terça-feira, fevereiro 10, 2004

Babaquice yankee!

A babaquice de alguns americanos puritanos é realmente algo sem tamanho! Primeiro, foi o episódio envolvendo Janet Jackson e Justin Timberlake. Para quem conseguiu não ler nada sobre o "acidente" algo bem resumido: numa apresentação durante o intervalo do Superbowl (o equivalente a final de campeonato brasileiro aqui, só que em horário nobre e com shows familiares nos intervalos), Justin e Janet dançavam e cantavam uma música sensual e ao final da apresentaçã, ele puxava a roupa dela fazendo com que um dos seis ficassem a mostra. (leia a notí�cia completa aqui)

O episódio causou uma comoção nacional: grupos familiares e a própria rede que apresentava o programa considerarem o episódio ofensivo, de mau gosto e prometeram justiça as famílias americanas ofendidas. Gostaria realmente de enteder se todos os americanos pensam realmente desta maneira certinha e conservadora, ou se fazem isso na televisão para mostrar ao mundo o quão civilizados são quando na verdade são tão normais como qualquer outro ser humano do planeta. Acho que já tenho minhas apostas.

Já em outra notí�cia publicada hoje pelo Omelete, vemos que Michael Powel, presidente da FCC (alguma porra americana que zela pelos direitos e valores das famí�lias) estava movendo processo contra Bono Vox porque ele usou a palavra fuck ao agradecer o prêmio que ganhou no Globo de Ouro de 2003!

Bono é um dos ativistas polí�ticos e sociais mais engajados do planeta, vive fazendo shows e campnhas solidárias ao redor do mundo e é acusado ofender as famí�lias americanas por usar um termo ofensivo em rede nacional! Além disso, já está circulando nos corredores do senado uma lei que proibirá palavrões como shit, piss, fuck, cocksucker, motherfucker e asshole" de rádios e TVs, inclusive as tirado do ar se infringirem a tal lei!

Não estou defendendo palavrões e bobagens em rede nacional. O que me irrita nisso tudo é fazer de conta que não temos mais problema algum para resolver, que dessa maneira "nossas famílias" estarão sendo incitadas a se desmantelarem e que usando apenas termos de bom tom, o mundo será bem melhor! A vontade é a de listar uma lista enorme de palavrões direcionado a esse povo, mas me conterei. Como eu disse, isso é coisa da cabeça de alguns e não posso afirmar que maioria deles pensam dessa maneira.

Se bem que isso não é algo exclusivo dos americanos. Considero ridí�cula as traduções feitas para os filmes aqui no Brasil. Seja dublado ou legendado insistem em traduzir motherfucker ou "son of bitch" como "filho da mãe", em vez do certo "filho da puta". Minha mãe comentou inocentemente certo dia que só via palavrões em filmes nacionais e só pude mostrar pra ela que eles (os palavrões) existem em qualquer filme e lugar e não pasam de forma de expressão. Ofensiva, claro, mas com o poder único de dar dimensão do ambiente, situação ou momento que estão sendo encenado.

Quanto ao episódio de Janet Jackson e seu seio a mostra não há o que falar. Num país onde mulher pelada no carnavel é algo tão normal quanto a chuva cair do céu e não da terra, chega parecer ridí�culo a indignação deles. Na verdade não sou fã de tanto exagero e explicitação como temos por aqui (e também achei bobo e desnecessário o que a dupla pop fez por lá), mas tratar a situação daquela maneira, com tanto conservadorismo e puritanismo parece piada! Taí� uma coisa que não consigo entender: num país que se diz tão livre e pra frente como os EUA, ainda há gente que faz um serviço desses!

Mas acho que exista gente assim por aqui também. Talvez eles não ganhem tanto destaque quando ganham por lá. Agora o que só faz aumentar é a nossa antipatia por um povo que sempre se achou melhor do que os outros (mesmo quando sequer sabiam da existência do resto do mundo) e que ultimamente tem deixado isso bem explícito (o episódio do turista que mostrou o dedo para o policial e declarou ser "um cidadão americano e não um macaco" é realmente algo lamentável). Quem sabe o brasileiro agora passa a se valorizar mais e não se importar tanto com o que é americano.

Mas só depois do Oscar, claro, até lá ainda teremos que suportar inúmeros programas de TV e outros meios dizendo que o Brasil está fazendo bons filmes porque foi "reconhecido" pela Academia. Isso me deixa doente!