quinta-feira, março 16, 2006

Quem se ferra

Em 2005, Spielberg demonstrou uma força e vigor impressionantes. Não só por ter rodado (e lançado) dois filmes, mas pelo resultado impressionante de ambos. Primeiro, foi Guerra dos Mundos, um remake que não deixou aquele gostinho amargo que outros têm deixado e que parece querer deixar o espectador zonzo com um ritmo e visual que deixam o homem longe daquela imagem de cinquentão. E depois, Munique.

Também impressionante pela estrutura, pelo ritmo (ponto fortíssimo da edição do veterano Kahl) – ainda que alguns minutos a menos para o filme cansaria um pouco menos – mas principalmente pela vontade de Spielberg em fugir do lugar comum a que seus filmes sempre caem na hora de definir os bandidos e os mocinhos. Ainda que o filme se preocupe em mostrar quem fez mal a quem, não parece ser a preocupação principal.

Munique pode ser “acusado” de ser um filme que Spielberg cutuca a própria raça, mas mais do que isso é o questionamento de toda a piração que existe em nome da religião, da pátria, do Estado e do amor. É uma simples questão de substituir os “porquês”, as “vítimas” e os “que buscam justiça”.

No meio disso, alguém sempre se ferra. E a destruição lenta e dolorosa do personagem de Eric Bana não poderia simbolizar melhor essa incompatibilidade entre o “social” e o “individual” (algo que sempre me persegue) e ilustrar como este baixinho ainda tem coisa pra mostrar.

Munique
Munique, EUA, 2005
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Eric Bana, Daniel Craig, Ciarán Hinds, Mathieu Kassovitz, Hanns Zischler

3 comentários:

Anônimo disse...

Merecia um Oscar.. a merecia.. não é sempre que uma lenda se descobre... snif snif.. não ganhou nada.. por causa disso o spig vai descansar ano que vem.. snif snif

Anônimo disse...

achei um filmaço também, um filme infinitamente melhor q CRASH. Um Spielberg como desde "O Resgate do S..." não se via.

Ademar de Queiroz (Demas) disse...

Não me encantou tanto no dia em vi, mas está registrado até hoje. Parece estar "crescendo" com o tempo. Anda merecendo uma revisão. Abração.