segunda-feira, agosto 01, 2005

Bonitinho, mas ordinário

Chatinho até o osso, O Clã das Adagas Voadoras tem uma vantagem sobre o filme anterior de Zhang Yimou: quer ser menos poético nas lutas. O que ainda não nos salva de seqüências intermináveis de duelos coreografados em câmera lenta em que sabemos que só um (adivinha quem?!) estará vivo no final. É um filme menos cansativo do que Herói por querer ser um filme de personagens, mas escorrega feio por não ter muito o que falar.

Enquanto em Herói, Yimou queria contar a história das tentativas de derrubar o Imperador chinês, n'O Clã das Adagas Voadoras ele apenas situa o espectador num período histórico qualquer em que também tentam assassinar o líder da China para justificar os mocinhos e os bandidos. Do meio deles nasce um triângulo amoroso digno de novela – com um final pra lá de forçado – e a certeza de Yimou de que daria pra fazer um filme de duas horas com isso.

Não dá. Ainda que menos excessivo no quesito visual que seu filme anterior, o diretor só consegue fazer seu filme valer a pena pelo visual de algumas seqüências, como a da batalha no bambuzal. Mas fica longe de construir um filme que tenha momentos mais do que simplesmente bonitos. E na categoria “bonito, mas ordinário”, o cinema americano tem muito mais tempo de estrada.

O Clã das Adagas Voadoras
Shi Mian Mai Fu, China/Hong Kong, 2004.
Direção: Zhang Yimou
Elenco: Takeshi Kaneshiro, Zhang Ziyi, Andy Lau, Song Dandan.

Também tem a sensível melhora de conceito que Guerra dos Mundos conseguiu sexta-feira passada, numa sessão com amigos. Parece que já sabendo o que ver e esperar o filme funciona ainda melhor e com certeza subirá alguns postos na próxima avaliação de melhores do ano.

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