
Tarefa nada fácil essa de colocar em palavras porque gostei (tanto) do novo filme de Fernando Meirelles. Nunca simpatizei com o projeto, nem com as possibilidades de que se tratasse de um romance dramático arrastado ou uma destas produções-denúncias, muito menos com a áurea de “primeiro filme do diretor brasileiro no estrangeiro”.
Mas O Jardineiro Fiel não é nada disso. Não é um romance chato e arrastado, mas sabe como usar o romance dos protagonistas a seu favor; não é uma produção-denúncia pretensiosa, mas sabe equilibrar aquilo que é (um filme sobre um homem que só descobre a esposa quando já é tarde) com o mundo assustador em que está inserido (um país miserável, seres humanos usados como cobaias, dentre outras coisas).
Ainda conta com a bem-vinda decisão de Meirelles em abandonar legendas, datas, avisos de idas e vindas no tempo. Pode afastar os mais desatentos e preguiçosos, mas ajuda a dar forma a um filme complicado, de sentimentos que afloram aos poucos, sempre contando com um ritmo que alterna momentos tensos e intensos com outros suaves e intimistas.
A direção trabalhosa de Meirelles (aliada a edição de Claire Simpson) quase exagera nos ângulos e enquadramentos “inusitados” ou numa câmera que deixa tonto de tanto tremer e balançar. Mas tudo alcança equilíbrio e harmonia, que só não é atingida por Ralph Fiennes, criando um muro de frieza que, tecnicamente é perfeito ao filme, mas parece negar um pouco de alma ao resultado final.
O Jardineiro Fiel
The Constant Gardener, EUA, 2005
Direção: Fernando Meirelles
Elenco: Ralph Fiennes, Rachel Weisz, Daniele Harford, Danny
Huston, Hubert Koundé, Richard McCabe
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