segunda-feira, agosto 08, 2005

A oitava maravilha do mundo

Numa manobra inédita e arriscada, assisti a um filme original antes que o remake chegasse aos cinemas. Programado para o final do ano, King Kong será “reimaginado” (adoro a criatividade desse povo... e a cara de pau também) por Peter Jackson, depois de levar alguns queixos ao chão (o meu ainda está lá) com a trilogia O Senhor dos Anéis. Enquanto o filme não chega e eu não consigo uma resposta para a pergunta “Por que todo diretor que ganha um Oscar faz um remake?”, movi meus pauzinhos e com a ajuda de alguns cliques, finalmente conferi o clássico de 1933.

A justificativa para minha cara de bobo enquanto assistia ao filme era pensar como ele é abusado. Sem sequer imaginar que um dia seria possível animar qualquer ser com realismo impressionante, a produção de King Kong não se intimidou com as deficiências do stop motion em início de carreira e não economizou nos efeitos especiais. Uma coragem justificada tão somente por ser algo novo. Hoje alguém só toparia efeitos toscos se tem tal intenção ou se é maluco.

O que mais gosto nestes filmes antigos – e também aquilo que mais me irrita – é o jeitão arrogante. No caso de King Kong, eles sabiam que estavam fazendo algo que iria derrubar o público. O discurso do egocêntrico diretor de cinema que viaja em busca de aventura sobre o domínio do homem – branco e civilizado – sobre todo o resto – tribos africanas, gorilas gigantescos, dinossauros – está para a intenção do filme de ser grandioso sobre todos os demais.

Como não conheço nada da história do cinema deste período e este é provavelmente o filme mais velho que assisti (algo não confirmado, mas que também não faz muita diferença) é provável que o que acabo de falar é uma grande bobagem. Ainda mais porque a pretensão aqui ajuda mais do que atrapalha, ainda que um pouco menos de aventuras na Ilha da Caveira teriam dado mais ritmo ao filme.

King Kong
King Kong, EUA, 1933.
Direção: Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack
Elenco: Fay Wray, Robert Armstrong, Bruce Cabot, Frank Reicher, Sam Hardy, Noble Johnson

Também tem dores localizadas (garganta, panturilha, coxa, ombros e pescoço) resultado do show da banda IRA que rolou numa cidade aqui perto. Trezentos quilômetros, três meses esperando e muita vontade contida de assistir algo bom resultaram numa noite dolorida, mas memorável. É tolice, eu sei, mas morar no interior não é fácil...

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