Quando aquela típica racionalidade interesseira cheia de armadilhas é suprimida, há o surgimento de um ambiente desconhecido, pouco confortável, isento de sons, de imagens, de palavras e atos que nos levem a reconhecer e antecipar (racionalmente) o que move e o que motiva.
Quando a supervalorização acerca da razão é então quebrada e reconhecida, cabe a capacidade primária sensorial - há tanto aposentada por invalidez - a função de levar ao centro do cérebro (aquele que pensa sentindo, não o que apenas pensa) as sensações que dão peso, cheiro, textura e luz a este novo mundo.
Quando Malick nos propõe rever a famosa história da chegada inglesa às terras norte-americanas, ele sabe que Pocahontas já foi feito pela Disney, que a trama já é conhecida, que os personagens já estão definidos, tirando exatamente daí a obrigação de fugir do que racionalmente é esperado e apostar no que certamente é rejeitado e inapropriado.
Quando a ingênua jovem índia sem nome é descoberta na tela com uma beleza que flerta com a beleza da própria américa virgem e inexplorada também é descoberto que a terra não é virgem tanto quanto a índia (apaixonante, bela, doce, suave, misto de virgem intocável do romantismo com heroína de atitude de história em quadrinho) não é a ingenuidade forçada e enganada vítima dos seres civilizados.
Quando este mundo novo excitante selvagem cruel se manifesta, são abandonadas as últimas tentativas de reconhecimento sobre o que é certo e errado, sobre quem são os heróis e quem são os bandidos, sobre sob o que vale morrer e o que vale viver, restando muito pouco sobre o que falar (de forma racional, linear, ilustrativa e demonstrativa) de um filme que se tem tanto para sentir.
Quando as luzes se acendem, o mundo da razão ilumina novamente deixando um vazio forte e intenso, que não dá respostas e empurra tudo o que foi sentido por duas horas lá pra dentro novamente.
O Novo Mundo
The New World, EUA, 2005
Direção: Terrence Malick
Elenco: Colin Farrell, Q'Orianka Kilcher, Christian Bale, Kirk
Acevedo, Jason Aaron Baca, Irene Bedard
12 comentários:
putz...
belíssima crítica...
intensa e sensível !
eu perdi no cinema (só ficou em cartaz uma semana aqui em Teresina)...
mas em dvd é obrigatório !
Errr... só cinco estrelas? hehehe.
Obra-prima. Mais uma que o Malick nos entrega (sou fã do cara; faz filme só de vez em quando, mas é sempre filmaço).
Parece que esse é o filme do ano, né? Eu assisti acompanhado, tava entre a atenção e a sacanagem, não posso dizer muita coisa...
Mas tô pronto para uma revisão. A vendedora da PlayArte me deixou uma cópia do dvd para as locadoras e vou rever, vou rever...
me adiciona no orkut que eu voltei.
não te achei.
Abraço
O filme do ano!
Grande Roger, como vai essa força? Cara, só estou passando por aqui pra lhe avisar que tem um recado meu pra galera lá Portal Cine, se quiser dá uma olhada, passa lá:
www.portalcine.blogger.com.br
há pretensões de volta!
Um abraço!
poxa.. pensa q vc naum posta mais ae.. naum sei c tah ocupado..
mais eu gostava bastante de ler seus comentarios..
vlws
acabei de assistir !!!!
belíssimo...
Ainda não consegui ver esse filme, mas a crítica ficou muito boa... estou curioso... Um abraço!
Baita dum filme! O que mais me deixa boquiaberto nos filmes do Mallick é aquela fotografia maravilhosa que eu só consigo descrever como "poesia visual". Só mesmo o cara pra conseguir fazer um filme de guerra como o "Além da Linha Vermelha" ter momentos de pura poesia, coisas que não são só pra "assistir": são objetos para uma "contemplação estética"... hehe! :D
E outra coisa: o Mallick é o tipo de cara que só vez uns 5 filmes na vida, mas que só solta algo quando o troço realmente ficou FODA. Muito diretor que lança filme todo ano devia aprender com ele a se conter! =)
Legal o blogue, conheci agora... Vou passar por aqui mais vezes!
Olá. Todo mundo fala muito bem desse filme. Eu acho o Coli Farell um bom ator. Até em Alexandre... Abs
Mesmo não atualizando espero que ainda passe por aqui, é com felicidade que venho convidar-lhe para visitar o Portal Cine que está sendo reinaugurado hoje. Volto a blogosfera engatinhando mas feliz! Um grande abraço!!
Voltará a escrever, Roger?
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