É uma pena que toda a violência e polêmica em torno de
Irreversível,
o filme de
Gaspar Noé, acabe desviando a atenção
de todos para aquilo que o filme quer afirmar: que o tempo destrói tudo
e que o sentimento de vingança só nos lembra do que realmente
somos. Quando Marcos encontra o suposto estuprador que quase matou sua namorada,
já está num nível tão inconsciente de ódio
que não vê mais limites para suas ações. Quando estamos
prestes e vê-lo sendo estuprado dentro da infernal boate, Pierre - que
vinha tentando dissuadí-lo da vingança - aparece para salvar e
comete o mais brutal dos crimes que o cinema já mostrou.



A onda insana de violência e horror felizmente diminui nas sequências
seguintes, o que acaba nos convencendo a chegar até o final do filme,
e começo da história. Para isso ainda é preciso passar
pela insuportável sequência do estupro de Monica Belluci. O filme
é um triunfo de técnica, principalmente quando se gosta de planos
longos e complexos. É também um dos poucos filmes com a capacidade de sair de tela
e atacar quem o assiste.
Nenhum comentário:
Postar um comentário