Do tempo em que Mel Gibson era um jovem e bonito rapaz, livre de seus clássicos trejeitos interpretativos e (aparentemente) sem a intenção de usar o cinema para levar uma mensagem de fé às salas de projeção de todo o mundo (ou, ao meu ver, cometer o maior atentado feito em nome de algum deus dos últimos tempos, que só perde para a guerra do Bush), Mad Max é menos um filme sobre violência, como gostam de afirmar, e mais um filme sobre como esta violência começou a chamar a atenção, começou a ficar "bonita" na telona.
Violência e maldade. Maldade por pura maldade, personificada nas gangues de auto-estradas, e a maldade amparada pela bondade legitimada pela vingança, personificada no bom - policial - competente - que- perde - a - família - barbaramente. Com menos violência explícita do que qualquer nascido depois do último filme da trilogia ter sido produzido (1985) possa esperar – como nos insuportáveis filmes que tanto querem impressionar hoje – Mad Max não parece estar preocupado com qualquer leitura que possa ser feita. É só um filme sobre mocinhos atrás de bandidos malvados.
O primeiro, dirigido por George Miller em 1979, ainda perde algum tempo justificando toda a raiva do protagonista Max - e porque se tornará o Mad - se vingando dos assassinos de sua família (imortalizada na sequência do sapatinho do moleque rolando no asfalto). Um desperdício de tempo que Miller corrigiu no filme seguinte, rodado em 1981, em que sequer dá boas justificativas para as atitudes dos personagens: são todos insanos, desesperados e cada um merece viver menos que o outro.
Tanto que destrói o mundo civilizado em cinco minutos narrados em off logo no começo para que o visual pós-apocalíptico se justifique. Com melhor ritmo, mais ação e adrenalina, e menos preocupação com “porquês” e “senãos”, Mad Max 2 se aproxima mais de pesadelo do que o primeiro, mas também faz rir bastante. Talvez poucos filmes consigam representar em imagens toda essa época perdida de reviravoltas e confusão (na política, na música, na literatura, no cinema, no sexo, que juro tentar entender) e tão poucos cumpram a função de aliviar as neuras de quem é doido pra socar os bandidos que vê na TV (ou na porta do carro).
Mad Max
Mad Max, Austrália, 1979.
Direção: George Miller
Elenco: Mel Gibson, Joanne Samuel, Hugh Keays-Byrne, Steve
Bisley
Mad Max 2 - A Caçada Continua
Mad Max 2, Austrália, 1981.
Direção: George Miller
Elenco: Mel Gibson, Bruce Spence, Michael Preston, Max Phipps,
Vernon Wells
Também tem o terceiro, rodado em 1985, o Além da Cúpula do Trovão, que ninguém do grupinho que conferia os filmes teve coragem de assistir mesmo. Ainda mais quando confirmaram que a música We Don't Need Another Hero (nem sei se é esse o nome da música de Tina Turner, mas esse refrão ficou memorável graças as chamadas criadas pela Globo) não toca durante o filme, desisti também...