sábado, setembro 17, 2005

A beleza dos americanos

Já são seis anos desde que a crítica americana se rendeu aos encantos do filme do estreante Sam Mendes. Encantos que, pelo menos para mim, pareciam maiores naquela época, quando foi chamado de uma autocrítica ousada e cínica daquela sociedade. Hoje, ainda gostando muito do que vejo, Beleza Americana soa mais como mais uma oportunidade dos americanos se mostrarem.

Sou fã de Alan Ball. Não tanto por esta sua cria cinematográfica, mas principalmente por outra que nasceu para a TV, Six Feet Under (ou A Sete Palmos, como foi batizada em alguns canais por aqui). Seguindo a mesma linha “vamos mostrar como não somos tão bonitos quanto a TV mostra”, o seriado se preocupa menos em safar seus personagens – ainda que eu não tenha visto todas as temporadas – e se mostra muito menos soft com o público.

No filme, seja porque queria pegar mais leve ou porque sabia que muitas pessoas mais além dos próprios americanos iriam assistir (ou também porque acordou num dia mais feliz), Ball desacelera na reta final. Mata seu personagem principal a sangue frio, mas não deixar de fazer disso a coisa mais bonita do filme. Transforma tudo num “nós somos um povo desgraçado, mas temos fucking sentimentos”.

Nesta briga entre o profundo e reflexivo e puro egocentrismo, ainda há Sam Mendes disposto transformar o filme numa coisa bela, de encher os olhos, de partir o coração e de fazer pensar. Acerta muito na primeira. O restante convence só a quem adorar auto-piedade. Incrível como cinco anos podem fazer tanta diferença. Resta saber se foi ao filme ou a mim.

Beleza Americana
American Beauty, EUA, 1999.
Direção: Sam Mendes
Elenco: Kevin Spacey, Annette Bening, Thora Birch, Wes Bentley, Mena Suvari, Chris Cooper

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