terça-feira, dezembro 21, 2004

Pra quem havia esquecido mesmo...

Não havia como esperar pouco de Party Monster. A história de um jovem que se tornou uma espécie de rei/rainha pop do cenário underground da Nova York dos anos oitenta, matou o traficante e ainda contava com a volta de Macauly Culkin as telonas realmente chamavam a atenção. Cedo se deu o grito de "polêmica a vista".

Cedo demais, eu diria. Exceto pelo ótimo visual e por um Seth Green afiadíssimo, Party Monster não consegue ir além em nenhum dos assuntos que aborda. Uma história sobre um promoter gay vivendo em um mundo de sexo e drogas em um filme sem homossexualidade, sexo e drogas é algo no mínimo contraditório. Vale mais pelo que está ao redor do que pelo o que está dentro.

Leia mais sobre:
Party Monster

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Mundos n�o t�o distintos...

Em uma rodada de entrevistas com ex-diretores do Carandiru no documentário O Prisioneiro da Grade de Ferro (Auto-Retratos) de Paulo Sacramento, um destes fala algo óbvio: apesar de não regenerar um preso, a cadeia cumpre sua função principal: afastar o criminoso do convívio social.

A partir daí, tudo não passa de um posicionamento egoísta de quem ficou do lado fora. Um sentimento de alívio. "Ufa! Menos um para colocar em risco minha vida perfeita.". Não é tão difícil entender porque a situação carcerária chegou ao ponto que vemos.

Com imagens filmadas pelos próprios presos, O Prisioneiro da Grade de Ferro (Auto-Retratos) não é apenas um retrato sofrido da realidade do que foi a maior casa de detenção da América Latina (e ainda se repete pelos presídios deste país), mas um dos melhores filmes nacionais deste ano.

Leia mais sobre:
O Prisioneiro da Grade de Ferro (Auto-Retratos)

sexta-feira, dezembro 17, 2004

Almod�var presente apenas em corpo...

Almodóvar está presente apenas em corpo no seu último trabalho, Má Educação. Um filme apenas muito bom - porque conta com todo o apuro técnico e visual do diretor que me encantam - mas que não só perde a chance de criar caso com a igreja (algo que eu realmente gostaria de ver), mas também por ser desprovido de alma. No caso, a alma de Almodóvar, o que faz uma grande diferença.

Ao contrário de seus outros filmes, não há nenhum personagem em Má Educação que ficará voltando em flashs na memória ou que será capaz de lhe fazer reassistir ao filme para entendê-lo melhor. Talvez porque não há o que entender nestes personagens. Há apenas um roteiro ora confuso, ora bem sacado, que manipula (muito bem) o público mas tem efeito programado para durar enquanto as luzes estão apagadas.

Obrigatório por ser um filme de Almodóvar. Menor por ser um filme de Almodóvar.

Leia mais sobre:
Má Educação
Fale com Ela
Tudo Sobre Minha Mãe

quinta-feira, dezembro 16, 2004

Escolha sua vida...

Outro filme polêmico que ganha destaque na década passada quando o assunto é crítica ao meio social. E Trainspotting - Sem Limites é muito mais um filme que critica a sociedade do que um filme sobre drogas. Ao contrário do ótimo Réquiem por um Sonho, o filme do diretor Danny Boyle é frenético, divertido, quase uma versão pop visceral do mundo das drogas.

Chega a ser acusado de fazer apologia a drogas, o que não consigo entender. Afinal, como se pode afirmar que um filme faz apologia as drogas quando mostra alguns dos personagens acabarem com suas vidas por serem viciados. O que Bolye faz, com muita competência, é dar uma visão menos panfletária e moralista deste mundo, alertando - assim como Réquiem por um Sonho também fez - que as drogas são mais comuns e mais acessíveis do que imaginamos.

Somos um bando de viciados e sequer nos damos conta...

Leia mais sobre:
Trainspotting - Sem Limites

terça-feira, dezembro 14, 2004

Tudo sobre sua m�

Assisti. Depois assisti de novo. E se tivesse tempo livre assistiria hoje de novo. Não sei dizer exatamente porque, mas poderia assistir Tudo Sobre Minha Mãe sem parar, todos os dias, até o fim do mês. Ou do ano. Do ano que vem! E quando digo que não sei bem porque é porque realmente não sei.

Não há nada que seja facilmente explicado naquele filme, nem um personagem que possa ser resumido numa única linha. Todas as mulheres criadas por Almodóvar neste filme são uma espécie de monstros mitológicos, nunca homogêneos, formados por uma fraqueza e uma força, por um dom e uma maldição vivendo situações que são no mínimo, inusitadas...

Acho que vou parar de falar e assistir o filme de novo...

Leia mais sobre:
Tudo Sobre Minha Mãe

segunda-feira, dezembro 13, 2004

N�o tinha perdido nada...

Agora sei porque nunca me convenci a pegar O Talentoso Ripley na locadora. É um bom filme, consegue te segurar até o final, mesmo com a emissora de televisão picando o filme em mil pedaços e uma dublagem terrível (como todas, aliás). Mas termina e você nem lembra como ele começou....

