segunda-feira, janeiro 17, 2005

Filmes do Ano

Sem muita enrolanção e conversê, meus escolhidos para FILMES DO ANO!

1. Kill Bill: Volume 1: Uma Thurman no macacão amarelo empunhando uma espada samurai pronta para derrubar "oitenta loucos" ou quantos mais forem necessários para se vingar. Quentin Tarantino juntou tudo aquilo que não se esperaria num filme convencional e fez de sua homenagem ao que ama o filme mais vibrante, intenso e lindo do ano. Imagem, música e sangue de groselha fazem de Kill Bill: Volume 1 o filme do ano.

2. Kill Bill: Volume 2: Mas parece que para Tarantino não bastava e no mesmo ano ele volta com o segundo capítulo da saga da Noiva, decidida a colocar um fim definitivo a vida do odiado Bill. Odiado? Quem assistiu ao Volume 2 de Kill Bill percebeu que amor, ódio, vingança e prazer nunca caminharam tão juntos. Kill Bill: Volume 2 troca o sangue e a ação por sentimentos mais nobres como o amor e esperança. Para quem imaginava que dividir os filmes em dois poderia diminuir sua força, os dois primeiros lugares na lista são uma boa resposta.

3. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças: De Charlie Kaufman já era de se esperar um filmaço. A surpresa - pelo menos para mim - foi Michel Gondry. Perfeito ao dar vida ao bizarro mundo criado por Kaufmann, Gondry também contou com a ajuda da dupla perfeita Jimmy Carrey e Kate Winslet para fazer o filme mais romântico do ano. O amor esteve em alta no cinema em 2004.

4. Antes do Pôr-do-Sol: Nove anos não fizeram o amor de Jesse e Celine diminuir, mas também não parou suas vidas. Num ato de puro egoísmo do diretor Richard Linklater, Ethan Hawke, Julie Delpy e nós, o casal volta a se encontrar por algumas horas numa tarde ensolarada de Paris só para sabermos o que aconteceu depois daquela noite de paixão que rendeu um dos mais românticos filmes dos anos noventa. Quanto a Antes do Pôr-do-Sol, já é um dos mais românticos desta década.

5. Homem-Aranha 2: Já é a terceira continuação a figurar na lista de melhores do ano, uma prova de quão surpreendente foi 2004. Mas como olhar para um filme como Homem-Aranha 2 não se render? Sam Raimi e os quinze roteiristas (exagero) que trabalharam na continuação da aventura de Peter Parker provaram que dá pra fazer cinema entretenimento com cérebro e emoções honestas e verdadeiras. Danem-se as continuações, façam o melhor filme que puderem agora!

6. Elefante: Gus Van Sant foi chamado de medíocre e de gênio por seu Elefante, um filme no mínimo paradoxal. Simples em sua proposta e execução, complexo em suas sugestões. Como o título sugere - mas o filme em si não explica - o tal elefante está sentado no meio da sala de estar das famílias americanas e ninguém percebe. Com seu formato voyesrístico, Elefante deixa implícito porque desgraças como o massacre de Columbine acontecem: ninguém está prestando atenção.

7. Diários de Motocicleta: O filme sobre a viagem pré-revolução de Che Guevara já mereceria estar em qualquer lista do ano mesmo que não tivesse rendido um filmaço, já que é resultado de um movimento único e inédito de esforço das três Américas. Mas o brasileiro Walter Salles, com a ajuda do mexicano Gael Garcia Bernal e a grana do americano Robert Redford, dentre outros, fizeram mais do que um exemplo de esforço mútuo internacional e entregaram um dos filmes do ano.

8. Os Incríveis: Brad Bird que fazer algo muito simples: provar que não existe o gênero animação. Há filmes de todos os gêneros contados pela animação. Se depender deste Os Incríveis, a mensagem foi mais do que entendida. Nada de bichinhos fofinhos e coloridos, Os Incríveis tem super-heróis tão normais quanto qualquer um de nós em uma aventura para toda a família sem necessariamente significar “filme chato”.

9. Dogville: O homem por trás do movimento Dogma 95 voltou em 2004 querendo criar novos conceitos e novas regras. Conseguiu dividir a crítica e afugentar o público. Menos aqueles que deram um voto de confiança ao baixinho e chegaram até o final de Dogville, um filme surpreendente no formato que privilegia o elenco em cenários inexistentes e quer mostrar o que há de pior na América. Um pouco menos de pretensão e o filme estaria algumas posições acima.

10. A Supremacia Bourne: Jason Bourne voltou sob o comando de Paul Greengrass, em um filme que adiciona a primeira aventura a dose certa de ação que faltava. A Supremacia Bourne é o filme mais equilibrado do ano, consciente de suas possibilidades e de suas qualidades e prova de que entregar uma franquia comercial nas mãos de diretores autorais é sim um bom negócio.

Não entraram porque só havia espaço para dez:
 O Retorno (o cinema russo apostando em imagens sombrias);
 21 Gramas (a dor inspecionada em um pesadelo atemporal);
 Encontros e Desencontros (sensibilidade sob as luzes de Tókio);
 Fahrenheit 11/09 (o documentário que queria mudar o mundo);
 O Prisioneiro da Grade de Ferro (cinema nacional também sabe fazer documentário);
 Swimming Pool - A Beira da Piscina (François Ozon brinca com seus personagens);
 As Bicicletas de Belleville
(a animação tradicional brilha quando lhe dão a oportunidade)
 Meninos de Deus (as forças oponentes que nos obriga a crescer)

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