segunda-feira, agosto 15, 2005

Dando um desconto

Quarteto Fantástico é um filme desconto. Você dá um desconto por ser um filme de super-heróis e conseqüentemente, refém de uma determinada fórmula; dá outro desconto por ser baseado em HQs, e por mais que você já esteja de saco cheio disso, uma vez ou outra dá um bom filme; um terceiro desconto é dado por ser um filme assumidamente diversão, sem pretensões bíblicas, um típico Sessão da Tarde, como já foi chamado; e o desconto final, de uns 50%, você dá porque é o primeiro do que poderá ser uma série, tem que desenvolver personagens, tem que ter uns porquês, tem que ter gancho...

Você dá tanto desconto – quase todos “justificáveis” – enquanto Quarteto Fantástico vai passando que no final você acaba percebendo que assistiu a um filme pela qual não pagou. E pagou muito, muito caro. No desespero de ser um filme livre de grandes exigências, Tim Story e o roteiro de Michael France e Mark Barnathan exageram nas tentativas de fazer graça. Enquanto caminha para a metade da projeção, percorre uma linha tênue entre engraçadinho e patético. Depois disso, descamba para um lado só, e não é para o melhor dos lados.

Herança dos quadrinhos? Bela desculpa. Assim como todas as outras desculpas que tentam fazer do filme algo menos exigível. E o pior de tudo, é que como um produto pouco exigível, Quarteto Fantástico está perfeito. Um caso estranho de bem-sucedido filme porcaria. E que parece agradar bastante, a contar pela empolgação de quem sai da sala com um sorrisão no rosto.

Porém, se você não consegue ignorar furos horríveis no roteiro – o genial Reed foi até o espaço pra pegar a tal nuvem e cinco minutos depois constrói uma máquina capaz de fazer a mesma coisa –, não consegue rir das piadinhas óbvias, não consegue acreditar num maldito homem de pedra (juro que tentei!) e não consegue se emocionar cada vez que a música (horrível, aliás) sobe e um personagem se redime, procure aquela versão maldita de Roger Corman (1994), que pelo menos não usa a desculpa esfarrapada de “filme diversão”.

Quarteto Fantástico
Fantastic Four, EUA, 2005.
Direção: Tim Story
Elenco: Ioan Gruffudd, Michael Chiklis, Jessica Alba, Chris Evans, Julian McMahon

Também tem o desespero de descobrir que a única cópia do filme que veio para minha querida cidade é dublada. Será que isso poderia ter alguma influência sobre a minha decepção com o filme? Nããããaooo....

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