Na verdade, lembra sim, porque era um outro filme... no O Talentoso Ripley da primeira hora de filme, havia um interessante jogo de sedução entre Ripley e o Dickie, com a pobre e ingênua Marge no meio, sem saber se sentia pena ou ciúmes de Ripley. Mas no filme que começa com a segunda hora de projeção, ficou só na superfície mesmo, com o interesse único de só mostrar como Ripley iria se safar.

Felizmente Almodóvar veio salvar o fim de semana...

Leia mais sobre:
O Talentoso Ripley

terça-feira, dezembro 07, 2004

Antes e depois

Antes de assistir a Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-Sol eu estava certo que assistiria a dois filmaços. Era o que eu poderia deduzir depois de ler tudo o que podia sobre os filmes (e não falo de críticas, os filmes em si me interessavam muito). Mas o que são expectativas (mesmo que as maiores possíveis) quando se depara com filmes como estes?!

Richad Linklater foi um gênio quando escreveu e dirigiu sem grandes pretensões um filme sobre um casal que se conhece, se apaixona e se despede em um único dia. Nada de relações atribulados ou dificuldades no amor, a única coisa que interessava em Antes do Amanhecer era o momento perfeito, lindo, carregado de enzimas da paixão. O que viria depois de o sol nascesse não faria muita diferença. E assim fizeram (ele mais o casal perfeito Ethan Hawke e Julie Delpy) um dos melhores romances da década passada.

Nove anos depois voltam os três. A primeira coisa que afirmam (os três) é que estão mais maduros. O que implica em ver e compreender que nove anos se passaram, que muitas coisas aconteceram desde aquele dia e que outras tantas não aconteceram. O romance em Antes do Pôr-do-Sol divide espaço com raiva, arrependimento e frustração, mas ainda perfeitamente embalado pelo clima de paixão atemporal. Candidato a melhor filme do ano.

PS. Acho que já não dá mais para fugir disso: sou estupidamente romântico.

Leia mais sobre:
Antes do Amanhecer
Antes do Pôr-do-sol

segunda-feira, dezembro 06, 2004

Nuvens n�o s�o brancas...

Se você não se deixar envolver pelas imagens criadas pelo diretor Peter Webber com Moça com Brinco de Pérola, é provável que que você precisará de uma boa dose de paciência pra conseguir terminar o filme. Mas se aceitar o desafio de buscar por si mesmo, apenas usando as imagens, sentidos e motivos para os personagens, então este é o filme.

Nada me deixa mais satisfeito do que um diretor que aposta no seu público, acredita na sua capacidade. Pena que sua proposta contemplativa da vida do pintor Johannes Vermeer e da jovem serviçal Griet careça de um pouco mais de paixão, o que no final das contas acabaria indo contra as intenções do diretor. Enfim, não se pode ganhar sempre.

Leia mais sobre:
Moça com Brinco de Pérola

quinta-feira, dezembro 02, 2004

Aguente at� o fim!

Graças a uma crítica mais do que positiva da Revista Set, loquei Jogo de Sedução achando que seria um filmaço... Ele até termina bem, já que a meia hora final, além de um boa (porém exageramente inverossívemel) reviravolta, nos faz pensar um pouco sobre o cenário do entretenimento que vivemos atualmente.

Porém, antes da tal meia hora conclusiva, há um filme com um romancizinho nada criativo que quase cansa e faz desistir do filme... só ficamos até o final porque o filme afirma ser um suspense e portanto, ainda há chances de algo interessante acontecer.

Ah, e o (sumido) Tiago escreveu, depois de assistir quatro vezes (alguém além dele e de mim, compartilha esse gosto por reassistir a um filme várias vezes?), sobre Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, que para a alegria daqueles que moram em cidades pequenas com um único cinema de propriedade de comerciantes interesseiros sem nenhum pingo de amor a arte cinematográfica, está sendo lançado em video nesta semana.

Leia mais sobre:
Jogo de Sedução
Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

quarta-feira, dezembro 01, 2004

Coisa de adolescentes...

É difícil convencer alguém a assistir um filme que não tem exatamente uma história. A grande maioria foge de qualquer produção que não consiga ser resumida em apenas duas linhas. Neste caso, Elefante definitivamente deve ser ignorado. O diretor Gus Van Sant faz de seu filme um exercício de observação de personagens e ambientes como maneira de denunciar para a sociedade americana o que ele considera um elefante.

O que torna tudo, no mínimo, paradoxal. Deduz-se que para Van Sant, os problemas que levaram os dois garotos pirarem na batatinha (ou não) e matarem colegas e professores em 1999 é algo tão fácil de se notar como um elefante sentado no meio da sala, mas a única coisa que ele não faz em seu filme é dar motivos ou razões, nomear este elefante.

Para mim, o filme só faz confirmar aquilo que cada vez mais fica evidente: jogos ou filmes violentos são apenas produtos do mesmo meio que cria jovens violentos.

Leia mais sobre:
Elefante
Tiros em Columbine