sexta-feira, janeiro 06, 2006

Exagero

Peter Jackson já havia provado sua insanidade mental quando levou para as telas a trilogia O Senhor dos Anéis. A grandiosidade do mundo e da história dos filmes (algo herdado dos livros), porém, mascarava em meio aos inúmeros acertos do diretor o que seria seu pior defeito: o exagero.

Em King Kong, um filme com roteiro que pode ser resumido em meia linha, sobra espaço e tempo suficientes para confirmar que Jackson depende mais do material que tem em mãos do que de suas próprias capacidades e qualidades como cineasta.

Não se limitando a apenas contar a história do gorila gigante apaixonado por uma mulher, Jackson cria um filme irregular e insuportavelmente longo, que se perde nas tentativas de ser adulto, espetacular, romântico e um grande sucesso de bilheteria.

O resultado é uma primeira hora de sono, toda animadinha, querendo ser um filme de 80 anos atrás, que tem Jack Black pra aliviar, mas tempo demais pra bocejar. Segue uma segunda hora com ação ininterrupta, mas tão cômica quanto a hora anterior, com intermináveis seqüências de ação, que se sucedem enquanto se anulam e só ganham algum espaço na memória do espectador com o interessante ataque dos vermes vitaminados. A última hora acerta: consegue equilibrar ação, romance e drama, parecendo durar apenas vinte minutos. Mas nada que salve o filme das duas horas anteriores.

Memorável pela atuação de Kong (tão perfeito que passa despercebido, como se realmente fosse de verdade, e não efeito especial) e por tornar crível o romance entre os dois protagonistas. Decepcionante quando não sabe reconhecer suas limitações. O respeito que Jackson teve por J. R. R. Tolkien em O Senhor dos Anéis deveria ter se convertido em respeito ao espectador que, ás vezes, quer apenas um bom filme de aventura, não mudar sua vida.

King Kong
King Kong, EUA, 2005
Direção: Peter Jackson
Elenco: Naomi Watts, Jack Black, Adrien Brody, Andy Serkis, Jamie Bell, Kyle Chandler

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