quarta-feira, janeiro 18, 2006

Intensidade

Não chega a ser o espetáculo que eu esperava, nem mesmo tem o grau de violência que muitos alardearam, mas nem por isso Oldboy se tornou uma decepção. Belo no visual, sádico no roteiro e intenso sempre (seja numa seqüência de luta ou numa de sexo), o filme de Park Chan-wook é um bom exemplo de histeria com bom senso.

Uma exagerada e improvável história de vingança baseada num mangá, o roteiro é esperto enquanto entrega informações aos poucos, deixando o espectador só chegar perto da revelação final quando o próprio filme está lá. E não estamos falando de reviravoltas miraculosas. Surpreende, mas fecha certinho.

Enquanto não chega lá, Oldboy parece se divertir (conseguindo também fazer divertir) com sessões de torturas, sopapos intermináveis (a seqüência em que Oh Dae-su enfrenta sozinho mais de vinte homens é simples, perfeita e acredite, completamente aceitável).

Quando chega lá, não faz ninguém chorar, ou sair pensativo do cinema, ou pensando como o sentimento de vingança por moldar toda uma vida (ainda que ele tenha calibre pra fazer tudo isso). O que de melhor fica é a sensação de duas horas bem gastas com um filme.

Oldboy
Oldoby, Coréia do Sul, 2004
Direção: Park Chan-wook
Elenco: Choi Min-sik, Yoo Ji-tae, Gang Hye-jung, Chi Dae-han, Oh Dal-su Park, Kim Byoung-ok, Lee Seung-shin, Oh Gwang-rok

Também tem alguns apontamentos rápidos sobre a premiação do Globo de Ouro. Coisa rápida, pra tentar ser menos chato que a própria premiação.

  • Foi a primeira vez que conferi a cerimônia, ainda que não pude fazer decentemente (som original, sem as tentativas de tradução simultânea do pessoal contratado pelo SBT, que se esforça) e pareceu mais rapidinha do que o Oscar, menos metida a besta.
  • Bom não ter um anfitrião, é menos um querendo se aparecer e fazer graça. Ponto pra Geena Davis, Hugh Laurie e Steve Carrel, hilários em seus agradecimentos.
  • Não posso ainda chamar de empolgação, mas aumentou minha vontade de conferir Brokeback Mountain.
  • LOST e Desperate Housewives, não vou repetir tudo o que já disse sobre eles por aqui.
  • Rubens Ewald Filho e a mocinha lá formaram a provável pior dupla de apresentação já vista. Faltou, no mínimo, timing na dupla. A certa altura o moço sequer lembrava quais eram os indicados para melhor drama. Pelo menos um comentário dele fez sentido: aquilo foi uma festa gay!

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