Batman Begins (que poderia se chamar Batman Again) era a aposta mais fácil de todo o ano de 2005. Resultado da soma de um estúdio sabedor e arrependido de sua ganância desmedida – mas ainda crente que poderia ganhar mais alguns trocos -, de um diretor e elenco competentes e um ótimo material original, a adaptação para as telonas do início da carreira do Homem-Morcego tinha muitas poucas chances de se sair mal.
E não se saiu. O filme de Christopher Nolan coloca Bruce Wayne e seu alter-ego denovo nos trilhos, redireciona o filme para o tom mais sombrio e realista que o material exige e dá a entender que pode ser uma nova chance de franquia bem-sucedida para série. Pelo menos até Joel Schumacher morrer e encarnar em algum diretor por aí. Enquanto isso podemos esperar pelo menos mais um filme decente, já que tudo leva a crer que todos voltam para a seqüência, explícita no final deste primeiro.
Para um filme que conseguiu o impossível e atendeu tão bem as expectativas, bastaria encerrar por aqui confirmando que tudo é muito bom. Mas é impossível deixar de olhar com um certo cansaço toda a primeira metade do filme – centrada no velho e habitual treinamento desumano e revelador – e com alguma desconfiança toda a racionalidade de Nolan, que apesar de se sair (muito) bem no seu trabalho, deixa uma dúvida se não se acovardou e preferiu simplesmente apostar no óbvio e fácil.
Mas como não sou ingrato e sei reconhecer duas horas de bom entretenimento, vamos fazer de conta que o parágrafo anterior não existiu, ok?
Batman Begins
Batman Begins, EUA, 2005
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Christian Bale, Michael Caine, Liam Neeson, Morgan
Freeman, Gary Oldman e Katie Holmes
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