são os representantes do Oscar 2006 para a categoria “filme levado nas costas pela performance da protagonista”, que rendeu os prêmios de melhor atriz para Charlize Theron (Monster – Desejo Assassino) e Hilary Swank (Meninos Não Choram) no passado. A tradição este ano só foi quebrada porque Felicity foi atropelada pela bonitinha (alguns assim a consideram) Reese Witherspoon.

Todos mantém, no entanto, a característica principal de terem a atriz principal carregando nas costas um filme que, mesmo contando com uma história que foge o convencional (típico filme independente) , não consegue ser mais do que o filme que a atriz tal sofre uma transformação física pra alcançar a personagem, e que no caso deste em especial, exagera da conveniência

Transamerica peca por seguir a risca a clássica estrutura de road movie sem criar um único momento que consiga tocar o público. Tudo parece estar longe demais de um espectador “normal”, ainda que esteja falando de sentimentos tão comuns em relações de pais e filhos.

Bons momentos com a relação entre o garoto que viaja ao lado do pai, sem saber que ele é seu pai ou mesmo sem saber que ele vai ser ela em questão de dias. Uma relação freudiana demais pra mim, eu diria.

Transamerica
Transamerica, EUA, 2005
Direção: Duncan Tucker
Elenco: Felicity Huffman, Kevin Zegers, Fionnula Flanagan, Elisabeth Peña, Graham Greene, Burt Young, Carrie Preston

quinta-feira, março 30, 2006

A long time ago in a galaxy far away...

Seria desespero recorrer a uma comédia de 1999 para conseguir rir um pouco? Pouca coisa conseguiu fazer isso por mim nos últimos anos (Todo Mundo Quase Morto e Dias Incríveis) sem deixar aquele gostinho azedo com um final boboca ou forçando em piadas físicas. O jeito é correr atrás daquilo que já funcionou antes e continua funcionando.

E a contar pelo subgênero de Heróis Fora de Órbita – comédia que parodia sucessos do cinema – não era de se esperar grande coisa. Mas o filme de Dean Parisot não só consegue fazer graça com o seu alvo de gozação (o seriado Jornada das Estrelas e toda a piração (saudável?) em torno dele) como aposta numa mudança de estratégia pra se salvar do lugar comum do gênero.

Sem querer espremer até a última gota de graça com a paródia, Heróis Fora de Órbita percebe que não há como não tirar sarro sem ser o próprio alvo e parte para a auto-gozação. Resultado: o filme passa de paródia a homenagem sem atingir os fãs do primeiro nem do segundo grupo. Não só culpa do roteiro esperto mas também do elenco mais cool que já juntaram numa comédia (Allen, Rickman e Weaver, encabeçando).

Minha próxima tentativa é O Virgem de 40 anos. Se não funcionar, volto outra década e lá, provavelmente, terei algo divertido pra assistir.

Heróis Fora de Órbita
Galaxy Quest, EUA, 1999
Direção: Dean Parisot
Elenco: Tim Allen, Sigourney Weaver, Alan Rickman, Tony Shalhoub, Sam Rockwell

segunda-feira, março 27, 2006

Clooney - Parte II

Boa Noite e Boa Sorte já é o filme mais eficiente do ano. Não são necessários mais do que 90 minutos para o produtor/roteirista/diretor George Clooney visitar a caça as bruxas promovida pelo senador McCarthy e questionar os aclamados valores americanos. Daquela época e de hoje também.

Sem exageros nem cair em armadilhas fáceis (principalmente no tratamento que dá ao protagonista, o âncora Edward R. Morrow), Clooney surpreende com a fotografia nada indicada para os nossos tempos – e por isso, belíssima –, adiciona música só quando ela é necessária e também acerta na construção do roteiro, que jamais se perde, graças a sua objetividade.

Rápido, duro e incisivo. Muito obrigado.

Boa Noite e Boa Sorte
Good luck and good night, EUA, 2005
Direção: George Clooney
Elenco: David Strathairn, Robert Downey Jr., Patricia Clarkson, Ray Wise, Frank Langella, Jeff Daniels, George Clooney

sexta-feira, março 24, 2006

Clooney - Parte I

Syriana é rápido, tenso, bem interpretado e infelizmente, confuso demais. Talvez não de mais, a ponto de estragar toda a experiência, mas certamente dá um nó na cabeça do espectador com tantos conchavos, intrigas, agências, países (fictícios ou não) e velhinhos de cabeça branca (não faço idéia de quem era quem!).

