Não sei exatamente em que momento que me convenceram de que a primeira metade de A Ilha tinha algum conteúdo. Provável culpa minha, já que deveria ter entendido que há algum conteúdo. Isso é um filme de Michael Bay, ora . Mas daí a já dar créditos ao rapaz, é um exagero.
E nada combina melhor com Bay do que exagero. Até quando o infeliz tá só contando que alguns milhares de homens e mulheres estão vivendo numa colônia a espera de serem levados para um paraíso e dois deles descobrem que há mais por trás disso – acabei de resumir a tal parte com conteúdo do filme – Bay se esforça até o último segundo de câmera lenta para ser brilhante. Ou convencer que é. Quando ele grita "missão cumprida, agora vamos para a parte de ação" e resolve derrubar os protagonistas de mais de dezessete andares e nem riscar o rostinho bonito deles passamos a vez. Se bem que não enoja como aconteceu com os defuntos voando no último filme dele.
Nem a beleza visual de A Ilha – e digo que gostei bastante da cara do filme – resiste a quantidade de seqüências em que a câmera circunda um personagem, abre o plano enquanto é suspensa ou então força um close ao som denunciante da trilha de sonora de que “Oh! Algo está acontecendo! Presta atenção!”. O filme só não perde na quantidade de câmeras lentas para outra bomba, A Paixão de Cristo.
E mais do que câmeras lentas, A Ilha tem merchandising. A infinidade de marcas e empresas aproveitando o momento para vender seus produtos manda pelo ralo o já superficial discurso que o filme tenta emplacar de luta pela vida e pela não coisificação do ser humano e faz dele nada mais do que isso, um produto. Será que foi involuntário ou de propósito? Nem vou dormir essa noite...
A Ilha
The Islaind, EUA, 2005.
Direção: Michael Bay
Elenco: Ewan McGregor, Scarlett Johansson, Sean Bean, Djimon
Hounsou, Steve Buscemi; Michael Clarke Duncan (em figuração de
luxo)
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