Água Negra tem muitos acertos. O maior deles é a decisão do diretor Walter Salles de preferir o drama, um quase terror-psicológico, para dar tom ao filme ao invés de apelar para a linha de terror de chamados e gritos da vida, um tipo de terror que já deu o que tinha que dar. Ou melhor: que nunca deu nada de muito bom.
O resultado é um filme angustiante que funciona por muito tempo. Não quer dizer logo se a mãe que se muda para um prédio assustador com moradores assustadores e antigos inquilinos assustadores – tudo herança do filme original para justificar o enquadramento no gênero terror – está vendo coisas ou se ela realmente tem algo para se preocupar.
Mas como eu disse, funciona por um tempo. Tempo até demais, o que conta a favor do diretor. Bem próximo ao final, Água Negra começa a te fazer pensar até quando ficaremos naquela, e olhar para o relógio é involuntário. E filme algum resiste a impaciência de saber quando chegaremos ao final. Mesmo que seja um final no mínimo inesperado, como o de Água Negra.
Mesmo reafirmando bom número de acertos que apontei lá no começo – Connelly está bem, a fotografia perfeita, o cuidado com enquadramentos – não consigo pensar no filme como algo que eu tenha gostado. Não desgostei também. Mas filme que não se gosta, mas também não se desgosta, eu dispenso
Água Negra
Dark Water, EUA, 2005.
Direção: Walter Salles
Elenco: Jennifer Connelly, John C. Reilly, Tim Roth, Dougray,
Pete Postlethwaite, Ariel Gade
Também tem Ang Lee levando o Leão de Ouro pelo seu Brokeback Mountain. A história de amor de dois vaqueiros que durou mais de vinte anos conquistou o juri e tem prometido, ao lado de Elizabethtown, varrer festivais por aí.
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