O que acaba resultando num filme com ótimos elementos isolados, mas que não conseguem criar o resultado que poderia. Principalmente por estar neste novo levante (passageiro?) de denúncias hollydianas que quer ser menos dramático e mais prático, pensando mais num filme bom do que num discurso bom. Pena que não sobre muito espaço (nem tempo) pra deduzir ou pensar. Talvez pra se indignar.

Syriana - A Indústria do Petróleo
Syriana, EUA, 2005
Direção: Stephen Gaghan
Elenco: George Clooney, Matt Damon, Amanda Peet, Nicholas Art, Luke Barnett

terça-feira, março 21, 2006

Num reino muito, muito distante...

Reis e Rainha é lindo, incrível. Sei que a pior maneira de dizer que um filme é ótimo é dizendo (só) que ele é ótimo. Mas no caso específico deste filme, talvez a melhor maneira de começar seja pelo resultado (um puta filme), já que dizer o porque é algo um pouco mais complicado.

Começa felizinho e despretensioso, com Moon River (lembra?) e a rainha Nora (Emmanuelle Devos, apaixonante), uma mulher que vai se casar em breve, pela terceira vez, tem um filho e uma inacreditável história a ser descoberta. Minutos após entra Ismael (Mathieu Amalric), tão ligado e necessário a história do filme e da própria Nora quanto inocente em seu começo.

É ao redor destes dois personagens que as histórias de ambos (mas não só deles) se desenrolam, numa mistura absurda que vai do intimismo a citações literárias, artísticas, filosóficas e vai saber mais o quê se passou por ali e não fui capaz de absorver, já que tudo é muito rápido, enérgico, mas sempre envolvente e encantador.

Arnauld Desplechin, o maluco na direção, não se intimida com a complexidade da história narrada nem com a complexidade das histórias de cada um dos personagens. Apela para tudo o que o cinema pode oferecer (e ainda usa o teatro), correndo o risco, inclusive, de ser exagerado e pretensioso.

Algo, que em raros casos no cinema, tem um bom resultado. Reis e Rainha é um bom exemplo.

Reis e Rainha
Róis et Reine, França, 2004
Direção: Arnauld Desplechin
Elenco: Emmanuelle Devos, Mathieu Amalric, Catherine Deneuve, Maurice Garrel, Nathalie Boutefeu

domingo, março 19, 2006

Mesa redonda

Há uma classificação comum entre cinéfilos (ou mesmo pobres seres mortais que apenas gostam de filmes) chamada de “filme difícil”. Pode ser um filme difícil de entender, um filme difícil de engolir ou um filme difícil de achar. Um Filme Falado, de Manoel de Oliveira, é um filme difícil de chegar ao final. Pena que ele seja justamente dependente do seu final pra conseguir ser um filme de fato, e não uma aula de história regada a discussões.

A dificuldade está justamente ligada a alma e proposta do filme: uma discussão (muita discussão, aliás) sobre a situação política-social global atual com a retomada histórica da formação das nações. Mesmo contando com ótimos momentos, como a discussão no jantar entre os passageiros do cruzeiro que dá direção ao filme – e ao flashback histórico –, Um Filme Falado torna-se decepcionante para quem espera fatos e ação para dar forma e fundamento a discussão, e não apenas a discussão.

É impactante no final, justamente pela seqüencial final, uma das melhores e mais corajosas dos últimos anos.

Um Filme Falado
Um Filme Falado, Portugal/França/Itália, 2003
Direção: Manoel de Oliveira
Elenco: Leonor Silveira, Filipa de Almeida, John Malkovich, Catherine Deneuve, Stefania Sandrelli, Irene Papas, Luís Miguel Cintra, Nikos Hatzopoulos.

quinta-feira, março 16, 2006

Quem se ferra

Em 2005, Spielberg demonstrou uma força e vigor impressionantes. Não só por ter rodado (e lançado) dois filmes, mas pelo resultado impressionante de ambos. Primeiro, foi Guerra dos Mundos, um remake que não deixou aquele gostinho amargo que outros têm deixado e que parece querer deixar o espectador zonzo com um ritmo e visual que deixam o homem longe daquela imagem de cinquentão. E depois, Munique.

