terça-feira, abril 20, 2004

O tempo

É uma pena que toda a violência e polêmica em torno de Irreversível, o filme de Gaspar Noé, acabe desviando a atenção de todos para aquilo que o filme quer afirmar: que o tempo destrói tudo e que o sentimento de vingança só nos lembra do que realmente somos. Quando Marcos encontra o suposto estuprador que quase matou sua namorada, já está num nível tão inconsciente de ódio que não vê mais limites para suas ações. Quando estamos prestes e vê-lo sendo estuprado dentro da infernal boate, Pierre - que vinha tentando dissuadí-lo da vingança - aparece para salvar e comete o mais brutal dos crimes que o cinema já mostrou.

A onda insana de violência e horror felizmente diminui nas sequências seguintes, o que acaba nos convencendo a chegar até o final do filme, e começo da história. Para isso ainda é preciso passar pela insuportável sequência do estupro de Monica Belluci. O filme é um triunfo de técnica, principalmente quando se gosta de planos longos e complexos. É também um dos poucos filmes com a capacidade de sair de tela e atacar quem o assiste.

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