A vontade de falar (ou escrever) sobre Madagascar é tão grande quanto a vontade que eu tinha de ver Madagascar, tamanha a empolgação com que o filme foi recebido. Segundo grande senão da geração de animações por computadores da Dreamworks – não assisti até hoje O Espanta Tubarões – o filme mostra que é só uma questão de tempo até a falta de criatividade e burocracia chegar ao mundo digital também, assim como chegou ao de papel e lápis.
Uma aventura frustrada que deveria ter preferido ficar no campo da simples comédia de situações, Madagascar quis ser demais. Foi pra selva, evocou os instintos animais, abusou das piadas físicas, se rendeu a tentação de bichinhos fofinhos e, por fim, caiu no desespero de terminar tudo muito rápido. Nem a ótima meia hora inicial ou as referências cinematográficas perdidas pelo meio do filme conseguem segurar por muito tempo o sorriso forçado na cara.
E é apenas nesta nessa meia hora inicial que há mais o que falar (bem) sobre o filme, graças a presença dos hilários pingüins e seus planos perfeitos para fugirem do mundo não natural do zoológico. A equipe de produção de Madagascar deve ter sofrido - é só uma suposição - uma crise quando perceberam que a história destes pingüins seria muito mais interessante e divertida do que o quarteto principal, ainda mais com a chatice da girafa hipocondríaca, que só não é mais chata do que os lêmures e seu rei boboca. Daí a boboquice contaminar todo restante do filme foi questão de minutos.
Pior para a Dreamworks, que até agora só fez dois Shreks bons de verdade, e muito melhor para a concorrente Pixar, que não errou um filme e anda até esnobando estúdios que querem distribuir seus filmes.
Madagascar
Madagascar, EUA, 2005.
Direção: Eric Darnell e Tom McGrath
Elenco: Ben Stiller, Chris Rock, David Schwimmer, Jada Pinkett
Smith, Sacha Baron Cohen (mas só pros sortudos que puderam acompanhar
o filme legendado)
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