Também impressionante pela estrutura, pelo ritmo (ponto fortíssimo da edição do veterano Kahl) – ainda que alguns minutos a menos para o filme cansaria um pouco menos – mas principalmente pela vontade de Spielberg em fugir do lugar comum a que seus filmes sempre caem na hora de definir os bandidos e os mocinhos. Ainda que o filme se preocupe em mostrar quem fez mal a quem, não parece ser a preocupação principal.

Munique pode ser “acusado” de ser um filme que Spielberg cutuca a própria raça, mas mais do que isso é o questionamento de toda a piração que existe em nome da religião, da pátria, do Estado e do amor. É uma simples questão de substituir os “porquês”, as “vítimas” e os “que buscam justiça”.

No meio disso, alguém sempre se ferra. E a destruição lenta e dolorosa do personagem de Eric Bana não poderia simbolizar melhor essa incompatibilidade entre o “social” e o “individual” (algo que sempre me persegue) e ilustrar como este baixinho ainda tem coisa pra mostrar.

Munique
Munique, EUA, 2005
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler

terça-feira, março 07, 2006

Non-standard

O Segredo de Brokeback Mountain é um jogo equilíbrio, algo comum aos trabalhos de Ang Lee. Um objetivo bem evidente dele, aliás, o de recuperar o equilíbrio abandonando com a má experiencia que foi Hulk. No filme, também todos os elementos estão em conflito e buscam equilibra-se. O tradicionalismo dos westerns com a polêmica homossexual, a sensibilidade do amor entre os protagonistas e o agressividade sexual (vi alguns rostos chocados), a certeza que o amor nasce em todos os lugares mas sobreviver é uma luta quase perdida...

E o mais triste em Brokeback Mountain (que é disparado uma das coisas mais tristes que vi no cinema nos últimos anos) é que o amor, tão celebrado e falado por todos que comentam o filme, principalmente a mídia, não é celebrado no filme. Pelo contrário, O Segredo de Brokeback Mountain quase coloca uma pedra sobre as possibilidades do amor non-standard.

Sim, é uma bela história sobre duas pessoas que se perceberam numa situação adversa, mas ainda assim ignoraram o medo e se permitiram (principalmente quando olhamos para o vaqueiro Jack). Mas também é uma história sobre o amor incompleto, que não teve coragem ou não teve permissões pra se completar (Ennie). E nada me deixa mais deprimido do que alguém falando que o amor, só o amor, não basta pra ser feliz.

Esse estrago que o filme causa é o tipo de sentimento masoquista que ainda me faz continuar a assistir filmes.

O Segredo de Brokeback Mountain
Brokeback Mountain, EUA, 2005
Direção: Ang Lee
Elenco: Jake Gyllenhaal, Heath Ledger, Michelle Williams, Anne Hathaway, Randy Quaid, Linda Cardellini, Anna Faris, Scott Michael

Também tem o Oscar... é... e o ganhador de melhor filme do Oscar... não posso deixar, ainda que já tenha me enchido com o assunto, de deixar algumas palavras curtas e rápidas sobre o belo "cala boca, viado" da Academia ao dar o prêmio para Crash - No Limite: mas que merda!

quinta-feira, março 02, 2006

Apelando

Com o contrato de hospedagem do antigo servidor vencido, o jeito é apelar para o BlogSpot, e perder mais de uma semana consertando links, reenviando imagens, redirecionando domínio, configurando sistema de comentários (todos os anteriores, aliás, foram perdidos). Volto em breve.

UPDATE: Alguém faz idéia de como ativar os

UPDATE 2: It's alive!.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

A Margem

Poucas vezes começo a assistir um filme sem saber absolutamente nada sobre ele. No mínimo, sinopse é algo que estou a par. Outros, como no caso de Clean, o máximo que conheço é a devoção que recebeu de alguns cinéfilos, infelizmente não compartilhada por mim.

Ainda que estejamos falando de um filmaço – a atuação de Cheung, a trilha sonora e o visual de chorar – sobre um assunto nada original, porém tratado sem as soluções comuns, por vezes me senti a margem da história da mulher que leva o golpe que lhe lembra ainda ter um filho.

Recuperar-se das drogas, convencer ao filho que pode amá-lo e provar a si e aos outros que tem talento. Tá, não entendi mesmo porque não gostei do filme. Talvez três clichezinhos a mais e eu teria adorado. Vai entender. Vou dormir (e quem sabe reassistir ao filme daqui a alguns dias).

Clean
Clean, França, Inglaterra, 2004
Direção: Olivier Assayas
Elenco: Maggie Cheung, Nick Nolte, Béatrice Dalle, Jeanne Balibar